16 de set de 2016

Alertas em Prescrições e Farmacogenômia

Esse post é parte da palestra Inteligência artificial e Big Data na prática clínica, que apresentei no CBC- Vitória. A farmacogenômica é a área que estuda a alteração no metabolismo das drogas pela expressão de alguns genes, ou seja, com o tempo a seleção de drogas terapêuticas deverá ser substituída por seleção de pacientes nos quais uma determinada droga seria eficaz.
Nos EUA, o FDA já conta com mais de 100 drogas que tem seu efeito modificado na presença de alguns genes:
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A IGNITE, rede de pesquisa com o objetivo de incorporar informação genômica na prática clínica, conta com seis Universidades ligadas a centros hospitalares, cada um desenvolvendo um tipo de pesquisa diferente.  Vanderbuilt University, no Tenesse, usa prontuário eletrônico desde 2001, retirou a identificação dos pacientes do prontuários eletrônicos e criou um banco de dados que hoje conta com mais de 2 milhões de registros clínicos, destinados a pesquisa! Incluem dados de anamnese, prescrição, exames, reações adversas, interação medicamentosa, dados demográficos e muito mais.

Em 2005, eles tiveram a ideia de pegar amostras de sangue de exames laboratoriais que seriam descartadas e transformá-las em um banco de DNA, chamado BioVU. Os pacientes que aceitam doar suas amostras e participar do banco, assinam um termo de consentimento. A aceitação de uma amostra dispara o programa de criptografia para atribuir um número de identificação único para a pesquisa da amostra, assim as amostras de DNA não são identificadas.Hoje já são mais de 180.000 amostras de adultos e mais de 12.000 crianças, são 800 amostras cadastradas por semana atualmente. O BioVU é ligado ao banco de registros eletrônicos não identificados da Universidade Vanderbuilt.
 
Já imaginaram tudo que poderíamos pesquisar no acesso a esse banco de dados? Por exemplo, lá consta que desde 2001 foram 230 vítimas de mordida humana. Penso na quantidade de informação que eu poderia pesquisar com esse dado: resposta terapêutica ligada à idade, comorbidade, diferentes evoluções associadas a resultados de exames laboratoriais iniciais...

Mas voltando ao banco de dados Vanderbuilt e BioVU, nas prescrições de pacientes surge um alerta quando o paciente possui um determinado fenótipo que interfere no metabolismo de alguma droga específica. Vejam o exemplo do Clopidogrel:

Pacientes que tem o genótipo  CYP2D19 não metabolizam bem o Clopidogrel, por isso podem ter eventos tromboembólicos usando essa medicação. O programa oferece 2 opções, Prasugrel ou Ticagrelor, com suas respectivas contraindicações e precauções.

Acho que o futuro a medicina estará muito voltado para a medicina de precisão, onde a droga certa será prescrita para o paciente certo, na hora certa. 

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