10 de fev de 2010

telemedicina no Haiti


No desespero logo após o terremoto que atingiu o Haiti no mês passado, médicos voluntários estrangeiros usaram dispositivos improvisados e de pouca tecnologia para consultas e coordenação dos esforços de salvamento.
No entanto, médicos americanos estão passando para tecnologias mais sofisticadas a fim de ajudar a melhorar a saúde pública no Haiti, um dos países mais pobres do mundo.

"Estamos nessa até o fim", disse Scott C. Simmons, cujo título na Faculdade Miller de Medicina da Universidade de Miami é de diretor de tele-saúde.

A tele-saúde, mais conhecida como telemedicina, é um desdobramento do programa espacial; foi desenvolvida pela Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço na década de 1960 para servir aos astronautas.
Na versão ao vivo e em tempo real, ela envolve uma conexão por vídeo entre o paciente e um médico ou outro profissional de saúde num hospital ou consultório. Às vezes, um médico ou enfermeiro em determinado local consulta um especialista em outro local via telemedicina.
Na tenda hospitalar com 240 leitos da Universidade de Miami, armada perto do aeroporto de Porto Príncipe, Haiti, onde cirurgiões voluntários dos Estados Unidos realizaram mil operações desde o terremoto de 12 de janeiro, médicos logo poderão consultar, via satélite, especialistas em Miami e outros centros médicos, disse Simmons, engenheiro que ajudou a desenvolver a telemedicina portátil para naves espaciais da NASA.
A conexão por satélite deve oferecer largura de banda para consultas de telemedicina; enquanto isso, o hospital de campanha no Haiti está improvisando com conexões à internet em alta velocidade doadas por um filantropo de Miami e conexões pelo Access Haiti, uma rede sem fio regional ligada pela vizinha República Dominicana. O hospital também está recebendo ajuda de uma rede de operadores de rádio amador voluntários, como Jack Satterfield, pescador de St. Petersburg, Flórida, que ajudou a colocar um recém-nascido (o menino tinha apenas um dia) que corria risco de vida no navio hospitalar da marinha. "O médico deles falou com nosso médico" através do sistema de rádio militar para amadores, disse Satterfield.
O navio, chamado de Comfort, parte do Comando Sul das forças armadas americanas, tem 82 médicos e 136 enfermeiros. O capitão Miguel Cubano, cirurgião geral do comando, disse estar em "discussão para estabelecer uma presença de longo prazo no Haiti".Entre outras coisas, disse Cubano, o navio poderia fornecer consultas de telemedicina com o Center for the Intrepid, um hospital militar de reabilitação em San Antonio.
O navio não é um estranho para o Haiti. O Comfort já ofereceu assistência após o furacão do ano passado. "O Haiti era uma prioridade para nós antes do terremoto", disse Cubano, que também é cirurgião. O Southcom, como é chamado o Comando do Sul, tem parceria em tecnologia avançada com a Universidade de Miami.
Dra.Anne E.Burdick, reitora associada de tele-saúde e alcance clínico da Faculdade Miller, afirmou que o programa da universidade poderia ser "um centro para conectar pacientes haitianos a fornecedores de assistência à saúde em vários programas de telemedicina americanos por todo o país".
Num teste com o Comando do Sul, disse Burdick, a faculdade usou teleconferência ao vivo para conectar pacientes de transplante de rim na Guiana a uma equipe cirúrgica do Walter Reed Army Medical Center, em Washington.
John Linkous, diretor executivo da Associação Americana de Telemedicina, afirmou que muitas vezes era difícil convencer médicos ocupados a ficar muito tempo em países em desenvolvimento. No entanto, depois de uma visita, eles muitas vezes estão prontos para ajudar através de consultas de telemedicina. As sessões de vídeo são muitas vezes preparadas com antecedência com um sistema de mensagens segura pela internet, incluindo fotos, raios-x e relatórios de patologias. Frequentemente, toda a troca de informações é feita pela internet e as respostas são enviadas em poucas horas.
Dr.S.Ward Casscells, cardiologista de Hudson que já foi assistente da secretaria de defesa para questões de saúde no governo do presidente George W. Bush, observou que a telemedicina se tornou mais simples e menos cara na era da internet e celulares modernos.
Casscells pediu que os militares deixassem no local os equipamentos de telemedicina quando a catástrofe se acalmar no Haiti e treinassem pessoas locais para usá-los.

© 2010 New York Times News Service Tradução: Gabriela d'Avila

Postagens populares