12 de jul de 2009

Falta de comprometimento é crônica

Coincidentemente, depois de ter escrito o post anterior, achei algo que concorda parcialmente com minhas suposições. Leia abaixo:
por Luciana La Fortezza no Jornal da Cidade de Bauru
O acesso à informação e a insistente divulgação pela mídia das mazelas da assistência médica no Brasil estão entre os fatores que estimulam pacientes a processar com maior freqüência médicos e hospitais por imperícia, imprudência ou negligência. Na defensiva, muitos especialistas encontram estratégias para evitar comprometer-se com o paciente, especialmente no atendimento público.
Um profissional, por exemplo, capaz de atender uma pessoa com o braço fraturado, por não ser ortopedista, prefere encaminhá-lo a outro serviço, mesmo que o caso seja de simples resolução. O contexto foi citado pelo médico Luiz Antonio Bertozo Sabbag, diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde. A situação atenta contra a relação médico-paciente que, por sua vez, provoca uma postura diferenciada por parte de quem depende de assistência médica.
Atualmente é comum o paciente mal explicar o problema que lhe acomete e logo exigir alguns exames. “Não tem aquela relação de confiança e fica cobrando exames. E o médico também, por falta de segurança, pede todos os exames que o paciente quer. A pessoa fica dançando. Faz um exame aqui, outro ali, não consegue passar pela mesma pessoa. Aí o outro que olha diz que não é bem assim, manda passar por um terceiro e vira uma via sacra”, admite.
O diretor do departamento enxerga a tecnologia como grande aliada, mas também atribui a ela o desgaste na relação entre médico e paciente.
“Os avanços tecnológicos levam ao surgimento e novas especialidades, provocam progressiva dependência do médico a técnicas e recursos sofisticados. Esses progressos vêm promovendo transformações na conduta dos profissionais e em especial na sua aprendizagem. Cada vez mais diminui a atenção ao apurado exame físico”, acrescenta estudo sobre o perfil dos médicos no Brasil, realizado pela Fundação Oswaldo Cruz.
De acordo com ele, as transformações pelas quais passa a medicina também são provocadas pela falta de autonomia decorrente do assalariamento progressivo e da interferência das políticas de saúde na dinâmica do mercado.
Fragmentação do corpo
A fragmentação do corpo para a medicina não é algo recente. Remonta ao século 17, informa o antropólogo Cláudio Bertolli, estudioso do assunto. Mas o que era um discurso científico na época, transformou-se em cultura geral. Também mudou com o tempo a relação médico-paciente na classe alta.
Atualmente, tem cirurgião plástico que não consegue dialogar com o paciente tamanha a imposição feita por quem o procura. “Já vai com a quantidade de silicone a
colocar nos seios, o modelo do nariz. Mesmo que o médico se oponha, procura outro. A subordinação ao médico mudou”, comenta.
A relação médico-paciente ainda é algo exclusivo às classes mais abastadas. É assim desde a época do médico de família. “Na primeira metade do século 20, uma consulta com ele custava três dias de trabalho de um profissional não especializado”, finaliza.
Porém, discordo que a quantidade de exames pedidos hoje banaliza o exame físico e que a tecnologia atrapalha na relação médico-paciente. A quantidade de exames é "um seguro contra processos de erro médico". O juiz geralmente não entende porque um exame não foi solicitado, se estava disponível.
E discordo principalemente quando ela afirma que a relação médico-paciente é algo exclusivo às classes abastadas. Eu atendo somente SUS, e prezo minhas relações médico-pacientes e assim como eu, a maioria dos meus colegas na prefietura de BH e de Contagem.

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