1 de ago de 2016

Profissionalização da Preceptoria Médica: uma necessidade?

Estou fazendo a Especialização em Preceptoria Médica do SUS do Hospital Sírio Libanês/Ministério da Saúde e dentre muitas discussões interessantes uma delas se destacou esse mês: O modelo atual da Residência Médica atende os residentes?

Fiz residência em Cirurgia Geral e Coloproctologia há uns 20 anos e sempre achei que foram excelentes. Um período de aprendizado muito importante e de extrema valia. Aprendíamos pelo exemplo, observando nossos preceptores. 

Agora, na especialização fomos levados a questionar nossa experiência na residência e comparar com o que está sendo transmitido no curso. Há um artigo muito interessante (no final), onde o pesquisador entrevista 16 preceptores em um hospital para definir o papel do preceptor, comparando as falas com as referências na literatura. 

Procurei também artigos que mostrassem o ponto de vista do residente na crítica ao modelo atual, mas só achei papers que questionavam remuneração, condições de trabalho e carga horária. Outros aspectos da residência não foram mencionados.

Das definições das competências dos preceptores, separei as que eu considerava que poderiam ser mais comuns em residências atuais:
  • Ausência de formação ou limitação da capacidade pedagógica do preceptor;
  • Os preceptores não explicam as intencionalidades educacionais específicas nos procedimentos, discussão de casos, etc;
  • Atuação somente no hospital, sem outros cenários de aprendizagem (urgência, ambulatório, etc);
  • Ausência de supervisão adequada e procedimentos pelos preceptores;
  • Ausência de feedback do preceptor ao residente quanto a sua aprendizagem no processo;
  • Ausência de discussão dos comportamentos e atitudes do residente em apsctos morais e bioética.

Resolvi fazer uma enquete (aqui também) no Facebook  (Grupo Estudantes de Medicina do Brasil) para testar se os residentes tinham alguma noção das deficiências de sua residência:

Não para minha surpresa, pois eu também não tinha essa percepção anteriormente, a totalidade de quem respondeu se preocupou quase que exclusivamente com  remuneração, condições de trabalho e carga horária. 

E então? Está satisfeito com sua residência nos aspectos educacionais? Ou acha que aprendemos mesmo é pelo exemplo?

1. Botti SH de O, Rego ST de A. Docente-clínico: o complexo papel do preceptor na residência médica. Physis Rev Saúde Coletiva [Internet]. 2011;21(1):65–8. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-73312011000100005


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