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30 de nov de 2011

Carta Aberta da ABRASCO alerta sobre desperdícios de recursos públicos da atual política de TI de Saúde


Exmo. Sr.
Dr. Alexandre Padilha
Ministro de Estado da Saúde
Brasil
Rio de Janeiro, 13 de novembro de 2011.

Excelentíssimo Sr. Ministro,

“Em seus 22 anos de existência, o Sistema Único de Saúde (SUS) avançou. [...] No entanto, certas dificuldades ameaçam a manutenção das conquistas e impedem a efetivação dos princípios e diretrizes do SUS.”


Este é o primeiro parágrafo do documento “Agenda Estratégica para a Saúde no Brasil” elaborado pela ABRASCO, entregue a Vossa Excelência em 05 de agosto. Em seu compromisso com a Saúde da população brasileira, a ABRASCO mantem atenção redobrada e propositiva diante das dificuldades que ameaçam as conquistas e impedem a efetivação de novos avanços.

A publicação no DOU de 08-08-2011 da contratação pela FIOCRUZ/Ministério da Saúde (MS) da empresa portuguesa de tecnologia de informação ‘ALERT’, no valor de R$ 364.997.809,00, configura-se como a mais recente evidência de uma dessas dificuldades: a Política de Informação e Tecnologia de Informação em Saúde implementada no âmbito do SUS. A gravidade deste evento, que o transforma em fato político, não se localiza exclusivamente na necessidade do estrito cumprimento das normas legais (fundamento apresentado pela Fiocruz para cancelar posteriormente a contratação), mas centra-se na recorrência da decisão política e econômica de ‘buscar no mercado a solução de informática que melhor atenda ao SUS’.

Esta opção política centrada na terceirização ancora-se no pensamento que considera o Estado brasileiro como portador da ineficiência e da ineficácia e que a excelência e inovação são encontradas somente no mercado das empresas de tecnologia da informação (TI). Sem entrar no mérito desse raciocínio, o fato é que ele se esvai diante das evidências históricas da última década. Dentre dezenas de casos que exemplificam o fracasso desta opção, principalmente quando aplicada a questões estratégicas para o SUS, sem sombra de dúvida o projeto do Sistema Cartão Nacional de Saúde (Cartão SUS) constitui o mais emblemático, tanto pelo volume de recursos públicos dispendidos quanto pelo pífio resultado alcançado.

Desde 1999, o Ministério da Saúde (gestão José Serra) já afirmava que o DATASUS não possuía “as condições técnicas para desenvolver o sistema do Cartão Saúde com a agilidade necessária”. Justificava-se assim a decisão política de ‘ir ao mercado na busca da melhor solução’. O edital de licitação previu a contratação por produto, contemplando todo o ciclo de TI, assegurada a transferência de tecnologia: desenvolvimento, propriedade pública do programa fonte, treinamento, infraestrutura, administração. As empresas vencedoras (as multinacionais Hypercon e Procomp) dividiram os lotes das regiões brasileiras. O prazo de término para a entrega do resultado do contrato era julho de 2003!

O MS tem avançado na defesa de interesses públicos em diferentes áreas da Saúde, mas mantem-se fiel ao modelo de terceirização por produto de TI, ao longo desses 12 anos, sempre com a argumentação de que na área pública não há expertise para desenvolver solução de informática para o SUS com a agilidade necessária.

O importante é conhecermos a resposta à seguinte pergunta: Qual a contribuição para o SUS do longo período de implantação desta Política de TI centrada no contrato de empresas, que a Fiocruz reproduz? Há diferentes possibilidades de respostas. Apresenta-se a seguir síntese de resultados de alguns estudos:

CONTEXTO

  •  O Projeto Sistema Cartão Nacional de Saúde (Sistema Cartão) de 1999 e as diferentes iniciativas implementadas desde então trouxeram poucos benefícios à população e à gestão do SUS, apesar dos vultosos recursos públicos alocados para as terceirizações e do risco de desgaste da proposta diante de 94.580.475 de cidadãos brasileiros já cadastrados, por meio do CADSUS, CADWEB, aplicativos desenvolvidos pelo Datasus.
  • O principal resultado para o país do projeto Sistema Cartão foi o desenvolvido pela instância pública de TI em Saúde – DATASUS, em conjunto com SES e SMS: As Bases de Dados Estruturantes (Cadastro de Usuários, Profissionais e Estabelecimentos).
  • Não se observa efetiva transferência de tecnologia e de documentação, mesmo quando inclusa no escopo do contrato. A expertise adquirida pela empresa ao procurar adaptar seus produtos ao SUS se desvanece. Mas, passa a fazer parte do ‘ativo’ patrimonial da empresa, conferindo-lhe vantagem competitiva em novos contratos.
  • Pouco foi apropriado pelas equipes de TI do SUS do desenvolvimento e implantação de ‘soluções de informática’ decorrentes de terceirização, mesmo com a transferência da propriedade do software, acarretando lock in (aprisionamento/dependência) para manutenção, evoluções tecnológicas e funcionais do produto vis a vis o sucateamento das instâncias públicas de TI.
  • Novos recursos foram alocados em outras contratações para refazer articulações do Projeto Sistema Cartão/1999, tendo por base aplicativos desenvolvidos pelo próprio DATASUS (SISREG, SIA/SUS, SIH/SUS e HOSPUB) ao mesmo tempo em que estes produtos deixavam de receber os investimentos necessários a sua evolução. Em paralelo, há novas articulações de contratação em andamento: do INCA/MS com a Alert e do MS com a Totvs para hospitais federais.
  • A Fiocruz/MS – instituição de ciência, tecnologia e inovação de excelência no país – também faz a opção pela terceirização. A mesma empresa do contrato de R$ 364.997.809.00 cancelado (ALERT) vem atuando na Fiocruz há mais de um ano, através de contrato anterior. É importante para o Brasil conhecer os estudos da Fiocruz que fundamentaram o diagnóstico de que a ‘melhor solução’ para o país estaria na escolha do produto Alert. A implantação de seu aplicativo vem acarretando diferentes problemas que obrigam o corpo de especialistas e pesquisadores da FIOCRUZ, diante do ‘fato consumado’, a reivindicarem maior aderência à realidade nacional e ao contexto institucional. Os técnicos da empresa europeia vêm se capacitando por meio do diálogo com a equipe/Fiocruz, fato que aumenta o ativo intangível, mas contabilizado, da empresa.
  • A opção pela terceirização de desenvolvimento de sistemas complexos, como, por exemplo, Cartão Nacional de Saúde (CNS), Registro Eletrônico em Saúde (RES), Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP), não tem apresentado evidências de benefícios efetivos, nem à população nem aos gestores e profissionais de saúde, à altura dos recursos públicos aplicados.

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11 de nov de 2011

Motivação e os trabalhadores do SUS


A imprensa frequentemente ataca o SUS como serviço de baixa qualidade, como o que ocorreu na interpretação do movimento nas mídias sociais (twitter e facebook) envolvendo o câncer do ex-presidente Lula e o SUS.
Na verdade, o que ocorre hoje é uma desmotivação dos trabalhadores no SUS decorrentes do atual sistema de gestão. Um dos grandes motivos é que as doutrinas do trabalho em equipe e a colaboração são frequentemente uma farsa, já que contestar e questionar aos gestores é fortemente desistimulado. E trabalhadores cada vez mais descrentes apresentam baixo grau de comprometimento com o trabalho efetuado.
O sentimento de que um trabalho bem feito será recompensado é quase nulo, e a maioria dos profissionais luta por isso internamente, mas considerando a estrutura atual de recompensas, o esforço é invisível. Salários baixos, más condições de trabalho, violência e intimidação por parte de pacientes e acompanhantes, gestão autoritária e sem contra-partida, valorização do número de eleitores/pacientes atendidos em detrimento da qualidade com sobrecarga de trabalho são apenas alguns dos fatores que desmoralizam os profissionais. 
Portanto, nós, profissionais que lutamos para fazer um bom trabalho no SUS, se não for pelo simples prazer de fazer um trabalho bem feito, vemos a meta coletiva de eficácia e eficiência se tornar vazia e sem sentido.


10 de nov de 2010

Como funciona o SUS? Parte 2: Níveis de Atenção ou "onde atende o quê"

Fonte: Procedimentos e Ações por Nível de Atenção
clique na imagem para ampliá-la

 Níveis de Atenção á Saúde no SUS

1-  Atenção Básica à Saúde: 

Promoção e a proteção da saúde, a prevenção de doenças, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a manutenção da saúde. São os Postos de Saúde.

A Atenção Básica tem a Saúde da Família como estratégia prioritária para sua organização e estudos demonstram que a atenção básica seria capaz de resolver cerca de 80% das necessidades e problemas de saúde. Mas, na realidade o que vemos hoje é uma rede básica com baixíssima capacidade resolutiva, seja por problemas de infra-estrutura como também pela dificuldade dos profissionais médicos em exercerem a clínica com eficácia. Os serviços básicos tem em geral funcionado como pronto - atendimento, voltados para o cuidado sintomático, sendo portanto, grandes encaminhadores, sobrecarregando os serviços médicos especializados. 





2-  Atenção secundária á saúde: média complexidade

Compõe-se por ações e serviços que visam a atender aos principais problemas de saúde e agravos da população, cuja prática clínica demande disponibilidade de profissionais especializados e o uso de recursos tecnológicos de apoio diagnóstico e terapêutico. É o médico, seja do PSF, seja outro especialista, que dá o encaminhamento para marcação de uma especialidade.

Ambulatório SP
São os Centros de Consultas Especializadas, Ambulatórios de Especialidades, Centro de Especialidades Médicas, PAM's, etc, onde é possível encontrar os médicos especialistasO posto de saúde agenda as consultas especializadas, via central de marcação de consultas, ou via secretaria de saúde.
Vivemos hoje um grave estrangulamento no acesso aos serviços especializados/atenção secundária, com especialidades médicas com grande demora na marcação de consultas. Apesar disso alguns motivos podem ser evidenciados como baixa oferta de especialistas, grande absenteísmo, casos mal ancaminhados, falta de regulação de acesso às consultas, etc.



3- Alta complexidade: Atenção Hospitalar
Santa Casa de BH
Conjunto de procedimentos que, no contexto do SUS, envolve alta tecnologia e alto custo, objetivando propiciar à população acesso a serviços qualificados, integrando-os aos demais níveis de atenção à saúde (atenção básica e de média complexidade). A alta complexidade tem como foco a atenção hospitalar que representa um conjunto de ações e serviços de promoção, prevenção e restabelecimento da saúde realizado em ambiente hospitalar. São exemplos de serviços de alta complexidade: traumato-ortopedia, cirurgias cardíacas e neurológicas, terapia renal substitutiva( hemodiálise) e oncologia.

O encaminhamento a esses serviços normalmente é feito via Central de Internação, proveniente de Unidades de Pronto-Atendimento, ou são eletivas por meio, por exemplo, de cirurgias programadas ou exames solicitados (ressonância magnética, etc).  Não adianta procurar diretamente um hospital para atendimento ou marcação de cirurgias, é preciso ir primeiro a um posto de saúde.



4-  Atenção nas Urgências:


a- As Unidades de Pronto Atendimento - UPA 24h 
São estruturas de complexidade intermediária entre as Unidades Básicas de Saúde e as portas de urgência hospitalares, onde em conjunto com estas compõe uma rede organizada de Atenção às Urgências.
Fazem parte do atendimento pré-hospitalar fixo e hoje contam com a classificação de risco de Manchester. Isso significa que o seu caso será triado de acordo com a urgência e classificado em vermelho (emergência), amarelo (prioridade), verde (aguarda até 12 horas pra ser atendido) e azul (caso para posto de saúde). O tempo de espera do atendimento vai depender da gravidade do caso. Parece meio óbvio que um paciente baleado ou um com infarte seja atendido antes que um com febre e dor de garganta, mesmo que esse último esteja esperando há muito mais tempo. Mas normalmente a população não entende assim.

A estratégia de atendimento está diretamente relacionada ao trabalho do Serviço Móvel de Urgência – SAMU que organiza o fluxo de atendimento e encaminha o paciente ao serviço de saúde adequado à situação.

b- SAMU
O SAMU realiza o atendimento de urgência e emergência em qualquer lugar: residências, locais de trabalho e vias públicas, contando com as Centrais de Regulação, profissionais e veículos de salvamento. Faz parte também do atendimento pré-hospitalar de urgência.
As Centrais de Regulação tem um papel primeiro e indispensável para o resultado positivo do atendimento, sendo o socorro feito após chamada gratuita, para o telefone 192. 
A ligação é atendida por técnicos na Central de Regulação que identificam a emergência e, imediatamente, transferem o telefonema para o médico regulador. Esse profissional faz o diagnóstico da situação e inicia o atendimento no mesmo instante, orientando o paciente, ou a pessoa que fez a chamada, sobre as primeiras ações. 
Ao mesmo tempo, o médico regulador avalia qual o melhor procedimento para o paciente: orienta a pessoa a procurar um posto de saúde; designa uma ambulância de suporte básico de vida, com auxiliar de enfermagem e socorrista para o atendimento no local; ou, de acordo com a gravidade do caso, envia uma UTI móvel, com médico e enfermeiro. Com poder de autoridade sanitária, o médico regulador comunica a urgência ou emergência aos hospitais públicos e, dessa maneira, reserva leitos para que o atendimento de urgência tenha continuidade.
Portanto, se você precisa de um carro para ir ao médico, não ligue para o SAMU, peça um vizinho, amigo para que te leve. Assim você deixa tanto o telefone quanto as ambulâncias livres para atenderem a urgências.

Como funciona o SUS? Parte 1: Informações básicas

Hoje ouvi o Ricardo Boechat, na BANDNEWS FM,  falar mal do SUS, injustamente diga-se de passagem, e resolvi fazer uma série de posts sobre o funcionamento do SUS. Não venho defender, pois como médica exclusiva do SUS, sei na pele as mazelas pelas quais a saúde pública brasileira passa. Contudo, sei também, que a maioria das pessoas não sabe usar o SUS, e incluo principalmente meus colegas médicos.

Hoje começarei com informações básicas sobre o SUS, como a de que o Prefeito é o responsável pela Saúde da sua localidade, que ele tem que encaminhar a outra localidade se não dispuser do que o usuário necessita, que já há disponibilizada uma lista de qual município é responsável pelo quê em uma região e que o primeiro lugar que você deve procurar para ter acesso ao SUS é o seu posto de saúde (salvo em casos de urgência e emergência).


Informações Básicas do SUS

  • O município é o principal responsável pela saúde pública de sua população. Se algo não está como deveria, a cobrança deve ser feita ao prefeito.
Cartão Saúde de Cascavel PR

  • Quando o município não possui todos os serviços de saúde, ele pactua (negocia e acerta) com as demais cidades de sua região a forma de atendimento integral à saúde de sua população, são os Consórcios de Saúde. Esse pacto também deve passar pela negociação com o Governador.

  • A porta de entrada do sistema de saúde deve ser preferencialmente a atenção básica (postos de saúde, centros de saúde, unidades de Saúde da Família, etc.). Isso significa que você deve procurar primeiro o Posto de Saúde.  A partir desse primeiro atendimento, o cidadão será encaminhado para os outros serviços de maior complexidade da saúde pública (hospitais e clínicas especializadas), ou para a urgência se for o caso.

Consórcio Intermunicipal de Saúde do
Vale do Rio Doce (Cisdoce) MG
  • Com o Pacto pela Saúde (2006), os estados e municípios poderão receber os recursos federais por meio de  cinco blocos de financiamento: 1 – Atenção Básica; 2– Atenção de Média e Alta Complexidade; 3 – Vigilância em Saúde; 4 – Assistência Farmacêutica; e 5 – Gestão do SUS. Antes do pacto, havia mais de 100 formas de repasses de recursos financeiros, o que trazia algumas dificuldades para sua aplicação.

No próximo post falarei de onde atende o quê, ou seja, os níveis de atenção do SUS, e como se ter acesso. Por favor, comentem e deixem suas dúvidas que me esforçarei para esclarecê-las.


Como funciona o SUS? Parte 1: Informações básicas é um post original do TIMedicina



Leia também: 

Como funciona o SUS? Parte 2: Níveis de Atenção ou "onde atende o quê"

25 de ago de 2010

Cartão do SUS pretende ser o grande trunfo dos Planos de Saúde

O programa criado em 1999, pelo governo federal – o Cartão SUS, nunca deslanchou, mas agora o governo pretende relançar e fazer vingar o cartão, que tem como estratégia garantir que as operadoras de saúde paguem o que devem aos serviços públicos.
Ao renovar a carteira de seus associados, a ação prevê que as empresas inscrevam no documento também o número do cartão do governo. Aqueles que não tiveram o Cartão Nacional de Saúde, a inscrição será automática. Márcia Bassit, secretária-executiva do Ministério da Saúde afirma que “Estão estudando os últimos detalhes com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), mas a idéia é que tudo esteja pronto até o fim do ano”.
Todas as vezes em que os clientes forem atendidos no sistema público de saúde, as operadoras têm de ressarcir o governo. Durante 8 anos (2001-2009), o governo arrecadou R$495 mil. Estima-se que deixaram de ser arrecadados R$10 bilhões entre 2001 e 2008. Em 2009, a Agência Nacional de Saúde Suplementar criou um sistema específico para fazer a cobrança, que foi suspenso logo no começo, por problemas técnicos.
O Ministério da Saúde acredita que ficará mais difícil o erro nos registros com os números do Cartão SUS na carteira de plano. Além disso, seria uma forma de incentivar o registro de uma parte da população que provavelmente não possui o Cartão SUS, os usuários de planos. Pretende-se com isso, que 35 milhões de pessoas obtenham um plano de saúde.
Fonte: iPlanos de Saúde

22 de ago de 2010

A CRISE DO SUS

A CRISE DO SUS.

A decisão da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular de iniciar uma campanha para convencer seus 1,2 mil associados a deixar de realizar cirurgias para o Sistema Único de Saúde (SUS) é a reação de uma categoria profissional organizada contra o aviltamento do seu trabalho. Tão mais justa e mais grave porque o mesmo problema atinge outras especialidades médicas e os hospitais conveniados com o SUS, e coloca em risco o sistema público de saúde. Trata-se do valor que o SUS paga pelos serviços médicos e hospitalares, insignificante como remuneração do trabalho dos profissionais e insuficiente para cobrir os custos das instituições.


"O cirurgião cardiovascular hoje paga para trabalhar", disse ao Estado Ronald Souza Peixoto, presidente da cooperativa que reúne os 102 profissionais da especialidade no Rio de Janeiro. Em média, o cirurgião passa de quatro a seis horas no centro cirúrgico, fica de sobreaviso para agir em caso de intercorrência logo após a operação durante dois meses e recebe por isso pouco mais de R$ 100, afirmou Peixoto. "É pouco mais de R$ 30 por hora" durante a cirurgia, completou. Por uma cirurgia de ponte de safena, que exige uma equipe de quatro cirurgiões e mais dois profissionais, o SUS paga cerca de R$ 940. No Rio, pelo mesmo procedimento, os planos de saúde privados pagam até R$ 13,5 mil.

Em alguns Estados, como Goiás, os cirurgiões cardiovasculares já suspenderam o atendimento para o SUS. No Rio, o movimento deve começar em outubro. Em São Paulo, os médicos ainda não se organizaram como os do Rio. Há negociações em andamento em algumas unidades da Federação, pois a lei prevê que as Secretarias de Saúde dos Estados e dos municípios devem complementar o valor pago pelo SUS. Em outros casos, como o do Espírito Santo, os governos estaduais aceitaram pagar a complementação.

O secretário de Assistência à Saúde do Ministério da Saúde, Alberto Beltrame, considera o valor pago pelas cirurgias de revascularização compatível com os recursos disponíveis no SUS. Se ele estiver certo, o que está errado é a política do governo, que não assegura os recursos necessários para o SUS funcionar com eficiência.

O sistema foi criado para assegurar atendimento de saúde a todos os brasileiros e "abrange desde o simples atendimento ambulatorial até o transplante de órgãos, garantindo acesso integral, universal e gratuito para toda a população do País", diz o governo. Seus números são impressionantes. Pelo sistema são realizados anualmente cerca de 300 milhões de consultas médicas, 11,5 milhões de internações, 360 milhões de exames laboratoriais, 2 milhões de partos e aplicados 150 milhões de vacinas. 

Tudo isso evidentemente tem um custo, que é do governo. Ao economizar no valor das remunerações dos serviços prestados por médicos e instituições privadas, porém, o governo lhes transfere parte do ônus financeiro que deveria ser somente seu. Os cirurgiões cardiovasculares são os primeiros a reagir contra essa injusta transferência de custos financeiros, utilizando como meio de pressão a suspensão do atendimento para o sistema.

No entanto, em nome do compromisso com a comunidade, entidades filantrtrópicas - que sobrevivem financeiramente com o apoio da sociedade e, em parte, com a prestação de serviços ao governo, por meio do SUS - continuam a atender regularmente, a preços que não cobrem seus custos, o que lhes vem impondo sérias dificuldades.

Embora as instituições filantrópicas - principalmente as Santas Casas - dediquem ao SUS 80% de seus serviços, recebem do sistema apenas 64% de sua receita total, pois a tabela de preços do governo está desatualizada em relação aos valores do mercado. Estimava-se que, no fim do ano passado, elas tinham uma dívida de cerca de R$ 2 bilhões com bancos oficiais e privados. Acumulando prejuízos contínuos por causa da baixa remuneração paga pelo SUS - que, com frequência, atrasa os pagamentos -, sua situação tende a piorar. As tabelas do SUS precisam ser reajustadas com urgência.
fonte: Ag. Estado.

5 de ago de 2010

Ministério da Saúde irá estudar criação de uma carreira para profissionais de saúde do SUS

imagem do blog da FENAM

O Ministério da Saúde terá uma comissão especial para elaborar proposta de carreiras do Sistema Único de Saúde (SUS), abrangendo, inicialmente, os profissionais médicos, os cirurgiões-dentistas e os enfermeiros. A criação do grupo está prevista na portaria 2.169, assinada pelo ministro José Gomes Temporão e anunciada por ele na solenidade de abertura do XII Encontro Nacional das Entidades Médicas (Enem), em 28 de julho. O texto foi publicado nesta sexta-feira (30), no Diário Oficial da União.


Com a comissão, o objetivo do governo é “buscar soluções para a ausência de profissionais permanentes na atenção à saúde”, diz a portaria. Para criar a comissão que vai elaborar a proposta de uma carreira do SUS, o Ministério levou em consideração “a dificuldade apresentada por inúmeros municípios brasileiros em fixarem profissionais de saúde em seu território”. A má distribuição dos profissionais afeta principalmente as regiões Norte e Nordeste do País, onde “expressiva parcela da população brasileira não tem acesso aos serviços de saúde”, justifica a portaria.

O SUS é hoje o maior empregador de médicos no Brasil. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), relativos a 2009, apontam mais de 190 mil médicos (55% dos profissionais registrados no CFM) atuando no sistema.
Fonte: CFM

O Programa de Saúde da Família conta hoje com uma gama de médicos recém-formados, que não tem residência médica, e que vêem nos salários oferecidos um rendimento condizente com o gasto nas mensalidades escolares das faculdades particulares. 
Após 1 ou 2 anos esses mesmos médicos abandonam o PSF, por inúmeras razões, dentre elas condições precárias de atendimento, violência nos postos de atendimento, sensação de inresolutibilidade dos casos e principalmente o fato de não terem sido preparados para a medicina preventiva e a ausência de um plano de carreira nesta área.
Já nas áreas de especialidades do SUS, o salário é baixo, pois não conta com os adicionais da urgência e do PSF, o que faz a maioria dos médicos pedirem exoneração do cargo, e contrato administrativo nessa área é extremamente raro.
Realmente espero que o Ministério da Saúde leve essa idéia a contento, pois como médica do SUS, eu sofro na pele a ausência de colegas interessados em fazer um bom trabalho. Um plano de carreira decente seria um bom atrativo para médicos entrarem e permanecerem no SUS.




14 de abr de 2010

Cirurgia Robótica pelo Sus em breve em Curitiba!!


Erasto Gaertner adquire sistema de cirurgia robótica
14/04/2010
Ministério da Saúde liberou R$ 12 milhões para a compra do sistema, que será utilizado em pacientes do SUS para tratamento de câncer

O Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba, vai disponibilizar a pacientes do SUS um sistema de cirurgia robótica para tratamento de câncer. A aquisição do Sistema Endoscópico Robótico será possível por meio da verba de R$ 12,7 milhões liberada pelo Ministério da Saúde.
E ainda, o hospital vai utilizar os recursos federais para comprar equipamento de ressonância magnética, aparelho para radiocirurgia, neuronavegador, 15 monitores multiparâmetro com capnografia, cinco aparelhos de anestesia e 15 respiradores pulmonares.

12 de abr de 2010

UPA com Prontuário eletrônico em Recife


UPA Imbiribeira adquire solução MV
09/04/2010
Um dos resultados garantidos pela tecnologia MV é a garantia do registro de todos os dados clínicos dos pacientes nos consultórios médicos

A MV, empresa brasileira de software especializada em gestão de saúde, vai implantar sistema de tecnologia da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Imbiribeira, inaugurada na última sexta-feira (26), no Recife. O objetivo é organizar o fluxo e a prioridade de atendimento dos pacientes através de um protocolo de classificação de risco.Um dos resultados garantidos pela tecnologia MV é a garantia do registro de todos os dados clínicos dos pacientes nos consultórios médicos, além de permitir a extração e geração de indicadores de atendimento e qualidade.

Agradeço ao dr. Leonardo a correção! :]

2 de abr de 2010

Diário de um médico da saúde da família


Por Eduardo B P Melo

Sou médico de saúde da família, nossa equipe é composta de 1 médico, 1 enfermeiro, 1 dentista, 1 técnico em enfermagem, 1 recepcionista e 10 ACFs (Agente comunitario da família). Trabalhamos de segunda a sexta feira nos turnos da manhã e tarde, 4h cada turno. No turno da tarde podemos sair um pouco mais cedo dependendo da procura por atendimento.
Normalmente são agendadas 16 consultas por turno mas esse número sempre é extrapolado, dependendo do dia. Temos uma agenda diferenciada para cada dia da semana ou mesmo para cada turno. Apenas o médico não cumpre rigorosamente a agenda pois tambem atendemos pequenas “urgências” e isso pode bagunçar totalmente a agenda.
Por exemplo: no dia programado para o atendimento de adultos, se chegar uma criança com febre ela é imediatamente atendida e pula na frente de todo mundo. Idosos, gestantes e crianças têm sempre prioridade, independente da agenda.
A visita domiciliar (Tenho duas agendas por semana) é unicamente para pacientes com dificuldade de locomoção até o PSF mas geralmente atendemos outros familiares que necessitem de alguma orientação. Vou sempre acompanhado do ACF responsável por aquela família. O familiar solicita ao ACF a visita e ela é realizada na próxima agenda disponível. Os mais graves têm prioridade. Vamos a pé e terminamos sendo conhecidos por todos os moradores. Quando fui trabalhar nessa comunidade fui avisado do risco de assalto ou abordagens indevidas pois havia ali próximo grupos de trafico de drogas. Até o momento nada disso aconteceu, trabalhamos sem medo e com o apoio da população.
Os ACFs são moradores da comunidade (É uma obrigação) e conhecem todos os residentes. Nas visitas domiciliares vemos a verdadeira amizade entre a população e esses abnegados servidores públicos. Quando tenho qualquer problema ou dúvida com relação a um determinado paciente, solicito a ajuda do ACF responsável por aquela família e imediatamente ele se desloca até a residência para resolver o que for preciso.
No PSF fazemos o acompanhamento de pacientes hipertensos e diabéticos, pre-natal, puericultura, clínica geral e pediatria, prevenção de cancer de colo uterino e mama, vacinação (No momento estamos na campanha do H1N1), triagem de pacientes para especialistas,etc. Temos uma farmácia básica para distribuição gratuita de medicamentos e ainda trabalhamos com aplicação de medicamentos injetáveis, curativos, retirada de pontos, etc.
Não posso falar por outros postos de atendimento básico a saude, falo apenas pelo meu. Não temos hierarquia, não existe chefia dentro do PSF, somos todos iguais independente de cada função, nos reportamos ao distrito responsável por todos os PSFs do bairro e esse por sua vez a secretaria de saude do município.
Ainda precisamos de muitas melhorias no atendimento ao usuário, no meu modo de ver as consultas especializadas ainda são problemáticas, alguns pacientes reclamam que são mal atendidos e fazem esse desabafo comigo. O município, o estado e o governo federal ainda devem muito a essa população tão carente de tudo.
Precisamos de uma medicina mais preventiva do que curativa. Saneamento básico, escolas, creches, ruas calçadas, etc. Sei que tudo é muito lento em nosso país, não podemos parar, devemos isso a nós mesmos.
Em tempo: Meu salário é pago quase integralmente pelo governo federal, apesar de ser médico concursado em meu município.

28 de mar de 2010

O SUS dos EUA e uma lição para os brasileiros



Uma das principais promessas de campanha do presidente Barack Obama, a reforma do sistema de saúde, foi aprovada no último domingo. A batalha para a aprovação, no entanto, não foi fácil, a discussão durou quase um ano e a votação foi apertada: 219 votos a favor e 212 contra.
Considerada a maior democracia liberal do mundo, os EUA veem de forma negativa qualquer medida que fortaleça o Poder Executivo e, no limite, represente uma ameaça à liberdade do cidadão.
No Brasil, os meios de comunicação divulgaram que Obama pretendia implantar nos EUA modelo semelhante ao nosso Sistema Único de Saúde, o SUS. Essa informação provocou certa confusão no imaginário dos brasileiros: “Desde quando o SUS transformou-se em referência para outros países? Se isso ocorreu de verdade, por que os usuários queixam-se tanto do atendimento?”
Para dimensionarmos essas questões, precisamos, antes de tudo, entender o funcionamento do atual sistema de saúde dos yankees. Os Estados Unidos não têm um sistema público de cobertura universal na área de saúde. Portanto, a maioria dos estadunidenses precisa adquirir seu próprio plano de saúde, seja por meio de seus empregadores ou por conta própria. Porém, nem todos os cidadãos conseguem isso, gerando um grave problema social. Segundo uma estimativa feita pelo governo Obama, 46,3 milhões de pessoas não têm nenhuma cobertura de saúde.
No caso dos planos de saúde privados, lemos constantemente matérias falando sobre a quebra de braço entre governo e seguradoras devido às variações nas regras e no valor a ser pago. Em alguns casos, o segurado tem de pagar parte do tratamento médico para depois ser ressarcido pela seguradora.
Para atenuar esse quadro, o governo possui, há anos, alguns programas que atendem pessoas com mais de 65 anos de idade de baixa renda e os veteranos das forças armadas (especialmente os veteranos de guerra). Em outras palavras, na principal potência mundial, se você não tiver um plano privado de saúde, ou seja, dinheiro, não será atendido nos postos e hospitais.
Diante dessa situação, no início do seu governo, Obama aterrissou na Casa Branca portando, embaixo do braço, o projeto da reforma do sistema de saúde. Em fevereiro último, depois de longa discussão e diante do impasse na votação da proposta, empenhou-se pessoalmente e conquistou, domingo passado, a aprovação.
A reforma propõe, entre outras coisas: adoção de regulação mais rígida para as seguradoras; criação de uma bolsa de seguros para quem não tem um plano pago pelo empregador e subsídios para a população carente. Em linhas gerais, Obama está criando um sistema universal de saúde, que pode aproximar-se do SUS no Brasil. Tudo isso deverá custar aos cofres públicos, cerca de US$ 940 bilhões em dez anos.
O episódio deve servir como lição aos brasileiros. O nosso SUS está aquém, especialmente para aqueles que são os seus usuários, daquilo que poderia e deveria ser. No entanto, propor a sua privatização como a solução para todos os seus atuais problemas é um enorme engano. A experiência estadunidense nos mostra que achar que o tal do mercado resolverá questões sociais tão profundas como as que envolvem a área da saúde é uma mistura de ingenuidade e má fé.

Rogério de Souza. Professor e sociólogo. Doutorando em sociologia pela Unicamp.
e-mail: professorogerio@uol.com.br

8 de mar de 2010

SUS identifica melhores hospitais de SP


Provão do SUS identifica melhores hospitais de SP
por Saúde Business Web
04/03/2010
Hospital Estadual de Ribeirão Preto e o Instituto do Câncer do Estado de SP Octavio Frias de Oliveira são os primeiros colocados

Uma pesquisa promovida pela Secretaria de Estado da Saúde, conhecida como Provão do SUS, identificou os melhores hospitais públicos do Estado de São Paulo. Em primeiro lugar está o Hospital Estadual de Ribeirão Preto e na vice-liderança está o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira, ambos inaugurados em 2008. Além disso, as instituições têm em comum o gerenciamento por meio do modelo de Organizações Sociais de Saúde.
No total, o estudo ouviu cerca de 158 mil pacientes que passaram por internações e exames em 630 estabelecimentos de saúde conveniados à rede pública paulista entre março de 2009 e janeiro de 2010. A pesquisa avaliou o grau de satisfação com o atendimento recebido pelos pacientes, nível do serviço e dos profissionais que prestaram o atendimento, qualidade das acomodações e tempo de espera para a internação.
Conheça os 10 melhores hospitais públicos e suas notas, de acordo com a pesquisa.
- Hospital Estadual de Ribeirão Preto, em Ribeirão Preto (9,493)
- Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, em SP (9,463)
- Hospital do Câncer Pio XII, em Barretos (9,452)
- Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, em Bauru (9,384)
- Hospital do Câncer A.C. Camargo, em SP (9,378)
- Hospital Evangélico de Sorocaba, em Sorocaba (9,346)
- Hospital Regional de Divinolândia, em Divinolândia (9,346)
- Hospital Amaral Carvalho, em Jaú (9,332)
- Hospital Regional de Assis, em Assis (9,327)
- Santa Casa de Ibitinga, em Ibitinga (9,321)

6 de mar de 2010

Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) aprova criação de prontuário eletrônico



Os usuários de serviços de saúde (SUS) de todo o país passarão a contar com um prontuário eletrônico, segundo determina o Projeto de Lei do Senado 474/08, de autoria da então senadora Roseana Sarney, que recebeu nesta quarta-feira (3) parecer favorável da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT). O projeto será ainda apreciado, em decisão terminativa, pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS).
O projeto modifica a Lei 8.080/90, que regulamenta o Sistema Único de Saúde (SUS), para incluir um novo título, referente à informatização de todo o sistema. Segundo o projeto, será criado um cadastro único nacional de usuários, de profissionais de saúde e de unidades de saúde, que abrangerá todos os cidadãos brasileiros, todos os profissionais do setor que atuem no país e os serviços de saúde públicos e privados. Cada cadastrado terá um número nacional de identificação.
Fonte: @marcellobax on twitter

30 de jan de 2010

Sistema Tele-Eletrocardiografia Digital no SAMU



O ministro da Saúde, José Gomes Temporão e o diretor-geral do Hospital do Coração (HCor), Dr. Adib Jatene lançaram nesta quinta-feira (28), o Sistema Tele-Eletrocardiografia Digital, tecnologia de ponta que vai ajudar a salvar vítimas de doenças cardiovasculares graves, como infarto e arritmia. O serviço estará disponível nas ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) e atenderá os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). O Sistema Tele-Eletrocardiografia Digital permite ao profissional de saúde obter um diagnóstico mais preciso do paciente ainda em casa, antes do deslocamento para o hospital. O procedimento pode reduzir em até 20% o número de mortes por doenças do coração.
Cada ambulância do SAMU será equipada com um pequeno aparelho (tele-eletrocardiógrafo digital portátil) capaz de transmitir o eletrocardiograma via telefonia celular ou mesmo por telefone fixo. O exame realizado no paciente em sua residência ou na ambulância é transmitido para a internet e analisado na central de Telemedicina do Hospital do Coração (HCor). O laudo retorna para a ambulância de origem. Todo esse processo dura, em média, cinco minutos. A central dispõe de 16 médicos para a leitura dos eletrocardiogramas do SAMU 24 horas por dia. Além disso, o médico que está atendendo o paciente pode discutir o caso com os especialistas de apoio no HCor. O trabalho é realizado diariamente em tempo real.


Assista ao vídeo aqui: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/wmv/tele_eletrocardiografia.wmv
COMO FUNCIONA O SISTEMA DE TELE-ELETROCARDIOGRAMA DIGITAL
1.  O médico ou o enfermeiro conecta os eletrodos no peito do paciente;
2. O tele-eletrocardiógrafo (aparelho decodificador digital portátil) capta e grava a frequência cardíaca do paciente em apenas dez segundos;
3. O profissional de saúde entra em contato com a Central do HCor por um telefone 0800 e informa os dados do paciente, como nome completo, RG, data de nascimento, antecedentes e sintomas;
4. Repassadas essas informações, o atendente do HCor dá o OK para a transmissão do eletrocardiograma. O exame gravado no aparelho portátil é decodificado em sinais sonoros e transmitido ao HCor por um celular (smartphone), aparelho que permite a transferência de dados em alta velocidade;
5. A Central recebe os sinais, que são decodificados para o traçado do eletrocardiograma, no computador. O tempo total estimado do trâmite é, em média, de cinco minutos;
6. Os cardiologistas do Hcor analisam o exame, elaboram o diagnóstico e o enviam com sugestões de tratamento adequado;
7. O profissional de saúde, que está na casa do paciente ou na ambulância, recebe a informação em formato de mensagem de e-mail. O laudo também é repassado automaticamente para o médico da central de regulação do SAMU local;
8. Pela tela do celular, é possível visualizar o traçado do eletrocardiograma e todas as outras informações sobre o tratamento do paciente. O sistema digital permite o aumento da amplitude do traçado em até 4 vezes
Se achar necessário, o profissional de saúde pode retornar a ligação para o HCor. O médico do hospital estará disponível para discutir e sugerir condutas baseadas em evidências científicas. Todos os dados são arquivados em bancos de dados com sigilo e segurança, conforme recomendações internacionais e do Conselho Federal de Medicina.
Fonte: Jornal Pinhanense


Saiba mais aqui: BrasilSUS

19 de jan de 2010

Falido, cartão do SUS gera custo de R$ 401 mi

DIMMI AMORA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Máquinas abandonadas como sucata em depósitos. Cartões jogados no lixo ou queimados. Equipamentos eletrônicos novos armazenados em caixas. Esse é o resultado de uma inspeção feita pelo Ministério da Saúde para avaliar o andamento do projeto do Cartão Nacional de Saúde, o Cartão SUS.

Dez anos, seis ministros e R$ 401,2 milhões depois, o projeto não funciona e é fonte de desperdício e suspeita de desvio de dinheiro público.

As inspeções ocorreram em 7 das 44 cidades onde foi implantado o projeto piloto do cartão. A ideia era que o cartão, com tarja magnética, contivesse o histórico médico do paciente, agilizando o atendimento.

Em 2000 foi feita uma licitação para a compra de terminais de atendimento chamados TAS, para ler os cartões. Ao preço de R$ 89,2 milhões, duas empresas -Hypercom e Procomp- venceram a licitação para desenvolver as máquinas e os sistemas para utilizá-las. Na época houve denúncias de direcionamento da concorrência.
Em três anos, 10 mil máquinas deveriam estar em todas as unidades de saúde dos municípios do projeto piloto.

O Ministério da Saúde e 11 Estados deveriam receber outros equipamentos. Em 2001, a pasta autorizou gastos de mais R$ 33,9 milhões.

Nas inspeções feitas em 2008 em Vitória, Florianópolis, Cabo de Santo Agostinho (PE), Campo Grande (MS), Betim (MG), Volta Redonda (RJ) e Castanhal (PA), foi constatado que dos 1.937 TAS entregues nessas cidades, só sete funcionavam em duas cidades: Castanhal e Campo Grande. O restante estava armazenado em caixas ou pior: 251 aparelhos sumiram.

De 1,1 milhão de cartões magnéticos enviados a essas sete cidades para serem distribuídos à população, pelo menos 346 mil estavam guardados.
"Nunca pedem o cartão para nada. É como se ele fosse só para andar na carteira", contou Vanabacia Gomes da Silva, 39, que procurava atendimento para a irmã em um posto de saúde em Cabo de Santo Agostinho. Elas receberam o cartão há quatro anos. Para ela, o atendimento da cidade não melhorou em nada desde então.

No final de 2005, a Procomp foi contratada para um novo serviço dentro do mesmo projeto. Desta vez, sem licitação, ela ganhou mais R$ 11,8 milhões para desenvolver softwares em Aracaju e Fortaleza.

A empresa recebeu todo o pagamento antes de fazer o serviço, de acordo com uma tomada de contas feita pela Controladoria Geral da União, que recomendou a abertura de inquérito para devolução do dinheiro.

O Cartão SUS custou R$ 156,3 milhões entre 2004 a 2009 (valores não corrigidos monetariamente encontrados no Portal da Transparência, do governo federal).

Entre 2000 e 2003, segundo a ONG Contas Abertas, já haviam sido gastos outros R$ 170,6 milhões. Há ainda R$ 74,3 milhões doados pela Unesco, órgão das Nações Unidas.

Desde 2004, o maior beneficiário dos contratos do programa é a empresa de informática B2BR, do Distrito Federal, com R$ 33,3 milhões acumulados.
Numa investigação realizada pelo TCU (Tribunal de Contas da União) sobre um dos contratos da B2BR no projeto, técnicos apontaram que houve superfaturamento de 126% na compra de software.
A proprietária da B2BR, Cristina Boner, aparece em vídeos em análise na operação Caixa de Pandora, que investiga pagamento de propina a funcionários do governo do DF.

Fonte: Folha de S.Paulo


outro lado
40 milhões de cartões têm de ser checados
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Dos quase 130 milhões de cadastros do Cartão SUS, o Ministério da Saúde diz que 90 milhões são confiáveis e que é preciso checar se há duplicidade nos outros 40 milhões.
O órgão informa, por e-mail, que gastou R$ 397,3 milhões no programa até 2008, sem revelar o valor de 2009 (segundo o Portal da Transparência, foi de R$ 30 milhões). Para 2010, o orçamento para o projeto é de R$ 48,1 milhões. O e-mail diz que o ministro Temporão “ordenou, em 2008, a reformulação do cartão, principalmente na adaptação tecnológica”.
A Unesco afirmou que o convênio de cooperação do cartão encerrou-se em fevereiro de 2008 e que foi produzido um relatório final sem avaliar impactos.
A B2BR diz que não é investigada e que, em relação ao Cartão SUS, apenas vendeu softwares, sempre participando de concorrências. Segundo ela, as recomendações do TCU na investigação sobre a venda de um software para o Datasus foram para órgãos do governo. Além disso, o voto dos ministros do tribunal não considerou que houve superfaturamento.
A Procomp, que pertence à Diebold, informou que cumpriu tudo o que foi determinado pelo ministério e que o projeto funciona bem em Aracaju. A Hypercom não respondeu.
Fonte: Folha de São Paulo, 18/1/2010

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