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26 de mar. de 2020

Os "poréns" da Telemedicina liberada pelo Ministério da Saúde e CFM

Trouxe um post do Linkedin, do Robertson Bernardo (Membro da Câmara Técnica de Diag. por Imagem do CFM. Fundador do IRB®. Diretor de qualidade do CIIM Poços de Caldas-MG).

"E finalmente o CFM liberou a telemedicina no Brasil, correto?


Não é bem assim, de verdade.

Quem liberou alguma coisa foi o ministério da Saúde, através da portaria Nº 467, de 20 de março de 2020.
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Esta portaria determina a liberação, POR TEMPO DETERMINADO, de recursos de telemedicina, tais como a teleconsulta, teleconsultoria, etc. Estabelece também alguns critérios para a sua aplicação, especialmente quando estivermos diante da necessidade de entrega de receitas.

Pois bem, eu aqui quero ainda acrescentar mais coisinhas a isso tudo.
Principalmente porque VOCÊ, médico ou médica, será o responsável legal por tudo o que será feito.


Sim, caro amigo, cara amiga, não será o serviço que te contrata o único responsável pelas trocas de informações.

Vamos lá? Eis alguns pontos a serem considerados:

1 - Você tem programa específico e seguro para a teleconsulta?


Sim. Você precisa de ferramenta de vídeo que permita a troca de informações de modo seguro, em que você possa gravar a consulta, para arquivamento. Essa conexão deve ser síncrona (em tempo real), e que você possa auditá-la.

2 - Você tem certeza que o paciente que está consultando é verdadeiramente o paciente que diz ser?


Parece surreal, mas é questão relevante (por isso a obrigatoriedade da gravação). Imagine que um usuário de convênio resolva ter atendimento por teleconsulta, mas, na verdade, põe em atendimento outra pessoa no lugar dele. Todos os dados ficarão no prontuário do conveniado, inclusive eventuais patologias e comorbidades relevantes.

3 - Seu convênio está disponível a pagar pela teleconsulta?


Não existe, até o momento, nenhum código TISS ou TUSS que permita o reembolso pela teleconsulta. Obviamente que as operadoras têm esse recurso, mas em acertos com seus médicos conveniados. Mas, diretamente, entre você e o paciente, não há previsão, até a presente data.

4 - Você tem que manter os dados no prontuário e por tempo indeterminado.


É isso aí! Você tem que manter os dados da consulta (as gravações, inclusive), por tempo indeterminado, e com registro no prontuário do paciente.

5 - O paciente tem que estar de acordo com a teleconsulta, aceitando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido que você tem que providenciar.


É um grande dilema. Os termos de consentimento devem ser individuais, de acordo com cada especialidade. E o paciente tem que dar um "de acordo" antes de iniciar a consulta. Pode ser por aceite na página da internet, pode ser por aceite em documento físico retornado ao médico. Não importa. TEM QUE TER TCLE antes de começar a consulta. E tem que estar arquivado no prontuário.

6 - Vai armazenar os dados em nuvem? Cuidado com a Lei Geral de Proteção de Dados - LGPD


Isso mesmo! A empresa que você escolheu para armazenamento dos dados do seu paciente DEVE estar de acordo com a LGPD brasileira, preferencialmente com hospedagem no Brasil ou em País com leis de proteção de dados (GPDR na Europa - HIPAA nos EUA), ressaltando-se que a hospedagem no exterior te faz ser corresponsável nas duas pontas (eu, particularmente, não gostaria de ter meus dados armazenados em servidor na Califórnia, p.ex., porque a HIPAA lá é de arrancar o fígado a cada vazamento). Ademais, VOCÊ tem que ter um contrato assinado com o provedor de armazenamento, garantindo que ele cumpre INTEGRALMENTE a LGPD brasileira.

7 - Vai dar receita? TEM que ser assinada digitalmente


Mais uma coisinha na lista. Sua receita tem que ser assinada digitalmente, de acordo com o ICP-Brasil, certificados pelo menos A3. Essa receita DEVE ser encaminhada diretamente à farmácia, para evitar cópias não autorizadas dela. O paciente leva somente os dados para a farmácia e a farmácia encontra a receita e avia.

8 - Receita de controlados? Esqueça!


O receituário de controlados - receita azul - só presencialmente, por enquanto.

9 - Whatsapp?


Use! Se você quiser que sua receita, sua consulta e seus vídeos circulem em velocidade maior do que a da transmissão do SARS-COV2, use. É pedir para visitar o juiz!

10 - Hardware adequado


Parece óbvio, mas acredite em mim, não é tão assim. Internet estável, câmeras de boa qualidade, storage para armazenamento das imagens, capacidades de rastreamento de todas as etapas, etc... Precisa de um ambiente favorável.
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Existem vários produtos sendo oferecidos no mercado, que vão desde funções básicas, de agendamento, até a consulta em si. Você pode trabalhar por conta própria, pode trabalhar para outros, pode pagar por consulta ou mensal. Sinceramente, pouco importa. Aqui o que importa é que VOCÊ É O RESPONSÁVEL PELA CONSULTA e todo o ato decorrente dela.

E lembre-se de que esta portaria tem validade. Depois, quando caducar, não poderá mais ser praticada a teleconsulta nesses moldes. Deve-se aguardar nova resolução do CFM sobre o assunto.

Faça o que é certo e tenha a tranquilidade do que foi feito.

No nosso perfil do instagram (@institutorbernardo), e nossa página no youtube (IRBernardo) falamos sobre normativas do CFM, questões sobre telerradiologia e LGPD."

12 de nov. de 2019

Colega Médico: considerações sobre Audiência Pública sobre a Telemedicina - Parte III

Sou médica, com residência em Cirurgia Geral e especialização em Coloproctologia e também em Informática em Saúde, e entusiasta da tecnologia na Medicina.  Gostaria de discutir alguns aspectos, que vou listar abaixo:

POR QUE NÃO FOI FEITA AUDIÊNCIA PÚBLICA ANTES DA REGULAMENTAÇÃO?

Como parte da classe médica e como estive envolvida durante mais de um ano na diretoria da SBIS (Sociedade Brasileira de Informática em Saúde), não vi debates com a classe médica, não vi audiência pública. Tenho que concordar com o Dep. Dr Luiz Ovando que afirma suspeita de viés no processo; que houve pressa em regulamentar, sem na realidade dar, á comunidade médica, os subsídios como manuais de normas e certificação dos softwares (veja aqui) que realizariam as consultas de telemedicina. E imediatamente as empresas de saúde divulgaram o serviço, mesmo sem os manuais de normas ou os requisitos para certificação. 

QUAIS AS ESPECIALIDADES ONDE A TELEMEDICINA PODE SER EFETIVA? EXISTE ALGUMA ESPECIALIDADE ONDE NÃO É?


AMA - Which medical specialties use telemedicine the most? 

Na resolução 2227/2018 do CFM não há menções às especialidades menos afeitas à telemedicina. Como exemplo, a Pediatria e a Coloproctologia, duas especialidades muito dependentes da habilidade médica. Se a presença do médico só é necessária em uma ponta, a mãe da criança filmará a garganta e o ouvido do paciente, ou fará a ausculta com um estetoscópio eletrônico? O paciente exporia a área anal à câmera? Uma enfermeira faria a retossigmoidoscospia como já vi em artigos científicos? Como fica a responsabilização em caso de erro médico por exames que deixaram passar uma lesão? Seria permitido a um outro profissional de saúde usar um transdutor de ultrassom e o ultrassonografista ver a imagem via telemedicina, já que enfermeiros podem fazer a retossigmoidoscopia em outros países?
É evidente que a telemedicina é extremante benéfica na Psiquiatria, na dermatologia na radiologia... Mas e onde não há evidências da sua efetividade? O CFM foi omisso neste aspecto.

SERIA PERMITIDO ÀS OPERADORAS DE SAÚDE, MUNICÍPIOS E ESTADOS TEREM SOMENTE ESPECIALISTAS VIA TELEMEDICINA?

Penso que uma ideia que já deve ter sido aventada pelos gestores da saúde suplementar e da saúde pública é que a quantidade de especialistas presenciais poderia ser extremamente reduzida. Um especialista ficaria encarregado de realizar uma primeira consulta, presencial, que funcionaria como uma triagem, pediria exames e o restante dos atendimentos seriam via telemedicina. Eu, como muitos médicos, imagino o cenário onde nossos colegas recém formados se sujeitariam a esse tipo de atendimento, por imposição do mercado. O CFM foi omisso neste aspecto também.

COMO DEFINIDO PELO CFM, A PRIMEIRA CONSULTA TINHA QUE SER PRESENCIAL. 

O CFM também deixou a desejar nesse quesito. O retorno, por telemedicina, teria que ser com o mesmo médico que atendeu da primeira vez na especialidade? Ou outros médicos  poderiam fazer o retorno por telemedicina se o paciente já tivesse se consultado na especialidade? Pois essas brechas na regulamentação permitem que saúde suplementar e pública definam como passíveis de telemedicina, todos os pacientes que alguma vez já se consultaram na especialidade. Como empresas de saúde estão divulgando serviços de médicos 24 horas por telefone, se o médico que fará o atendimento nunca atendeu o paciente?


FALTA DE PRONTUÁRIO ELETRÔNICO, CONECTIVIDADE, FALTA DE LETRAMENTO DIGITAL...

Trabalho em Belo Horizonte (6º maior município do Brasil) e Contagem ( 2ª cidade de Minas com maior Índice de Desenvolvimento Econômico) como médica. Em nenhum dos dois há prontuário eletrônico onde trabalho, até hoje é EM PAPEL, PASMEM !! Imagina no interior do país. E o CFM vem falar em telemedicina? Infelizmente a telemedicina ainda é a cereja do bolo, sendo que nem o bolo temos!!! 



Por favor, deixem nos comentários as limitações do seu trabalho, suas críticas quanto a telemedicina, ou suas boas experiências onde trabalham com a assistência remota. Gostaria de saber a opinião de vocês.

 Parte I e Parte II


Se quiser saber mais sobre a resolução que foi suspensa, leia: 

Telemedicina e as discussões médicas após a Resolução CFM no 2.227/2018 - parte 1

Colega Médico: como foi a Audiência Pública sobre a Telemedicina - Parte I

Vou fazer um resumo em dois posts sobre a audiência pública de telemedicina (assista a íntegra aqui) e ao final, tecerei comentários práticos de quem está na ponta, atuando, mas é entusiasta da tecnologia. 
Assista à integra da audiência aqui
Aconteceu no dia 05/11/2019 a audiência pública que debateu o uso da telemedicina, no Plenário 7 da Câmara dos Deputados, em Brasília.


APRESENTAÇÕES: 


O Dr José Diniz Júnior, Otorrinolaringologista e Coordenador da Rede Universitária de Telemedicina, RUTE HUOL UFRN começou a apresentação (feita pelo Prof Luiz Roberto de Oliveira, coordenador do Núcleo de Tecnologias e Educação a Distância em Saúde (NUTEDS), da UFC) explicando conceitos de telessaúde e telemedicina, vantagens,  a necessidade na Telemedicina de um médico em pelo menos uma das pontas, a possibilidade de ser síncrona, os limitantes como conectividade, os aspectos éticos e a privacidade e segurança dos dados, que com a lei de Proteção de Dados recai sobre o médico. 

Apresentação do Dr José Diniz Junior
Dr Carlos Henrique Sartorato Pedrotti, Médico Referência do Centro de Telemedicina do Hospital Israelita Albert Einstein, Representante da ANAHP, apresentou a experiência do serviço desde 2012  e as vantagens local e mundialmente. 

Apresentação do Dr Carlos Henrique Sartorato

Afirma que não há necessita de grande tecnologia, somente um computador e uma câmera. Oferece exemplos em Medicina Intensiva onde é possível aumentar a rotatividade de leitos, exemplos de avaliações neurológicas de trauma com estudos radiográficos no caso de TCE (vide mais abaixo as críticas de quem vive no mundo real). Mostra também resolutividade no caso da Dengue, 93% em tendas de hidratação e somente 7% encaminhados para assistência médica, assim como o sucesso na teledermatologia. Tambem demosntra a satisfação dos médicos na teledermatologia com os resultados do trabalho. 

Apresentação do Dr Carlos Henrique Sartorato

Fala também da necessidade de segurança, o que vai contra ao conceito de que é necessário somente um computador e uma câmera.
Apresentação do Dr Carlos Henrique Sartorato

Sr. Mário César Homsi Bernardes, Diretor Geral da Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, situou o setor filantrópico na telemedicina atual. Afirma que cerca de 40% dos hospitais filantrópicos associados é a única referência de atendimento em saúde em vários municípios, assim a telemedicina pode melhorar o acesso ao diagnóstico às comunidades longes dos grandes centros. Os hospitais filantrópicos vem há quatro anos desenvolvendo a tele-educação, pela EducaSUS, trabalhando educação continuada nos hospitais.

 INTERVENÇÃO


Uma intervenção muito pertinente do Deputado Dr Zacharias Calil Hamu, Cirurgião Pediátrico,  entende a necessidade de dois médicos nos atendimentos de telemedicina, um em cada ponta.  Mostra inquietação com o uso do aplicativo Whastapp, a preocupação com os aspectos éticos e cita como exemplos a empresa AMIL- já divulgando serviços de telemedicina- e a  UNIMED anunciando a R$9,99 a mais no plano por mês para o serviço de médico 24 horas disponível à distância. Vê como necessária a regulamentação do serviço baseada em normas do CFM. 

Hoje as 14:00, no próximo post, falo sobre as apresentações do Dr. Prof. Dr. Chao Lung Wen (CFM) e a da Dra Adriana da Silva e Souza (MS), além dos questionamentos dos deputados Flávia Morais,  Dr Luiz Ovando,  Dra. Soraya Manato e Dr. Jaziel. 

22 de fev. de 2019

Telemedicina e as discussões médicas após a Resolução CFM no 2.227/2018 - parte 1

Como Médica e profissional de Informática em Saúde, acho importante informar e elucidar a discussão entre a classe médica e a resolução do CFM. Estive mais presente na SBIS (Sociedade Brasileira de Informática em Saúde) no ano de 2017 e sei da disponibilidade da sociedade na parceria com o conselho, sempre que requisitada. 
Há que se considerar que o que se refere a requisitos  técnicos para a telemedicina, a contribuição da SBIS foi imprescindível para a resolução e sem  sua participação, não seria possível garantir a segurança e privacidade do atendimento. 

Quais os requisitos técnicos? 
Na nota de posicionamento a SBIS vem a publico informar que participou das discussões e eque está elaborando um  manual de normas a serem adotadas para o uso adequado da tecnologia para a prática da telemedicina. A meu ver, isso já deveria estar definido  e divulgado quando da entrada em vigor da resolução, o que deve ocorrer em um prazo fixado pelo CFM em 90 dias a contar da publicação. Mas já há empresas anunciando o serviço. Quem fará a fiscalização quanto aos requisitos necessários?

O certificado digital do médico é obrigatório?
Na nota de esclarecimentos, a SBIS responde a questionamentos sobre a exigência de certificação digital do médico em softwares para realizarem o atendimento de telemedicina e o preço que a entidade cobra nos processo de certificação. A certificação de Softwares de Saúde não é obrigatória, ou seja, o Prontuário Eletrônico que não desejar receber a certificação SBIS/CFM, pode continuar atuando no mercado sem restrições por parte do CFM. Resta saber se o CFM exigirá do Software de TELEMEDICINA a certificação da  SBIS para que o atendimento em telemedicina seja realizado.  Isso restringirá em muito a colocação em prática da telemedicina devido ao investimento em programação e custos da certificação, o que com certeza, influenciará no preço final do produto para o médico. 

Médico responsável pela guarda do atendimento
Uma exigência que consta na resolução é a de que a guarda das informações relacionadas ao atendimento em telemedicina é de responsabilidade do médico responsável pelo atendimento. Participo de um grupo de discussões no telegram de Radiologia e Informática, onde vejo os radiologistas relatarem que os laudos são armazenados na nuvem e devem ser guardados por 20 anos. E armazenamento custa dinheiro. Essas teleconsultas serão de responsabilidade de guardar na nuvem pelos médicos, já pensou no volume de dados a serem armazenados e no espaço necessário? 

No próximo post vou discutir sobre as implicações éticas e judiciais e a insegurança dos médicos quanto a essa resolução.

3 de abr. de 2017

5 coisas que os médicos nunca devem publicar em mídias sociais

 Do site DoctorCPR.com vem essa matéria útil e interessante sobre médicos e mídias socias:

A popularidade das mídias sociais explodiu nos últimos anos, com 31,24% de todo o tráfego na web vindo das plataformas de mídia social . De acordo com o New York Times, em abril de 2015, a principal plataforma de mídia social é Facebook com um incrível 1,44 bilhões de usuários.

Esta imensa popularidade oferece aos profissionais médicos algumas oportunidades para melhorar a sua interação com o paciente. Algumas das maneiras construtivas em que os médicos podem utilizar as mídias sociais incluem:
  • Melhor envolvimento com os pacientes. Responder a perguntas gerais, responder a comentários e compartilhar informações médicas  úteis
  • Promoção de serviços médicos
  • Construir um perfil relevante dentro da comunidade local
  • Divulgação de informações importantes sobre condições médicas, novos tratamentos e resultados de pesquisas


No entanto, você também deve estar ciente dos perigos potenciais do uso de mídias sociais. Aqui estão 5 coisas que os médicos nunca devem publicar em mídias sociais.
 
1. Informação Médica Confiável: Ao usar mídias sociais, vemos muitas manchetes médicas publicadas diariamente. Os artigos são muitas vezes cheio de imprecisões e distorções da investigação médica. Profissionais médicos devem evitar republicar, compartilhar, curtir ou retwitar notícias sobre tratamentos médicos a menos que tenham lido completamente a história e ter verificado a sua precisão. Se um usuário encontrar informações médicas imprecisas no seu perfil, sua reputação online fica prejudicada. 
É importante para os profissionais de saúde perceberem o volume imenso de pessoas que usam a Internet para pesquisar mais sobre sua saúde. Pew Research estima que mais de um terço dos americanos têm usado a Internet para descobrir que condição médica eles ou alguém pode ter . Os pacientes atuais e potenciais encontrarão o seu perfil social  e avaliarão seu índice de exatidão.

2. Não publique nada que viole a confidencialidade do paciente: O American College of Physicians recomenda que os médicos sejam conscientes das implicações, ao usar a mídia social, com relação a confidencialidade do paciente. Houve casos de médicos perderem sua licença médica após postar uma imagem em mídias sociais que violou a confidencialidade do paciente . Mesmo postar uma imagem de uma erupção cutânea pode ser considerado uma violação da confidencialidade do paciente, por isso tenha muito cuidado. Sempre há que se obter permissão do paciente por escrito, se for usar uma imagem de qualquer parte do corpo. Evite falar sobre pacientes específicos em todos os meios sociais, a menos que você tenha permissão para fazê-lo. Mesmo se não há nenhuma chance de que um paciente poder ser identificado pelo que você escreve em mídias sociais, é  pouco profissional discutir as especificidades de sua doença.
Tenha cuidado ao tirar fotos de si mesmo enquanto estiver em sua clínica. Também houve casos em que profissionais médicos acidentalmente incluíram a imagem do paciente no fundo da imagem enquanto tiravam uma  "selfie". Certifique-se de que não há registros de saúde do paciente em exibição ao tirar fotos na prática clínica e nenhum paciente é incluído nas fotografias a menos que eles queiram ser. Todos os profissionais em empregos médicos e empregos em escritório médicos (enfermeiros, médicos de clínica geral, recepcionistas, cirurgiões) devem manter a confidencialidade do paciente em mente quando postar em suas mídias sociais.

3. Suas informações pessoais: Você deve evitar postar qualquer informação pessoal em mídia social profissional. Publicando um comentário, imagem ou vídeo inapropriado pode manchar sua reputação profissional. Também corre o risco de uma ruptura na relação paciente-médico se os pacientes sabem muito sobre sua vida pessoal.  Por exemplo: quando você está falando com seus pacientes em um ambiente clínico não é adequado comentar que  você ficou muito bêbado na sexta-feira passada e passou um vexame.
O Colégio Americano de Médicos (ACP) e a Federação das Juntas Médicas Estaduais (FSMB) recomendam que os médicos criem contas de mídia social separadas para suas vidas profissionais e pessoais . Eles também sugerem que o perfil profissional seja mais visível do que qualquer perfil pessoal.
  Os profissionais médicos devem avaliar se as informações que colocam em seu perfil de mídia social é adequada às necessidades de seus clientes. Se você é um clínico geral, é improvável que postar sobre sua vida pessoal seja de algum benefício para seus pacientes. Sempre pense sobre os tipos de informações de seus pacientes e da comunidade estão interessados ​​em saber. Outros funcionários em clínicas, incluindo recepcionistas e gestores devem ser também cuidadoso sobre o conteúdo de sua mídia social.

  4. Opiniões sobre questões controversas: Ao usar a Internet, muitas pessoas se sentem mais opinativo e livre para divulgar suas opiniões. Acreditam que o mundo virtual não está conectado ao real! Infelizmente, o que você diz no mundo virtual definitivamente terá repercussões no mundo real. Qualquer tópico controverso deve ser evitado no seu perfil profissional, tanto quanto possível, incluindo qualquer coisa a ver com religião, política, racismo, aborto e controle de armas . Você pode perder clientes e credibilidade com isso.

5. Reclamações: Mesmo se você está tendo tido um dia muito ruim, é pouco profissional para usar as plataformas de mídia social para reclamar sobre sua situação. Mesmo se for um paciente desagradável ou um colega irritante, não use mídia social para dizê-lo. Tudo o que você escreve em mídias sociais pode um dia voltar a assombrá-lo. Se você se queixar de seu chefe, na próxima vez que mudar de emprego um possível empregador pode encontrar os comentários on-line. Um paciente pode perceber que você estava reclamando sobre eles em mídias sociais!

* Lembre-se da regra de ouro de usar as mídias sociais como um médico - apenas postar informações que seus pacientes e da comunidade vai encontrar útil. Seja profissional e lembre-se de que os posts de mídia social têm resultados de mundo real *.

Autor: Pablo Horteg-Media Social e Analista de SEO e Escritor Convidado para DoctorCPR.com–America’s #1 Site for Medical Jobs + Practice Resources

leia Também:

Como médicos devem usar redes sociais para evitar erros

5 de fev. de 2017

Como médicos devem usar redes sociais para evitar erros

Fiz uma apresentação no Congresso de Cirurgia do Espírito Santo sobre porque os médicos devem usar redes sociais. É muito importante zelar por nossa reputação online. Atualmente com toda a informações disponível a todos em tempo real,  as mídias sociais, e a necessidade de "causar" nas redes, lembrem-se que uma vez postado é impossível controlar  a divulgação. Uma vez postado é impossível apagar, completamente, um conteúdo indesejado que esteja na internet.

slide da apresentação: cuidados a serem observados nas mídias sociais
Então médicos não podem usar redes sociais? Na minha opinião temos todo o direito de criticar e fazer piadas com assuntos polêmicos, mas o que entre pares pode ser engraçado, fora do contexto pode se tornar uma mancha na reputação online de um bom profissional.
Por exemplo, vou colocar uma postagem minha polêmica em um post sobre o assunto aborto abordado pela Revista TPM abaixo:


No post expressei minha opinião de que como médica sou a favor da legalização do aborto. A maioria dos comentários ofensivos foi apagada, mas continha coisas como "você deveria ter sido abortada" e "filha do diabo", "assassina" e coisas do tipo. Desativei as notificações do post (saiba como fazer aqui) e não me dei ao trabalho de "bater boca" com nenhum deles. Poderia ter me explicado: o aborto é uma questão de saúde pública; as classes com condições financeiras melhores ou com conhecimento (como os profissionais de saúde) fazem o aborto com condições mínimas de saúde. As classes menos favorecidas morrem tentando. Legaliza e faz quem quiser, de acordo com as convicções e consciência de cada um. 

Nas redes sociais, como na vida, existem pessoas  fanáticas, isso significa que não estão dispostos a escutar a sua opinião e ainda querem impor a deles aos outros. Não alimente os trolls, não dê combustível para discussões, a não ser que essa seja sua intenção, né +MeusNervos  e @analuiza, os dois médicos mais polêmicos que conheço e amo!!!

Portanto, ao postar opiniões, piadas, brincadeiras, pensem em como isso poderia ser visto pelos seus pacientes. Qual a imagem profissional que você quer passar?


Leia também:
Porque os médicos devem usar redes sociais?

13 de nov. de 2016

Recém-formado em Medicina: como escolher uma especialidade médica


Decidi republicar as dicas para escolha de uma especialidade médica, do meu amigo Solon Maia do Blog Meus Nervos,  para quem ainda está na faculdade ou já se formou e quer escolher uma especialidade médica. Sábias palavras...

"2016 foi o primeiro ano que vi colegas médicos desempregados. Foi o primeiro ano que vi preços dos plantões caírem. A coisa não está boa pra quem está chegando agora, e a turma está percebendo isso...
Muitos estudantes de medicina e médicos recém-formados tem me procurado perguntando quais especialidades médicas recomendo, levando em conta qualidade de vida, mercado, etc.
É uma pergunta difícil, pois nenhuma área de atuação anda realmente boa, mas eu tento responder, baseado nas minhas experiências e na forma que vejo as coisas. Ou seja: Ninguém é obrigado a concordar!
  1. Escolha uma especialidade que você goste, que lhe traga satisfação pessoal, mas leve em conta tudo que vou falar daqui em diante!!! Não façam escolhas guiados pela emoção. Raciocinem.  MOTIVO: Você pode amar certa especialidade e achar interessantíssima, MAS a depender da rotina, da ansiedade dos pacientes, do quanto outros invadirão sua área, do pouco retorno financeiro, talvez você passe a odiá-la!
  2. Escolha uma especialidade na qual o menor erro resulte rapidamente em morte ou sequela. Exemplo: Cirurgia, Anestesiologia, Ortopedia, Cardiologia intervencionista, etc. MOTIVO: Os profissionais de saúde que costumam invadir a medicina e os médicos picaretas costumam passar longe delas. Eles preferem invadir especialidades clínicas, nas quais dá pra enganar e ir levando com a barriga, com sorrisos, pilantragem e marketing.
  3. Escolha uma especialidade que tenha procedimentos. MOTIVO: Está cada vez mais difícil viver de consultas numa época em que SUS e planos de saúde pagam cada vez menos, e agora, com excesso de médico no mercado, a o preço da "consultinha" vai despencar. 
  4. Fuja da medicina estética. Prefira lidar com gente doente!  MOTIVO: O paciente que procura médicos por razões estéticas não lida bem com complicações. Uma complicação cirúrgica por causa de um câncer é muito mais aceita do que aquela resultante de um implante de silicone. Uma cicatriz no rosto por causa de uma reconstrução é muito mais aceita do que aquela resultante de um peeling.
  5. Se você não é rico, escolha especialidades nas quais não terá que gastar milhares de reais com equipamentos. Ou tenha certeza que onde vc resolver trabalhar será muito bem equipado. MOTIVO: Pode ser que você tenha que recorrer a financiamentos e seu retorno pode demorar décadas! Procure saber quanto custa um fibroscópio, endoscópio, aparelho de USG, os da oftalmo, microscópios da neurocirurgia, etc.
  6. Seja bom de serviço, especialize-se e subespecialize-se o máximo que puder! Se torne referência!
  7. Leve em conta os seguintes fatores:
  • Sua especialidade exigirá muito esforço físico? Você vai conseguir ficar horas em pé operando até quando?
  • Sua especialidade exigirá muito do seu emocional? Conseguirá ficar 12 a 24 horas anestesianto num lugar fechado, sem saber se faz sol ou chuva, se é dia ou noite?
  • Sua especialidade exigirá que você saia de casa a noite correndo para atender urgências?
  • Você terá que trabalhar muitos anos nos feriados e finais de semana?
  • Você suportará seu celular tocando dia e noite, cheio de mensagens, como ocorre frequentemente com pediatras, por exemplo?
  • Você se vê trabalhando nessa especialidade fazendo sempre a mesma coisa durante 30 anos?


     9.  Pra finalizar, aconselho que conversem com pelo menos três profissionais que já atuem na área em questão e que, se possível, fique uma semana acompanhando a rotina de um deles. Numa dessas vc pode perceber que está entrando numa fria!

Caso eu me lembre de mais alguma questão, atualizarei o post!"
Texto original escrito por SOLON MAIA

15 de jun. de 2016

Homenagem ao meu precetor de Cirurgia: Henrique Jacob Sevaybricker Filho

Uma atividade na minha especialização fez com que eu separasse uma experiência crítica na minha residência, e resolvi fazer um relato de uma situação que mostra bem o que eu admirava na equipe de Cirurgia Geral onde fiz residência, a equipe do Dr. Silvério Couto. Todos os meus preceptores me ensinaram muito mais que cirurgia, mas especialmente o Henrique, teve uma participação muito importante na minha formação.
Henrique Jacob Sevaybricker Filho


"O aspecto mais importante da minha preceptoria, como aluna, foi a presença do preceptor, no sentido de assistência sempre presente ao longo do caminho de aprendizagem.

A palavra preceptor envolve ensinar a clinicar, por meio de instruções formais e com determinados objetivos e metas, além de integrar os conceitos e valores da universidade e da prática clínica. Um preceptor em especial encarnou essa definição de maneira especial.

Um caso que me marcou sobremaneira na minha residência de cirurgia foi de uma senhora de cerca de 80 e poucos anos, que nossa equipe foi chamada para avaliar, devido à dor em hipocôndrio direito e necrose de parede abdominal. Devido às morbidades concomitantes da paciente, na corrida de leitos realizada pela minha equipe, a cirurgia foi contraindicada e optou-se pelo tratamento clínico. Essa paciente ficou sob minha responsabilidade, ou seja, eu precisaria passar todos os dias na enfermaria de clínica médica e reavaliá-la. Nessa época, um brilhante chefe de uma das enfermarias de clínica médica era muito conhecido pelo seu mau gênio e trato com seus residentes, cuja filha era residente na época, responsável pela mesma paciente e herdeira da genialidade e do temperamento do pai.

Todos os dias pela manhã eu desoladamente avaliava aquela senhora e percebia o declínio da sua condição clínica, e a residente de clínica médica também o percebia e me cobrava o tratamento cirúrgico, de uma forma muito agressiva, acusando-me de responsável pela inevitável morte da paciente. Eu saía da enfermaria arrasada emocionalmente, pois sabia que essa paciente dificilmente toleraria o tratamento cirúrgico e faleceria sem o mesmo, em decorrência da progressão da necrose de parede. “Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come”.

Eu não queria me queixar do comportamento da residente de clínica médica e também não seria “adequado” uma residente de cirurgia geral se mostrar tão susceptível e emocionalmente insegura quanto a uma decisão tomada em conjunto com os preceptores da clínica e cirurgia. Depois do terceiro ou quarto dia, não tolerando tamanha culpa, acentuada pelo bulliyng da colega, procurei meu preceptor quase aos prantos, avisando que me recusava a avaliar aquela senhora novamente.

Durante a conversa com meu preceptor, ele me explicou as nuances desse caso específico e compartilhou comigo o sofrimento que esse caso também lhe causava. Elogiou minha postura profissional e a forma como eu me portava frente ao caso, me guiou com conselhos para casos como esse, de modo a ajudar no meu desenvolvimento interpessoal, psicossocial e profissional. Foi uma das muitas vezes em que ele se mostrou Preceptor, Supervidor, Tutor e Mentor. E eu percebi que queria ser como ele.

Infelizmente a paciente veio a falecer na mesa cirúrgica. Lamentei profundamente por ela, mas aprendi com meu preceptor a melhor forma de lidar com o caso."

23 de mar. de 2015

Médicos e esgotamento profissional: saiba mais



Cada vez mais frequentes entre colegas de equipe, plantão ou consultórios, escutamos conversas com onde temas como desejo de aposentadoria precoce, mudança de país ou carreira, até sintomas da síndrome do pânico no caminho para o trabalho.  Muito pronunciadamente temos percebido isto de alguns anos para cá. Um fator que ainda não aparece nos estudos é a insatisfação com a política do Governo Federal em relação a nossa profissão! Atenção deve ser dada a sintomas como sarcasmo no tratamento com pacientes e colegas de trabalho, a impaciência e a baixa tolerância com erros ou ritmo de trabalho alheio; a irritabilidade também é corriqueira. Culpamos a vida corrida do médico, mas isso é patológico, é sintoma da Síndrome de Burnout.

A Síndrome de Burnout é consequente a prolongados níveis de estresse no trabalho e compreende exaustão emocional, distanciamento das relações pessoais e diminuição do sentimento de realização pessoal.



Ouvir de colegas e família que a Medicina ainda tem salários muito bons, que gastamos muito tempo, dinheiro, suor e lágrimas na nossa formação para desistirmos, que é só uma fase e que vai melhorar não ajuda nem um pouco. Os médicos estão insatisfeitos e sofrendo de burnout, mesmo sem o saberem.

Cerca de 40 a 60% dos Médicos apresentam níveis elevados de Burnout em qualquer fase da sua carreira profissional e os Médicos emergencistas são os mais afetados apresentando valores entre 46 a 93% segundo vários estudos. Ao contrário de outros trabalhadores, os Médicos, perante o sofrimento físico e emocional, muitas vezes não procuram ajuda, automedicam-se e, além disso negligenciam as suas necessidades quanto à saúde - 70% dos Médicos não fazem avaliações de rotina e 60% dos especialistas de Medicina Geral e Familiar não são acompanhados por um Médico. Por outro lado, a adesão dos mesmos ao tratamento prescrito pelos seus colegas é extremamente pobre, recusam, ignoram ou depreciam o seu próprio tratamento, o que contribui para uma perpetuação dos sintomas. (3) 

Os 12 estágios de burnout:
  1. Necessidade de se afirmar – provar ser capaz de tudo, sempre;
  2. Dedicação intensificada – com predominância da necessidade de se fazer tudo sozinho;
  3. Descaso com as necessidades pessoais – comer, dormir, sair com os amigos começam a perder o sentido;
  4. Recalque de conflitos – o portador percebe que algo não vai bem, mas não enfrenta o problema. É quando ocorrem as manifestações físicas;
  5. Reinterpretação dos valores – isolamento, fuga dos conflitos. O que antes tinha valor sofre desvalorização: lazer, casa, amigos, e a única medida da auto-estima é o trabalho;
  6. Negação de problemas – nessa fase os outros são completamente desvalorizados e tidos como incapazes. Os contatos sociais são repelidos, cinismo e agressão são os sinais mais evidentes;
  7. Recolhimento – aversão a grupos, reuniões – comportamento anti-social.
  8. Mudanças evidentes de comportamento – perda do humor, não aceitação de comentários, que antes eram tidos como naturais.
  9. Despersonalização – ninguém parece ter valor, nem mesmo a pessoa afetada. A vida se restringe a atos mecânicos e distância do contato social – prefere e-mails e mensagens.
  10. Vazio interior – sensação de desgaste, tudo é difícil e complicado.
  11. Depressão – marcas de indiferença, desesperança, exaustão. A vida perde o sentido;
  12. E, finalmente, a síndrome do esgotamento profissional propriamente dita, que corresponde ao colapso físico e mental. Esse estágio é considerado de emergência, e a ajuda médica e psicológica são urgentes.
Faça o teste para verificar se encontra-se em exaustão profissional: 

Tratar o Burnout apenas por um dos seus sintomas, por exemplo depressão, seria apenas paliativo, uma vez que os aspectos profissionais e organizativos presentes na síndrome estariam sendo ignorados. Deste modo, é preciso haver um diagnóstico preciso, bem quantificado, enquadrado no meio Médico a fim de pôr em prática estratégias de prevenção e intervenção e para que um tratamento mais efetivo seja ministrado. Mas o mais importante é procurar ajuda de um psiquiatra, e não optar com consultas de corredor com colegas ou a automedicação.


Fonte:
  1. A Sindrome de Burnout em Profissionais de Saúde
  2. Síndrome de burnout ou estafa profissional e os transtornos psiquiátricos
  3. SÍNDROME DE BURNOUTE a sua relação com o trabalho dos Médicos
  4. Síndrome de Burnout: um artigo que faz a diferença

28 de out. de 2014

Loja de gadgets médicos no Brasil: uma realidade possível?

Várias vezes já recebi contato de empresas estrangeiras para parcerias na comercialização de acessórios médicos para smartphones. E sempre desisti da empreitada.
Mas qual o motivo para tanto desânimo? Burocracia. Quem regulamenta o registro e comercialização de equipamentos médicos no Brasil é a ANVISA.

O processo, no caso dos acessórios para smartphones é moroso e o que nos impede é o tempo de deferimento do processo de registro e comercialização, que tornará a tecnologia obsoleta, além do que o procedimento de despacho aduaneiro é mais burocrático do que o de licenciamento do produto pela ANVISA!

Todo o processo depende da classificação do produto, que é feita baseado-se no risco que representam á Saúde. 
Levando-se em consideração os critérios para classificação de equipamentos como esfignomanômetros para iPhones, Otoscópios, oxímetros, termômetros, oftalmoscópios, etc, a maioria deles se encaixa como transitório, invasivo, ativo, com função de medição e equipamento de auto-teste. Veja quadro abaixo:

Dessa forma, a maioria desses gadgets estão na categoria III. O processo para esses equipamentos passa por registro ou certificado de livre comércio do produto no exterior a relatórios técnicos e regulamento técnico específico.

Enquanto não desburocratizamos esse processo, recomendo a vocês uma empresa sediada nos EUA, chamada Quantified Care , que tem como objetivo trazer ferramentas de ponta para uma variedade de situações clínicas:


5 de ago. de 2014

Dicas para escolher um prontuário eletrônico para sua clínica ou consultório


Recebo muitas dúvidas quanto a qual prontuário eletrônico (PEP) escolher para consultórios, clínicas e mesmo uso em dispositivos móveis.
Há alguns pontos a se considerar  antes de optar por um:

  • Compra do software ou pagamento mensal por licença de uso? Algumas empresas vendem o prontuário eletrônico (normalmente instalados na máquina do consultório) e oferecem suporte pós-venda, outras optam por pagamento mensal (normalmente na nuvem) de acordo com a quantidade de médicos e funcionários que utilizarão o produto. Há vantagens nas duas modalidades. Mas a considero o pagamento mensal uma opção melhor, já que depois de algum tempo de utilização, os profissionais já tem uma ideia mais concreta do que desejam em um PEP, e ás vezes o que está em uso já não o atende mais.  Observar se o software disponibiliza, após a recisão do contrato, a base de dados do médico com seus pacientes para download.
  • Certificado pela SBIS/CFM? Para quem não sabe o que é o processo de certificação da SBIS/CFM, aqui tem uma cartilha que é indispensável para todo médico que deseja adquirir um PEP: Cartilha sobre Porntuário Eletrônico. A SBIS - Sociedade Brasileira de Informática em Saúde- juntamente com o CFM definiram uma série de requisitos mínimos de segurança e funcionalidades que os prontuários eletrônicos devem conter, e um software certificado é garantia de privacidade e segurança dos dados dos pacientes.
  • Pretende eliminar o prontuário em papel, o que é necessário?  NGS2 do processo de certificação da SBIS/CFM determina que para eliminação do papel é necessário a utilização do certificado digital (CRM Digital)  no padrão ICP-Brasil, portanto o PEP deve ser certificado no NSG2.
  • Deseja acesso por tablets ou smartphones ao PEP? Essa é uma questão importante, mas a maioria dos prontuários eletrônicos dá somente acesso a agenda e ver alguns dados do paciente, e não acesso a todas as funcionalidades do PEP. Isso ocorre pois ainda não há regulamentação, principalmente de segurança, dos aplicativos móveis. Há lguns prontuários desenvolvidos para dispositivos móveis, porém ainda sem regulamentação.
  • Mas qual é bom? O conceito de qualidade é uma percepção individual. O que torna um prontuário bom na opinião de um médico, não é o mesmo que o torna para outro profissional, para o gestor, para o profissional de TI, para o desenvolvedor... Necessidades e expectativas influenciam diretamente nesta definição. Mas um ponto importante é se a empresa oferece suporte técnico pós-venda, e treinamento - o que é um diferencial na utilização dos prontuários eletrônicos.


E não há prontuário eletrônico ideal. São diversas soluções que devem ser analisadas para atender bem às demandas e expectativas dos profissionais de saúde.
Fiquem a vontade para postarem dúvidas e questionamentos, ou entrar em contato por email: contato@timedicna.com.br

25 de jul. de 2014

Porque todo prontuário eletrônico é ruim?

Uma queixa frequente que escuto é que todo prontuário eletrônico é ruim. Por que isso ocorre e o que podemos fazer para melhorar essa constatação?

Uma das variáveis quando se avalia que um prontuário eletrônico é ruim é a qualidade. Mas qualidade é uma percepção individual. O que torna um prontuário bom na opinião de um médico, não é o mesmo que o torna para outro profissional, para o gestor, para o profissional de TI, para o desenvolvedor... Necessidades e expectativas influenciam diretamente nesta definição.

"Qualidade é um conjunto de características de desempenho de um produto ou serviço, que em conformidade com as especificações, atende e, por vezes, supera as expectativas e anseios do consumidor/cliente."

Portanto, um prontuário eletrônico que tenha a maioria dos campos estruturados, ao invés de campo de texto livre, não se adapta bem ao processo de trabalho do médico, pois a medicina ainda é uma das poucas profissões onde a autonomia de conduta e processo de trabalho é mantida, assim cada profissional tem a "sua forma" de realizar seu atendimento. Informação estruturada é de extrema valia para recuperação posterior da informação, assim como a análise pelos sistemas de informação (Data Warehouse). Atualmente a análise da informação de registros eletrônicos é uma condição essencial par a gestão e a melhoria nos cuidados dos pacientes.

Na Informática em Saúde, padronizações, requisitos técnicos e interoperabilidade são sinais de qualidade. Na medicina, as variáveis são tantas, que a padronização nunca pode ser empregada sem várias ressalvas. E isso repercute diretamente na percepção que o médico tem de algo que interfere e atrapalha seu processo de trabalho, mesmo que imprescindível, mandatório e essencial, como o registro de seu atendimento.


Mas como melhorar a percepção dos médicos de qualidade dos prontuários eletrônicos e ainda manter a recuperação de dados para informação de qualidade na saúde? 

Uma solução seria empregar a mineração de dados (dados estruturados) e a mineração de texto (notas clínicas em texto livre) nos prontuários eletrônicos. Se o Google faz isso com a informação na internet, por que não podemos ter esse tipo de ferramenta em prontuários eletrônicos? 

Mineração de dados (data mining) e texto (text mining) é feita por meio de algorítimos que buscam a informação desejada nos registros eletrônicos. São usadas mais comumente em pesquisas e em alguns sistemas de apoio a decisão médica. Um exemplo interessante de como isso foi empregado pode ser visto em um artigo da BMJ (British Medical Journal), Inglaterra, que aplicou a técnica de data minig em cerca de 300.000 registros eletrônicos para detectar pacientes que deveriam ter sido submetidos a propedêutica para câncer de intestino, com base em PSOF + (pesquisa de sangue oculto nas fezes positivo), anemia e hematoquesia. Algoritmos de mineração de dados identificaram 1.048 casos de atraso ou falta de acompanhamento de resultados anormais anualmente e 47 casos de câncer colorretal. 

O interessante é que a aplicabilidade dessas técnicas não depende da estrutura do prontuário eletrônico, se está em campos estruturados ou em texto livre. A recuperação da informação pode ser realizada em resultados de exames, notas clínicas, prescrições, etc. Outro aspecto importante é a inclusão de negativas como "nega hematoquesia", ou seja, exclui pacientes que inicialmente seriam incluídos  no escopo devido a palavra hematoquesia no prontuário eletrônico.

O futuro aponta muitas soluções para agregar qualidade aos prontuários eletrônicos e satisfazer as expectativas e anseios dos médicos em relação a sua usabilidade e melhora no cuidado clínico do paciente. E aí, desenvolvedores, vamos pensar a respeito?

Porque todo prontuário eletrônico é ruim? é um post original do TI Medicina. Quando copiá-lo, adicionar os devidos créditos.

16 de set. de 2013

A gestão pública do SUS e o telemonitoramento a distância de feridas por smartphones


Há cerca de seis meses entreguei um projeto de telemedicina na UPA Barrreiro para que os pacientes do PAD (Programa de Atenção Domiciliar) da PBH não precisassem ser deslocados do domicílio para avaliação de feridas, já que a grande maioria é acamada e necessita de transporte sanitário.
O custo do projeto consistia em usar smartphones e o Whatsapp com envio de fotos.
Por tratar-se de um projeto de fácil implantação e de custo ZERO, que englobaria tecnologias de uso cotidiano (smartphone com envio de imagens) e que evitaria deslocamentos desnecessários de pacientes já debilitados á UPA, seria de grande benefício tanto ao usuário quanto às equipes envolvidas.
A resposta que recebi da Sra. Cristiane Hernades (GEUG) foi que já havia um projeto com smartphones fornecidos pelo Ministério da Saúde e que já havia um piloto em andamento nas EMAD Oeste e Noroeste e na EMAP. Já se passaram seis meses e até hoje não tivemos notícias desse projeto.


Tenho 2 críticas:
Primeiro é a burocracia do serviço público. Daqui a 2 anos quando já tiverem análise do projeto piloto e retornarem ao Ministério da Saúde os resultados, e se houver bons resultados como a mHealth Evidence já tem mostrado (final do texto), as licitações e os outros processo burocráticos trarão para o usuário final uma tecnologia e processos obsoletos. Tal morosidade em tempos de internet e tecnologia móvel é impensavel hoje em dia.
Segundo: tentar melhorar o serviço público de baixo para cima, ou seja, com iniciativas provenientes dos servidores é um tarefa impossível. Isso faz com que nós, funcionários públicos, fiquemos cada vez mais limitados a "nossa obrigação". Essa gestão do Ministério da Saúde e a gestão da Prefeitura de Belo Horizonte na Saúde é extremamente centralizada  e verticalizada, não permitindo nem estimulando seus funcionários a melhoria tanto do ambiente de trabalho quanto dos processos de trabalho. Uma pena.

Para quem se interessar, alguns artigos da mHealth Evidence sobre feridas e tecnologia móvel:
Teleconsultation by using the mobile camera phone for remote management of the extremity wound: a pilot study.

17 de ago. de 2013

Dica de Medicina: eBook de fotografia grátis para iPad - CUIDAR

 Em tempos onde vemos nosso governo com o intuito de colocar o peso das mazelas do povo brasileiro no ombro dos médicos, ou melhor, na falta deles, descubro uma obra para iPad que me toca no ponto exato porque ainda atuo na minha profissão.
"O universo do cuidar é muito mais abrangente que o do curar. Podemos não curar sempre, mas sempre podemos cuidar e diminuir o sofrimento."(Camargo & Lopes em Cuidados paliativos para a criança com câncer)



O eBook CUIDAR é o resultado da expedição do fotógrafo André François pelas cinco regiões do país, este livro traz sensíveis imagens que documentam os desafios e conquistas de equipes de saúde em diferentes realidades brasileiras. 

O fotógrafo revisitou as mais de 25 mil imagens produzidas para o livro impresso. Além das fotografias, o leitor poderá asssistir a vídeos inéditos com entrevistas do autor, making-off do projeto, além de curiosidades das histórias retratadas.

 É lindo e emocionante.




André François :  “perceber o mundo em que se vive é o primeiro passo para modificá-lo”, o fotógrafo constrói desde 2005 um abrangente caleidoscópio de imagens sobre a saúde, registrado nos livros: Cuidar – Um documentário sobre a medicina humanizada no Brasil (2006), A curva e o caminho – Acesso à saúde no Brasil(2008) e Escolher e viver – Tratamento e qualidade de vida dos pacientes renais crônicos (2009). Em consequência dos trabalhos realizados, André recebeu importantes prêmios, como o primeiro lugar da Fundação Conrado Wessel, em 2008. No ano seguinte, a Coleção Pirelli/Masp de Fotografia adquiriu imagens de seu portfólio e o homenageou com uma sala especial.
Em paralelo, André François realiza o Projeto Vida, trabalho mundial que discute a importância da promoção de saúde e da qualidade de vida para diferentes culturas. O projeto conta com a cooperação da Organização das Nações Unidas (ONU), da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), dos Médicos Sem Fronteiras, dos Expedicionários da Saúde, da Cruz Vermelha, entre outras organizações. Dessa forma, André segue seu caminho para a construção de novas pontes, transforma o que aprende em instrumento de trabalho e nos traz o melhor de cada história.

App CUIDAR para iPad
Idioma: português e inglês
Preço: GRATUITO
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