14 de jan de 2015

CFM, conhecimento colaborativo em Medicina e as mídias sociais

No CBIS 2014 (Congresso Brasileiro de Informática em Saúde), assisti a um Talk Show "A Expectativa dos Conselhos em Relação ao eSaúde", do qual compareceu somente um representante do CFM, o Dr. Gerson Zafalon Martins, conselheiro no CRM- PR, onde seriam discutidos aspectos da e-Saúde como uso de redes sociais, prescrição eletrônica, telessaúde, etc... Os conselhos de Farmácia, Ododtologia e Enfermagem não mandaram representantes.

Houve momentos louváveis e outros, no mínimo, contrangedores, e ainda outros de desalinhamento do CFM em relação ás novas tecnologias. Nessa apresentação, o conselheiro Dr. Gérson criticou algumas posturas médicas em redes sociais, como por exemplo, o vídeo de uma cirurgia do HU de Londrina que caiu na rede (um absurdo tanto a quantidade de expectadores na sala de cirurgia, quanto a divulgação do vídeo) e uma postagem do Instagram de um jovem médico afirmando que não fez pneumotórax durante uma punção de acesso  venoso central. 
Slide da apresentação "A Expectativa dos Conselhos em Relação ao eSaúde"
Achei louvável, já que alguns profissionais não tem noção de ética quando postam como médicos em redes sociais. Falta a iniciativa, como da Ordem Médica da Espanha, de fazer um manual ético para o uso de redes sociais Manual de Ética em Redes Sociais para Médicos e Estudantes de MedicinaAinda louvável foi a iniciativa de reavaliar a posição do conselho em relação a telemedicina em situais especiais. A perícia médica já pode ser realizada por meio eletrônico, e a teleradiologia nem sempre exigirá a presença de um médico para receber o resultado na outra ponta do radiologista.

Slide da apresentação "A Expectativa dos Conselhos em Relação ao eSaúde"
Embaraçosa foi o desconhecimento do que é prescrição eletrônica, e como é usada. O conselheiro não entendia o objetivo da prescrição eletrônica, que é assinada digitalmente e enviada por meio eletrônico á farmácia. O Dr. Claudio Giulliano Alves da Costa foi muito elegante e contornou bem a situação.

E finalmente, momentos onde o desalinhamento do CFM com o uso de novas tecnologias para compartilhamento de conhecimento médico se torna evidente é quando o conselheiro pergunta por que alguém quereria discutir casos online. 

Pois informo ao CFM que essa prática se tornou comum na classe médica, onde o paciente não se importa com a privacidade de seus dados, consentindo que tiremos fotos e gravemos vídeos, enviando a outros colegas pelos whatsapp  (já há grupos de discussão de casos pelo whatsapp) ou postando em grupos SÉRIOS,  de discussão de casos no facebook. Esses grupos são coordenados por professores universitários, preceptores de residência e médicos de renome que tem como característica comum a GENEROSIDADE com o compartilhamento de conhecimento médico.

E aí, CFM? Não está na hora de formar grupos para normalizar o uso de redes sociais na Medicina??


Leandra Carneiro é médica inscrita no CRMMG e usuária assídua do Facebook, Twitter, Linkedin, Instagram para a divulgação de conhecimento médico e tecnológico. CFM, conhecimento colaborativo em Medicina e as mídias sociais é um post original do TI Medicina.

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