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15 de nov. de 2017

10 mandamentos de cibersegurança para Médicos e Enfermeiros

Não basta um software certificado pelo Processo SBIS/CFM para garantir a segurança de sistemas de registro eletrônico. O fator que fica entre o computador e a cadeira (usuário) ainda é o maior responsável violações de segurança de sistremas eletrônicos. As instituições deveriam investir mais na divulgação de Boas Práticas de Segurança da Informação orientadas a seus funcionários. 

Em face dos ataques de phishing, como o WannaCry (crypto-ransomware que afeta  o Windows, sendo difundido em larga escala em 12 de maio de 2017 através de técnicas de phishing) que afetou o sistema de saúde inglês, Ministério da Saúde de Portugal lança uma campanha para que os profissionais da saúde protejam mais os seus computadores e a privacidade dos pacientes.

O presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, Henrique Martins - que gere a informática do Serviço Nacional de Saúde - diz que é necessário investir mais na formação de quem utiliza os computadores para aumentar a segurança de todo o sistema.

As regras da cibersegurança vão ser distribuídas em formato de folheto ou adesivo, 10 mil cópias, que serão distribuídas por médicos e enfermeiros, e que podem ser colados ao tela do computador para serem sempre visíveis.

Aí vão os 10 mandamentos para cibersegurança na Saúde :

Fonte: Sapotek

7 de jan. de 2017

Localizar celular pelo número do IMEI

A PMMG (48º Batalhão de Ibirité) lançou um serviço interessante, onde você cadastra o IMEI do seu celular e no caso de roubo, é possível localizá-lo. A PM também pode verificar os aparelhos de suspeitos e ver se o IMEI encontra-se entre os de celulares roubados e te comunicar se ele foi achado. 
Depois da admiração inicial, fiquei apreensiva com o que a PM pode fazer com esses dados... sabendo onde vc se encontra o tempo todo... Não sei se gostaria de conceder acesso a esses meus dados a qualquer PM, sei lá... há maus profissionais em qualquer profissão.
Outra coisa, a Clarisse Falcão aparece no vídeo da PM :D, acho que eles não se deram conta que usaram a imagem dela.

23 de mar. de 2014

Blackphone: o smartphone que protege a sua privacidade

O Blackphone é o smartphone ideal para aqueles que colocam a privacidade em um pedestal, feito com privacidade e segurança em mente, funciona em PrivateOS , uma versão personalizada do sistema operacional móvel Android, do Google.

Pré-carregado com um conjunto de aplicações integradas da Silent Circle, que se dedicam a manter os dados protegidos e longe da vigilância do governo , como o Silent Phone, Silent Text e Silent Contacts. O smartphone também tem um firewall embutido e um recurso para apagar remotamente os dados do telefone , se necessário, juntamente com o Kismet Smart Wi-Fi Manager para proporcionar uma navegação na Web privada, de compartilhamento de arquivos seguro e de segurança em rede Wi -Fi pública.


O Blackphone ainda utiliza um processador quad-core de 2GHz com 2GB de RAM e 16GB de espaço de armazenamento, além de suporte a conexões 4G LTE. Disponível para pré-encomenda no site Blackphone, custa USD$629.

19 de set. de 2013

Saúde digital (Segurança digital): dicas para adoção de hábitos de vida mobile saudáveis


Por Luciana Alves

Em 1974, Vint Cerf, criou o protocolo que permitiu que múltiplos computadores trocassem dados em rede, o IP, o que permitiu a criação da internet. Em matéria publicada na Revista Info (Setembro, 2013) ao lhe perguntar a respeito da segurança dos serviços online disponibilizados, Cerf foi categórico:
Uma falha que considero grave nos serviços online é o sistema de login e senha, que permite a qualquer um descobrir sua senha. Eu uso o token USB para acessar meu computador. O token é uma ferramenta adicional e efetiva de proteção contra crackers. 
E essa afirmativa vale para ressaltar a ainda importância do processo de Certificação dos Prontuários Eletrônicos pela SBIS, sobretudo os certificados com NGS2. Mas enquanto não é possível que adotemos esta prática de segurança como indicado por Cerf, podemos colocar em prática alguns hábitos para melhorar a qualidade da segurança das nossas informações. No decorrer das dicas irei apresentar ainda, o resultado da nossa enquete publicada em TI Medicina.

Em se tratando de segurança online, quando acessamos uma rede Wi-Fi pública a regra que nunca podemos nos esquecer de lembrar, de acordo com a Help Net Security, é que tudo o que é feito por meio de uma rede Wi-Fi pública, faz parte de uma conversa pública. E isto por si só já pode nos dar a dimensão dos riscos à segurança de nossos dados.

Veja um conjunto de dicas que se colocadas em prática podem ajudar a melhorar a segurança das nossas informações na vida online:
  • Não deixe o seu aparelho se conectar a pontos Wi-Fi públicos automaticamente.
  • Elimine os pontos de acesso Wi-Fi que você usou quando chegar em casa.
  • Não permaneça “logado” nos aplicativos que você não precisa enquanto viaja.
  • Verifique se a rede Wi-Fi disponibilizada é realmente oriunda do estabelecimento que lhe fornece acesso. Certificar-se da rede com a qual você se conectará evita que acesse uma rede implantada para enganar os usuários.
  • Fique atento ao seu entorno, e a quem poderia estar tentando espreitar sua tela.
  • Use uma senha exclusiva para cada conta.
  • Ao utilizar notebooks desabilite o compartilhamento de arquivos e ative o firewall configurando-o para bloquear conexões de entrada.
  • Use uma VPN, se possível, que assegura a sua conexão Wi-Fi, mesmo em público. De acordo com nossa enquete, a maior parte dos respondentes acredita achar que sabe o que é uma VPN (44%), 19% alegou saber o que significa, 30% não sabe o que significa e 7% nunca ouviu falar.\
  • Em saúde estamos habituados a procurar por informações de alta qualidade, baseada em evidências científicas relevantes, ou adquiridas em sítios de informação confiáveis. Escolha aplicativos que informem sua origem.
  • A maioria das pessoas se “esquece” de ler as “letras miúdas” de contratos, e outros documentos na vida diária. Não transfira este hábito para a compra de aplicações móveis e ao informar seus dados pessoais em sites da Web. Aprenda a checar o tipo de informação coletada e uso das mesmas.
  • Muitos sites dão a opção de criptografar toda a sessão. No Facebook você pode fazer isso ativando a Navegação Segura em Configurações de Segurança. Entretanto, alguns sites, entre eles o Facebook, criptografam o login, mas depois lhe redirecionam para uma sessão insegura, deixando-o vulnerável.
  • Utilize preferencialmente conexões HTTPS. Uma extensão que força automaticamente o uso de conexões HTTPS sempre que possível pode ser baixado em HTTPS Everywhere da Electronic Frontier Foundation. Nossa enquete revelou que a maior parte dos respondentes sabe o que significa uma conexão HTTPS (63%), 26% diz achar que sabe o que significa, e 7% e 4%, manifestaram não saber o que significa e nunca terem ouvido falar, respectivamente. O protocolo HTTPS utiliza certificados digitais como estratégia para assegurar a identidade do site, além de métodos criptográficos, e entre outros, protocolos, o SSL (Secure Sockets Layer) e o TLS (Transport Layer Security), para garantia da confidencialidade e a integridade das informações. Em relação ao conhecimento sobre o SSL e TLS, 19% e 11% afirmaram saber o que significam, 19% e 19% afirmaram achar que sabem o que significam, a maior parte, 48% e 52% não sabem o que significam as siglas, e 15% e 19% afirmaram nunca ter ouvido falar, respectivamente.
  • Caso seja impossível evitar conectar seu dispositivo a uma rede não segura, evite acessar páginas que exijam a inserção do nome do usuário e senha, como e-mail, Twitter, Facebook, etc.
É claro que estas dicas não esgotam o assunto. Mas segurança a conta-gotas é uma boa pedida para ajudar a digerir este novo tipo de conhecimento, que para profissionais de saúde pode parecer a princípio meio indigesto. Mas uma coisa é certa: a perda de dados, ou possíveis consequências de um acesso não autorizado a informações confidenciais podem causar muito mais do que uma simples e tratável dor de cabeça.

Luciana Alves é Neuropsicóloga, Mestre e Doutora em Ciências da Saúde, e faz Residência Pós-doutoral no Instituto de Ciências Biológicas - UFMG, com temática relacionada à Infoveillance & Infodemiology, junto ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Dengue. Ministra curso com temática relacionada com Informática em Saúde, coordena, como colaboradora, uma linha de pesquisa em Mobilidade em Saúde e Segurança da informação no np-Infosaude – UFMG. Fundou e Lidera uma atividade de cunho social denominada PACEMAKERusers.com, e é CEO - Chief Executive Officer na  Bionics Health and Technology.
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31 de ago. de 2013

Saúde digital X aplicativos móveis maliciosos e redes de acesso WiFi: o que os nossos olhos não veem permite que outros olhos vejam


Por Luciana Alves

Enquanto uma regulamentação com normas estritas de segurança da informação em saúde, a partir de acesso, e dados gerados em dispositivos móveis não são estabelecidos no Brasil, e uma vez que o uso de aplicações móveis em saúde é uma realidade no quotidiano de muitos profissionais de saúde, e em instituições que prestam cuidados em saúde, onde os funcionários podem acessar dados via dispositivos mobile pessoais (Bring Your Own Device - BYOD), faz-se necessária a adoção de estratégias para contensão de potencias riscos à segurança da informação neste contexto. Em situações BYOD os protocolos de segurança quando existentes podem ser pouco adequados para proteger os dados, o que aumenta significativamente a exposição ao risco de vazamento de dados de pacientes, e outras informações de acesso restrito.

Ao investigar informações a respeito de alguns aplicativos voltados para saúde, disponibilizados nas principais apps stores, podem-se encontrar, quando são informados, o tipo de permissão que ao instalarmos, concedemos aos aplicativos. Muitas destas permissões concedidas, tenho certeza, não as daríamos a outras pessoas, ou caso positivo, a muito poucas pessoas de confiança.

Algumas das permissões que são concedidas ao se instalar alguns aplicativos são:

- Acessar os recursos de telefonia do seu dispositivo. Ou seja, obter permissão para saber sempre qual o número de telefone e os IDs do dispositivo, quando você estiver realizando uma chamada, e o número remoto conectado a esta chamada.
- Configurar o Bluetooth do seu dispositivo, além de fazer e aceitar conexões com dispositivos pareados (permitir enviar por exemplo, uma imagem por Bluetooth)
- Acessar sua localização exata por meio do GPS ou de fontes de localização da rede, como torres de celulares e redes Wi-Fi. E ainda aproveitar para consumir mais bateria do seu dispositivo.
- Ligar para números de telefone sem sua intervenção, resultando em cobranças ou chamadas inesperadas ou custos com chamadas feitas sem sua confirmação.
- Tirar fotos suas ou filmar com a câmera do dispositivo móvel, a qualquer momento sem sua autorização.

Estas permissões são apenas a ponta do iceberg.

Mesmo mediante todos os problemas e limitações relacionadas à segurança e confidencialidade da informação em aplicações móveis, conhecidos, em estudo, e as tecnologias em desenvolvimento para enfrentar esta situação, sem dúvida, o fator humano é um dos maiores desafios a ser enfrentado nesta empreitada.

Segundo a McAfee, 68% das pessoas não protege seu smartphone, 33% não protege seu laptop, e 81% não protege seu tablet. Além dos riscos das aplicações móveis previamente instaladas nestes dispositivos, existem ricos a partir do acesso à internet por meio de WiFi público.

Segundo informa a Avast, no Brasil, 44% dos usuários de computadores, e no mundo inteiro, cerca de 50% das pessoas, usam conexões WiFi públicas, destas, mais de dois terços usam a Internet sem atentar para os riscos de se realizar uma conexão insegura, tornando-se alvo de ataques de hackers devido à vulnerabilidade de segurança.

Em saúde, estratégias de mudança comportamental para adoção de hábitos de vida saudáveis, e manutenção de um comportamento saudável recém-adquirido, ainda constitui-se um desafio para os especialistas. Aqui, analogamente, também precisamos construir estratégias comportamentais para que as pessoas adotem e tornem duradouros hábitos de vida mobile, saudáveis, garantindo a segurança das informações acessíveis por estes dispositivos.Contato Contato  
A incorporação dos dispositivos mobile na prática em saúde pede que estes profissionais incorporem também a educação continuada em segurança da informação a partir da utilização de dispositivos móveis.


Luciana Alves é Neuropsicóloga, Mestre e Doutora em Ciências da Saúde, e faz Residência Pós-doutoral no Instituto de Ciências Biológicas - UFMG, com temática relacionada à Infoveillance & Infodemiology, junto ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Dengue. Ministra curso com temática relacionada com Informática em Saúde, coordena, como colaboradora, uma linha de pesquisa em Mobilidade em Saúde e Segurança da informação no np-Infosaude – UFMG. Fundou e Lidera uma atividade de cunho social denominada PACEMAKERusers.com, e é CEO - Chief Executive Officer na Bionics Health and Technology.
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22 de mai. de 2013

Casamento perfeito: segurança e confidencialidade, e aplicações móveis em saúde



Por Luciana Alves

O cracker[1] não mora ao lado. Mora na App Store mais próxima de você.

Depois de um namoro bastante rápido vocês assinarão um termo de compromisso o qual pressupõe a manutenção dos laços de confidencialidade e privacidade de informações. Poderão compartilhar apps para momentos de alegria e tristeza, para lidar com a saúde e procurar lhe ajudar nos momentos de doença, até que uma desinstalação do app os separe. Pelo menos é o que se espera, a esta altura do relacionamento.

A preocupação em se garantir a segurança da informação de dados em saúde, a partir da validação da certificação do Nível de Garantia de Segurança (NGS1 e NGS2) de prontuários eletrônicos, é uma prática que está se consolidado a partir das ações da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS). 

Vulnerabilidades advindas da ausência de uma regulamentação para a garantia da qualidade da segurança das informações coletadas por aplicativos cujas funcionalidades são direcionadas à área da saúde, disponibilizados para as plataformas móveis, são um risco para milhares de usuários.


Iniciativas como a do Food and Drug Administration (FDA) e Open Web Application Security Project (OWASP) demonstram a importância de se discutir mundialmente os caminhos para garantia da segurança da informação a partir de aplicações para dispositivos móveis.

E o que se observa é que esta é apenas a ponta do iceberg. Você tem algum aplicativo instalado em seu dispositivo móvel? Sério? Então você faz parte de uma pequena parcela da população mundial que só na Apple Store baixou 50 bilhões de aplicativos até o dia 16 de maio deste ano?

Então calcule suas chances de ser crackeado, baseado nos resultados da pesquisa da Arxan Technologies (2012)[2] que demonstram que, dos 100 aplicativos pagos mais baixados em cada uma das principais App Stores (Android e Apple iOS), de várias categorias, incluindo “Saúde”, mais de 90% deles têm sido crackeados (92% dos para Apple iOS e 100% daqueles para Android). Dos gratuitos este percentual alcança 40% para Apple iOS e 80% para Android. E aí qual o resultado do cálculo de probabilidades?
Um romance como este pode resistir a uma traição cracker?





[1] Cracker: Termo cunhado por hackers, indivíduos com grande habilidade em programação, para designar aqueles cujo conhecimento nesta área é utilizado para fins de quebra de sistemas de segurança de forma ilegal, para coletar informações não autorizadas, como por exemplo, senhas de bancos, entre outras. Sua ação consiste no cracking.
[2] Arxan Technologies. State of Security in the App Economy: “Mobile Apps Under Attack”. 2012. Download


Luciana Alves é Neuropsicóloga, Mestre e Doutora em Ciências da Saúde, e faz Residência Pós-doutoral no Instituto de Ciências Biológicas - UFMG, com temática relacionada à Infoveillance & Infodemiology, junto ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Dengue. Ministra curso com temática relacionada com Informática em Saúde, coordena, como colaboradora, uma linha de pesquisa em Mobilidade em Saúde e Segurança da informação no np-Infosaude – UFMG. Fundou e Lidera uma atividade de cunho social denominada PACEMAKERusers.com, e é CEO - Chief Executive Officer na  Bionics Health and Technology.
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17 de abr. de 2013

Dipirona para febre APP


por Luciana Alves



A revolução tecnológica possibilitou a prática de uma clínica onde os dados passam a ser acessados eletronicamente substituindo os tradicionais documentos em papel. Essa tendência tem movimentado todo o segmento da saúde para implantação de prontuários eletrônicos de saúde, e entre outros, sistemas de transmissão de resultados de exames de imagem e laboratoriais. 

O uso de computadores desktop para acesso a dados eletrônicos, certamente ainda irá dominar o cenário da saúde, entretanto, dividem um espaço cada vez mais ocupado pelos dispositivos móveis. A qualidade da tecnologia dos smartphones, uma revolução dos PDAs (Personal Digital Assistant também conhecidos como Palmtop Computer), e os tablets, transformaram o modo de acessar, coletar, armazenar, e tratar dados em saúde. 

Apaixonada por tecnologias, e tudo que possa facilitar o manejo e acesso a informações, inserção de dados, programação de notificações, e entre outras coisas, pelo potencial multitarefa dos dispositivos móveis, não me permito deixar de fomentar um quê de dúvida neste romance. Estes dispositivos e aplicativos entusiasmam, entretanto, é importante que façamos o exercício de pensar criticamente a respeito do que vimos instalando em nossos tablets e smartphones. 

Com a adesão crescente ao uso de aplicativos na área de saúde, seja pelo público leigo, seja por profissionais de saúde, e tendo em vista que a medicina moderna é uma ciência com forte base na tomada de decisões baseada em evidências relevantes, é importante aplacar a febre do uso indiscriminado dos aplicativos. O Food and Drug Administration (FDA), órgão responsável pela Administração da Alimentação e Medicamentos nos Estados Unidos, desde 2011 tem desenvolvido todo um trabalho para qualificar os aplicativos, e indicar aqueles que podem ser utilizados com segurança por seus usuários. Segundo o FDA, com o aumento dos aplicativos móveis também veio a necessidade de sua regulamentação, da classificação dos aplicativos médicos, estabelecimento de bases legais, requisitos e responsabilidades, tendo em foco todos os envolvidos neste cenário. 

Enquanto isso, no Brasil, quem irá regulamentar a utilização dos aplicativos com fins de aplicação à saúde? Só na Apple, por exemplo, a febre de aplicativos para iphone, disponíveis até julho de 2011, de acordo com o informado pela empresa ao FDA alcançou temperaturas de mais de 350.000 aplicativos, incluindo-se aqui os da área da saúde. 

Evidentemente o público leigo compõe a maior parcela dos usuários que consome aplicativos voltados para acesso à informação em saúde, coleta e armazenamento de dados de saúde pessoais. E isso por si só sinaliza que seu uso é uma questão de Saúde Pública. Há aplicativos que coletam, por exemplo, dados fisiológicos como a frequência cardíaca. Devido à disponibilidade de vários apps para este fim, a escolha de um aplicativo com baixa precisão na coleta de dados pode colocar a saúde do usuário em risco e induzi-lo, por exemplo, a uma má decisão na hora de avaliar a necessidade de procurar assistência médica. De quem é a responsabilidade neste caso? E a complexidade desta questão alcançaria um novo patamar se abordássemos a questão da segurança da informação de saúde coletada pelo aplicativo. 

E mais uma vez estou entusiasmada, ardendo em febre, porque adquiri novos aplicativos. Enquanto não forem determinados parâmetros de qualidade e segurança oficiais para a comercialização e disponibilização destes aplicativos para o Brasil, seja via Agência Nacional de Saúde, Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Informática em Saúde, ou pelos diversos Conselhos Federais de especialidades de saúde, sugiro aplacar a febre dos aplicativos com algumas gotas de dipirona: 

  • Nunca considere à primeira vista nenhuma tecnologia móvel ou aplicativo tão bons que não possam passar pelo crivo de uma avaliação criteriosa; 
  • Conselhos Federais de diversas especialidades da área da saúde têm desenvolvido e disponibilizado aplicativos nas apps stores. Adquirir um aplicativo advindo de uma entidade de saúde especialista no conteúdo do aplicativo adquirido é uma forma de aumentar a probabilidade de acesso a um conteúdo de qualidade; 
  • Procure por informações que possam indicar se algum estudo foi realizado para validar o aplicativo; 
  • Procure informações sobre o desenvolvedor do aplicativo. Informações por exemplo, sobre o envolvimento de profissionais de saúde especialistas na área para a qual o aplicativo foi desenvolvido; 
  • Verifique partes do conteúdo disponibilizado pelo aplicativo e veja se está correto a partir de uma fonte de consulta sabidamente de qualidade. No caso de dificuldade peça um especialista no assunto para dar sua opinião sobre a qualidade da informação; 
  • Verifique se a função do aplicativo é compatível com o dispositivo móvel que dispõe. Para visualização de imagens de RX, por exemplo, um smartphone não é o melhor dispositivo para visualizar este tipo de arquivo. Neste caso um ipad é uma opção melhor, ainda que alguns profissionais advoguem que mesmo esse tipo de dispositivo pode comprometer a avaliação de imagem visualizada. 
  • Desconfie de aplicativos que fazem promessas de cura tentadoras, como por exemplo, curar a depressão sem acompanhamento de um profissional qualificado; 
  • Lembre-se, o depoimento de uso de um aplicativo por uma pessoa pública, como um ator, por exemplo, não é parâmetro confiável para dizer da qualidade do aplicativo. 

Nota: A utilização do nome dipirona presta-se apenas para fins literários, e, portanto, não reflete qualquer indicação deste composto para tratar sintomas relacionados à febre. Consulte um médico na vigência de deste sintoma.


Drª. Luciana Alves

Neuropsicóloga, Mestre e Doutora em Ciências da Saúde, Pós-doutoranda no ICB-UFMG com temática relacionada à Infoveillance & Infodemiology – Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Dengue. É professora de Informática em Saúde, e preside a empresa Bionics Health Technology. 
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