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1 de ago de 2013

Usos do Prontuário do Paciente na contemporaneidade por Dra Cristiane Galvão

Dra. Maria Cristiane Galvão é colunista do InfoHome e esta semana publicou um artigo muito interessante, que reproduzo aqui:



USOS DO PRONTUÁRIO DO PACIENTE NA CONTEMPORANEIDADE
[Agosto/2013]


Introdução

Em que pese a origem do prontuário do paciente ter seu escopo voltado para a conduta e assistência médica e de enfermagem, na contemporaneidade, o prontuário do paciente em suporte papel e em suporte eletrônico pode conter registros elaborados por diferentes profissionais de saúde. Tais registros, observados os limites da lei, podem ser solicitados e utilizados pelos próprios pacientes ou seus representantes legais, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, farmacêuticos, nutricionistas, biomédicos, odontólogos, fonoaudiólogos, assistentes sociais, educadores físicos, advogados, juízes, administradores, pesquisadores etc.

Em linhas gerais, ao menos no contexto brasileiro, há um deslocamento histórico do que se denominou “prontuário médico” centrado nos registros médicos para “prontuário do paciente” que, por sua vez, recebe os registros efetuados por diferentes profissionais da saúde. Outro aspecto a ser destacado é que o prontuário passa a ser efetivamente usado pelo paciente em múltiplos contextos voltados ao seu bem-estar, havendo assim o extrapolamento da visão de saúde restrita à dimensão física para um conceito de saúde mais ampliado que considera a dimensão social, física e psicológica do indivíduo. Desse modo, em nossos dias, o “prontuário médico” pode se constituir como uma parte do “prontuário do paciente”, mas nem sempre e nem em todos os casos abrange a totalidade deste.

Considerando essa perspectiva, este texto apresenta situações nas quais o prontuário do paciente é requerido, ressaltando, na conclusão, ações necessárias à sua gestão e manutenção de forma que os pacientes não tenham seus direitos prejudicados.


Usos do prontuário

Uma pessoa que realiza seguro de vida não espera morrer tão cedo. Mas, com certeza, após seu óbito, a seguradora demandará acesso ao prontuário do segurado, a fim de saber quais doenças ele tinha antes e após a contratação desse seguro. Neste contexto, além da família demandar a transparência das razões de morte, o valor a ser pago para aos beneficiários pela seguradora, por exemplo, é associado ao tipo de morte, ou seja, se morte natural um valor, se morte acidental outro valor. Situação similiar acontecerá em casos de seguro de viagem, que a depender da ocorrência de saúde, acidente ou causa da morte, o valor a ser pago para os beneficiários será quantitativamente diferente. Assim, pode-se já iniciar um caminho na compreensão de que as informações existentes no prontuário durante a vida e a morte do paciente possuem valores outros, incluindo valores econômicos, que ultrapassam a própria assistência de saúde.

No momento da morte, o prontuário do paciente é igualmente importante para a equipe responsável pelo serviço de verificação de óbitos, dentre os quais médicos patologistas, que realizam a necropsia, a fim de que a definição da causa de morte tenha mais embasamento. Em caso de morte violenta ou acidental, o prontuário do paciente será demandado pelo Instituto Médico Legal (IML). Certamente, os relatos do paciente sobre violências já sofridas, ameaças, ou intenções sobre sua vida registradas no prontuário do paciente ajudarão as equipes de especialistas na melhor compreensão da morte ocorrida.

4 de jun de 2013

Uruguai digitalizará os prontuários médicos em todo o país


Converter a suporte digital todos os registros de atendimento de pacientes para melhorar a gestão desses dados e gerar maior eficiência no sistema de saúde, essa é a meta para que estejam disponíveis os dados médicos dos mais de 3 milhões de usuários do sistema de saúde, em qualquer local do país.

Primeiramente, só será digitalizado o prontuário eletrônico de um grupo de usuários do sistema público da Administração de Serviços de Saúde do Estado (ASSE). Nesta primeira parte trabalha-se na integração dos dados básicos de toda a população atendida em instituições públicas e privadas. Os dados básicos são: nome, cédula de identidade, carteira de vacinas, se sofre alguma enfermidade e toma determinada medicação, assim como a carteira de saúde da criança. 

A implementação permitirá que todas as instituições cruzem dados caso seja necessário, o que beneficiará o paciente que requeira atendimento em qualquer posto de emergência ou policlínica de qualquer lugar do país. Além disso, analisa-se quanta informação há digitalizada, já que vários centros de saúde começaram este processo há dois anos.

8 de mai de 2013

O Prontuário do Paciente – A Paciente Frida Kahlo e seus dados de saúde


Por Luciana Alves 


Frida Kahlo não foi médica, ainda que isto tenha feito parte de seus planos de vida. A pintora, famosa por seus quadros, retratou vários de seus problemas de saúde. Na medicina não raramente é mencionada por aqueles que se interessam pela psicossomática como um exemplo de alguém que transformou a dor pela arte. 

Mas a Frida era antes uma paciente, e certa vez, declarou ela: "Eu pinto-me porque estou muitas vezes sozinha e porque sou o tema que conheço melhor". Frida não digitou seus dados em nenhum sistema eletrônico de saúde. Não utilizou nenhum aplicativo ou software de imagem menos sofisticado do que si mesma. Frida ao menos pediu permissão, para pintar seu prontuário médico. Seu prontuário médico era a sua pintura. 

Frida pode ter enunciado esta frase mais como paciente, do que como artista. Como ela mesma afirmou: “sou o tema que conheço melhor”. Frida conseguia dizer sem uma palavra onde estava a incisão, onde doía, sua condição emocional e a percepção de si mesma frente aos seus problemas de saúde. Na verdade, quem conhece a obra de Frida percebe que, no seu “prontuário”, não faltava nenhuma informação e não havia rasuras. 

A revolução tecnológica permitiu a coexistência de um novo tipo de paciente, o e-paciente, aquele que acessa informação de saúde, que consome aplicativos voltados para o cuidado da saúde, e que troca informações com outros pacientes sobre sua condição médica. 

Vimos discutindo atualmente sobre a importância do uso de padrões para o desenvolvimento de sistemas de informações voltados para saúde, e sobre como realizar a troca de informações, gerenciamento e integração entre sistemas de informações na saúde. 

E apesar do meu grande fascínio pelas tecnologias eu não consigo deixar de pensar se realmente estamos trabalhando para “criar sistemas” de comunicação entre os profissionais de saúde e esta nova categoria de pacientes, que possam refletir para uma maior qualidade do dado que irá alimentar esta este sistema durante a integração e interoperabilidade de informações dos dados em saúde. 

O dado pelo paciente, o dado da perspectiva do paciente. A minha perspectiva do dado de Frida Kahlo.   





Drª. Luciana Alves

Neuropsicóloga, Mestre e Doutora em Ciências da Saúde, Pós-doutoranda no ICB-UFMG com temática relacionada à Infoveillance & Infodemiology – Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Dengue. É professora de Informática em Saúde, e preside a empresa Bionics Health Technology. 
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6 de abr de 2013

e-SUS nas prefeituras: a nova plataforma da gestão municipal da saúde

Sistema Coleta de Dados Simplificada (CDS)
O e-SUS é nova estratégia do Ministério da Saúde para modernizar e melhorar a qualidade de atenção à saúde prestada à população.

O e-SUS Atenção Básica (AB) é o novo sistema da Atenção Básica que substitui o SIAB. Composto de dois sistemas de software (e-SUS/AB CDS e e-SUS/AB PEC) e que podem operar desde uma UBS sem computador até as novas com conexão de banda larga, computador nos consultórios e nas salas de atendimento. 

Coleta de Dados Simplificada (CDS)
O Coleta de Dados Simplificada (e-SUS/AB CDS) é um sistema onde os dados são coletados em fichas de papel e substituirá os sistemas atuais (ex.: SIAB, HIPERDIA, SISPré-Natal). Desse modo, essa modalidade também contribui para desburocratizar e dar maior agilidade ao atendimento na AB, pois o profissional precisará preencher menos fichas. 
e-SUS/AB PEC: Prontuário Eletrônico do Cidadão

O e-SUS/AB PEC, um Sistema com Prontuário Eletrônico do Cidadão, destinado a municípios cujas Unidades Básicas de Saúde são informatizadas, possuem algum grau de conectividade e contam com profissionais capacitados para apoiar sua implantação. 

A versão inicial do software desta modalidade com prontuário eletrônico, o e-SUS/AB PEC, possui ferramentas para cadastro dos indivíduos no território, gestão da agenda dos profissionais, acolhimento à demanda espontânea, atendimento individual e registro de atividades coletivas. A versão seguinte do sistema já prevê inclusão de outras funcionalidades como abordagem familiar, controle de imunização, prontuário de saúde bucal, gestão da lista de espera de encaminhamentos, gestão do cuidado a doenças crônicas, além de integração com Telessaúde e geração de relatórios dinâmicos. Também será possível monitorar pacientes faltosos e realizar controle de medicamentos e exames pelo computador.


Deseja uma ajuda para implementar na sua cidade? Entre em contato com a TI Medicina: diretorcomercial@timedicina.com.br

6 de fev de 2013

E-SUS AB: o prontuário eletrônico da Atenção Básica do SUS

O Ministério da Saúde, Alexandre Padilha, lançou o software E-SUS  para o uso dos profissionais de saúde nas unidades básicas. Por meio desse programa, que está sendo testado em dez municípios brasileiros e estará disponível a todos a partir de março deste ano, será possível fazer prontuários eletrônicos, armazenar e acessar dados sobre os pacientes e sobre a rede de saúde.
Créditos da foto:  Diniz Neto - Informações e ideias

O programa pode ser usado em notebooks, tablets e celulares com plataforma mobile. O software poderá ser usado em versões online e off-line – em municípios onde as unidades de saúde ainda não estão conetadas à internet. Nesses locais onde não há rede disponível, o Ministério das Cidades irá custear a conexão a cerca de 14 mil unidades básicas que aderiram ao Plano Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade.

TECNOLOGIA NAS UNIDADES BÁSICAS – Outra ferramenta que moderniza os serviços de saúde é o software público E-SUS Atenção Básica (E-SUS AB), capaz de organizar a gestão do funcionamento das unidades básicas e que será ofertado gratuitamente a todos os municípios.

“O Ministério da Saúde desenvolveu um sistema para ajudar o prefeito a gerenciar melhor a Unidade Básica de Saúde, controlar o horário do médico, a agenda e manter as informações do prontuário do cidadão disponíveis aos profissionais de saúde. Assim, o médico vai saber quais doenças aquele paciente tem, quais tratamentos e exames já realizou e poderá prestar um atendimento de melhor qualidade”, informou Alexandre Padilha.


Segundo o ministro, a ferramenta irá proporcionar economia aos municípios. “Há municípios que chegaram a gastar até R$ 2 milhões para desenvolver um sistema próprio de informação. Agora, todos receberão de graça”, destacou.
As informações específicas sobre cada paciente que constarem na plataforma ficarão registradas nas unidades de cada município. Para ampliar a adesão a essas ferramentas e aperfeiçoar a capacidade de atendimento, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério das Comunicações, irá custear conexão a internet banda larga para as quase 14 mil unidades básicas que aderiram ao Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade (PMAQ). O programa induz a ampliação do acesso e a melhoria da qualidade da atenção básica.


“Vamos financiar a Internet Banda Larga, com velocidade adequada para todas as UBS que fazem parte do PMAQ e ainda para as novas que vierem a fazer parte do programa. Desta forma, vamos garantir que todos os dispositivos e ferramentas que integram o conjunto de ações do sistema nacional de saúde sejam acessados por todas as UBS que fazem parte do PMAQ”, afirmou o secretário de Gestão Estratégica e Participativa, Luiz Odorico Andrade.


A conectividade garante maior agilidade no uso do Cartão Nacional, do prontuário eletrônico e do Portal do Cidadão, aumentando, assim, o acesso e a integração do SUS.


Em fevereiro, será realizada audiência pública com as operadoras de telefonia para definir o cronograma de implantação desse serviço. Após a discussão com o setor privado, a expectativa é lançar em março o edital para selecionar as empresas que levarão a conexão às unidades. Todos os custos serão pagos pelo Ministério da Saúde.

19 de jan de 2013

Prontuário Eletrônico para Atenção Básica confirmado pelo Ministro da Saúde Padilha

Como mencionado pelo Dr. Gustavo Gusso no Blog Médico de Família, no post DAB está prestes a lançar o 752 da Vulcabrás, o DAB (Departamento de Atenção Basica) vai lançar um Prontuário Eletrônico para a Atenção Básica no Encontro de Secretários Municipais de Saúde em Brasília nos dias 31/01 e 01/02.

A informação foi confirmada em primeira mão ao Twitter do TI Medicina hoje à tarde pelo Ministro Alexandre Padilha, e existe a previsão de implantação de prontuário eletrônico para as UPAs também.


Saúdo a iniciativa do Ministério da Saúde e aguardo ansiosamente a apresentação do software.

15 de dez de 2012

A SBIS certifica qualidade no Prontuário Eletrônico?


Todos sabem ( e os que ainda não sabiam ficam sabendo agora) que a SBIS, juntamente com o Conselho Federal de Medicina, tem um Selo de Certificação de Software em Saúde. Certifica que o software cumpre uma série de requisitos de segurança que impedem o acesso a pessoas não autorizadas aos dados do paciente, a adulteração do prontuário, além de manter uma trilha de auditoria que possibilita ver "quem fez o quê e quando".

Mas a SBIS certifica qualidade do Prontuário Eletrônico?? Sim e Não.

Nesse mesmo processo de certificação há também os requisitos de estrutura e funcionalidade, como por exemplo que o prontuário precisa possuir dados de identificação do paciente, com possibilidades de mudança de endereço, estado civil, cônjuge, etc, mantendo ainda o histórico das mudanças. Deve possuir ainda, por exemplo, o manuseio de unidades, de Kg para gramas, de Fahrenheit (symbol °F) para Celsius (C°), notificação de agravos constante na portaria Nº 5, de 20/02/2006 da secretaria de Vigilância em Saúde (Poliomielite, Paralisia Flácida Aguda, Raiva Humana, Rubéola, Síndrome da Rubéola Congênita, etc). 

Todas as funcionalidades e exigências de estrutura tem como objetivo de acrescentar qualidade do PEP.

Mas Qualidade é um conceito subjetivo que está relacionado diretamente às percepções de cada indivíduo. Diversos fatores como cultura, modelos mentais, tipo de produto ou serviço prestado, necessidades e expectativas influenciam diretamente nesta definição. O que é um Prontuário eletrônico de  qualidade para mim, pode ser péssimo para você, com campos demais a preencher, prescrição eletrônica pouco funcional, interface complicada...

Qualidade, n.
  1. As características de um produto ou serviço que afetam sua capacidade de satisfazer necessidades explícitas ou implícitas. Quais suas necessidades quanto à um PEP? Quer um que te permita recuperar dados como quantos pacientes deixarama de comparecer às suas consultas com DM ou HAS? E você, Gestor, quer saber o tempo gasto desde o acolhimento do paciente até a primeira conduta médica (tempo Ouro)?
  2. Um produto ou serviço livre de deficiências. Quais as deficiências inaceitáveis para você: Ausência de prescrição eletrônica? Ausência de funcionalidade de inserir fotos de lesão do paciente, diagrama corporal, curva de crescimento e peso?
  3. O grau em que um conjunto de características inerentes satisfaz os requisitos. Esse prontuário possui as características que considera importantes?
  4. Conformidade com os requisitos. Cumpre os requisistos de estrutura, funcionalidade e segurança da SBIS/CFM?
  5. Aptidão para o uso. É intuitivo? As dificuldades de uso são contornadas com treinamento?
  6. Satisfazer as necessidades e expectativas do cliente. Quais as suas necessidades e expectativas?
  7. Superioridade aos concorrentes. Conhece as outras possibilidades no mercado?

Portanto, qualidade é subjetiva e cada usuário possui a sua qualidade. É de extrema importância o mapeamento da qualidade antes da escolha do produto para que as expectativas se satisfaçam e você obtenha um produto de qualidade.

Esse artigo foi escrito em homenagem ao amigo Dr. Fábio Castro do Informática Médica no PSF devido a uma conversa que tivemos outro dia pelo Facebook.



A SBIS certifica qualidade no Prontuário Eletrônico? é um artigo original do TI Medicina. Quando for copiá-lo dar os devidos créditos.


TI Medicina: http://timedicina.com.br

22 de nov de 2012

Computadores em consultórios e a relação médico-paciente


Questiona-se se o uso de EHRs diminuir a interação médico-paciente na sala de exame.

No hospital escola da Harvard Medical School, o BIDMC, há um portal com login para pacientes e Wi-Fi em todo o hospital, os médicos muitas vezes chegam à beira do leito para encontrar um paciente consultando seus exames de laboratório em um iPad, pronto com perguntas sobre seus testes.
site para pacientes do Beth Israel Deaconess Medical Center

A literatura mostra, baseada nos estudos realizados em consultórios com computadores na sala de exame,  que computadores atrapalham se os médicos tem facilidade no seu uso e mantém contato visual com os pacientes.

Aqui estão três artigos:

"Os computadores nos consultórios pareceu ter efeitos positivos sobre interação médico-paciente  relacionadas com a comunicação médica sem efeitos negativos significativos sobre outras áreas, como o tempo disponível para os questionamentos do paciente. Mais estudos são necessários para entender melhor uso HIT (Health Information Technology) durante as visitas." J Am Med Informe Assoc. 2005; 12:474-480. DOI 10.1197/jamia.M1741 http://jamia.bmj.com/content/12/4/474.abstract


"Os estudos que examinam o uso EHR (Eletronic Health Records) encontraram efeitos na sua maioria neutros ou positivos sobre a satisfação do paciente, mas os pesquisadores da Atenção Básica necessitam  realizar mais pesquisas para uma resposta mais definitiva." J Am Med Board Fam 2009; 22:553-562.http://www.jabfm.org/content/22/5/553.full.pdf+html


"Com a implementação do registro médico eletrônico chamado HealthConnect em todas as salas de exame em todo o sistema de prestação de saúde da Kaiser Permanente, como os computadores nos consultórios afeta a comunicação médico-paciente é uma nova preocupação. Índices de satisfação dos pacientes foram obtidas para a atenção básica e especialidades em um grande centro médico no sul da Califórnia para determinar se a pontuação seria alterada conforme os médicos começassem a usar HealthConnect na sala de exame. Os Resultados não mostram mudanças significativas na satisfação do paciente para estes médicos. Embora as preocupações de que a satisfação do paciente fosse diminuir após o HealthConnect fosse introduzido, também não houve evidência de que a introdução de um prontuário eletrônico em ambulatórios melhorasse a satisfação do paciente. " 

5 de nov de 2012

Lista de Prontuários Eletrônicos (web ou dekstop)


A procura por Prontuários Eletrônicos (PEP) aqui no blog e no grupo de Informática Médica no facebook é sempre grande. Assim, resolvi deixar uma lista nas páginas na coluna à direita para facilitar a vida de quem quer ver as possibilidades existentes no mercado hoje.


A lista está dividida em PEPs certificados pela SBIS e outras sugestões. E o que muda em um PEPE certificado para um que não é?

motivos para escolher um PEP certificado

O que é certificação Digital



Para mais informações, acesse o post: Cartilha sobre prontuário eletrônico do CFM/SBIS



19 de set de 2012

O ponto de vista dos desenvolvedores sobre Prontuário Eletrônico

O post Desabafo de um médico sobre o prontuário eletrônico, tanto na lista de discussão da SBIS quanto no facebook e aqui no blog, teve uma repercussão muito boa, com pontos de vista diferentes sobre o mesmo assunto (Faltam Profissionais de TI em Saúde).
Vou abordar hoje um resumo do que foi dito sobre as dificuldades de um bom sistema de prontuário eletrônico do paciente, do ponto de vista dos desenvolvedores.

  • Falta de incentivo dos CEOs para aperfeiçoamento dos profissionais de TI na área de saúde.
"Consegui um mestrado de informática médica, mas precisava faltar às segundas-feiras pela manhã, a empresa não patrocinou esse que gostaria de se aperfeiçoar na área que a própria empresa era detentora de grande participação no mercado, com grande prestígio, e que contava até com profissionais que era professores na escola que eu iria."  Marinilton Gottschall

  • Faltam profissionais de saúde dispostos a atuar junto com programadores na elaboração e desenvolvimento de sistemas
"Os gerentes precisam adotar a visão progressista de que equipes multi-disciplinares são necessárias, se não indispensáveis. De outra forma, os sistemas de informação continuarão sendo inadequados, apesar do número de linhas de código..." Dra. Maria Lúcia de Azevedo Botelho

  • A forma como as solicitações da saúde são apresentadas dificultam a elaboração das soluções por parte da TI.
"(...)homens da TI também sofrem com a forma com que as solicitações, demandas e projeto chegam às nossas mãos, por profissionais de segmentos não baseados em padrões, muitas vezes de ramos de humanas e biológicas (médicos, advogados e outros)."   Marinilton Gottschall

  • A Saúde é muito mais complexa que outras áreas
"1. A e-Saúde é uma área intrinsecamente multidisciplinar. É necessário um mix de conhecimentos, práticas, experiências e atitudes para entendê-la e trazer soluções adequadas para as suas necessidades;2. De uma forma geral, os potenciais clientes de serviços de TI em Saúde, acham que o tema é simples e que profissionais de TI, em geral, podem atender suas demandas. Tanto assim que alguns hospitais de primeira linha têm CIOs que literalmente desconhecem a área;3. São poucos os profissionais de TI em Saúde, hoje, que conseguem navegar com fluência nas áreas de atenção à Saúde, gestão de sistemas de saúde e gestão e/ou uso de tecnologia.4. O mercado brasiliero de saúde é muito fragmentado e diverso. São cerca de 7.000 hospitais, 1.000 operadoras de planos de saúde e 5.600 municipios, que pouco compartilham em termos de infraestrutura, sistemas e modelos de informação." Lincoln A Moura Jr

  • Tempo necessário para desenvolver um bom sistema é longo, os custos são altos e  gestores de TI em Saúde veem a área como um gasto necessário, e não como estratégia de negócio.
"Quando um analista de negócio chega para conversar com um cliente, ele vê um cliente que muitas vezes não tem a menor idéia de onde quer chegar. Alguns médicos querem uma interface "a sua cara", outros querem "que funcionem como meu celular". Esquecem que desenvolver regras, exige tempo, esforço, testes e custos. E querem tudo isto no menor valor possível. Não discordo que sistemas que usem melhores práticas, tecnologia e I.A. sejam desejáveis. Mas eu vejo a questão: quanto se quer e se pode pagar por isto? (...) Sistemas inteligentes realmente podem ajudar a reduzir e, em muitos casos, até a diminuir o tempo de internação. Mas quem vai pagar por uma equipe de analistas, arquitetos de software, e todos os profissionais que desenvolvem este tipo de tecnologia?"   José Henriques Júnior 

"Em relação aos prontuários eletrônicos, existem diversas opções no mercado, levando em conta a capacidade tecnológica envolvida nesse processo, é possível implementar soluçõespara manipular as informações de modo "inteligente", utilizar ontologias para rastreamento dedados, mas existem problemas que vão além disso, como o padrão de comunicação de dados que são diferentes para cada prontuário, e entre os hospitais, o amazenamento distinto e outro fator também é o custo para produzir algo nesse nível, quem está disposto a pagar o possível alto custo para desenvolver essa tecnologia?" Adriana Costa

16 de set de 2012

Desabafo de um médico sobre o prontuário eletrônico


Faço parte de uma lista de discussão muito boa da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde e gostei tanto da resposta do Dr. João Marcelo a um post sobre a falta de profissionais de TI em Saúde, que resolvi postar no meu blog. Aí vai:

"Sou médico e há muitos anos interessado em informática na saúde.
Gostaria de tecer algumas considerações sobre o preparo dos profissionais de informática para atuar na área da saúde.
Acho que os profissionais de informática não percebem as diferenças entre a prática profissional em saúde e sistemas bancários, cartões de crédito e gerenciamento de estoques.
Em geral, se fascinam por ontologias e árvores semânticas, relutando (ou não conseguindo) perceber que o raciocínio clínico é muito mais nebuloso e baseado em padrões. Nosso conhecimento vem de bases incertas, sem limites pré-definidos.
Vejo hoje prontuários eletrônicos que não passam de toscas imitações do prontuário de papel. Colocam lá, como quem jogasse em uma caixa, CIDs eletrônicos. Mas quem oferece exames complementares na forma de sistemas de apoio a tomada de decisão que sejam interessantes para aquele CID cadastrado? Quem audita em tempo real a pertinência de um pedido de exames de triagem (sensíveis e não específicos) quando exames de alta especificidade já estão com o resultado disponível para aquele determinado paciente? Quantos estão lendo esse parágrafo sem entender do que eu estou falando?
Nunca vi nos meios onde circulo um prontuário eletrônico que oferecesse sequer uma busca de “string” para o corpo das evoluções. Quanto mais buscas metaindexadas como as do UptoDate, que quando procuramos por petéquias e ele devolve tópicos que tratarão também de plaquetopenia.
Vejo como é fácil para o profissional da informática propor gerenciamentos por curva A, preparar agendas para melhor aproveitamento de salas em centros cirúrgicos ou cruzar fármacos de uma prescrição (usando tabelas prontas, claro) em busca de interações medicamentosas. Mas não vejo eles propondo soluções para saber se o fármaco caro era adequado para as patologias do paciente, nem fazendo sistemas que considerem o tempo de espera do paciente por aquele procedimento que será adiado ou cancelado, tampouco filtrando dezenas de interações estilo pop-up induzindo o usuário à fechá-las mesmo antes de ler.
Faço mestrado e tenho lá contato com as ferramentas de inteligência artificial. Propus nos hospitais onde trabalho que se customizasse a lista de solicitação de exames complementares pelo número do conselho. Eu, na minha especialidade, tendo a necessitar de uma dúzia de exames com muito mais frequência que as centenas que o hospital dispõe. Por que o sistema não consegue me apresentar aqueles em primeiro plano? Por que quando solicito uma angiotomografia (cara e com contraste) ninguém me pergunta antes se uma solicitação de d-dímeros não poderia fornecer informação útil em 30 minutos?
A resposta é essa: por que o pessoal de informática não sabe. Não quer ouvir o cliente. E quando ouve,  se dá conta que precisa aprender ferramentas que não dominam ainda.
Recentemente, ouvi de um analista sênior (ele vai reconhecer a frase se lê-la): “nossas rotinas são excelentes, têm mais de duas mil linhas de código”. Ora, isso é critério de qualidade para sistemas de saúde? De uma das analistas que trabalham com ele, ouvi há anos atrás que o sistema do hospital era o melhor por que tinha mais de duas mil telas. Pelo amor de Deus... Me sinto dialogando com um profissional da IBM. Só que na década de 70.
Redes bayesianas (excelentes por simularem muito bem a forma como se pensa diagnósticos diferenciais e se escolhe investigações e condutas), regras de produção (para sistemas de apoio à decisão alimentados por guidelines clínicos), redes neurais para aprender padrões de comportamento de determinados profissionais ou equipes... Onde estão? Não falo nem de algoritmos genéticos nem mapas de estado...
Sinto muito dizer isso, mas acho sim que há despreparo entre os profissionais de informática. Prontuários ingênuos que acumulam menus e penduricalhos, mostram calculadoras e importam tabelas de cruzamento sem adaptá-las não é o que se precisa. Precisamos de gente que programa como a heurística que prevê o uso fora de padrão do cartão de crédito. Não como o sujeito que programa o débito automático ou o gerenciamento de estoque. Se o Google pode me dizer que vou terminar um email sem anexar (como disse como disse que iria) ou que se quero ir para algum lugar provavelmente vou querer partir de onde estou agora, por que nenhum prontuário me avisa que internei um infartado sem prescrever AAS ou adivinha que se pedi uma transaminase é provável que eu queira também outras provas de função hepática?
Sou otimista quanto ao futuro. Mas para isso, alguém tem que ter a coragem e o investimento de querer fazer diferente. "


Dr. João Marcelo Lopes Fonseca
Médico Intensivista no Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Clínica Médica (HCPA), Medicina Intensiva (HCPA), Gestão em Saúde (Escola de Administração UFRGS)

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