30 de mar de 2011

Tecnologia da Informação na desinstitucionalização de pacientes psiquiátricos

Um projeto desenvolvido no Laboratório de Interação Avançada (LIA), do Departamento de Computação (DC) da UFSCar, foi aprovado na chamada pública do Instituto Microsoft Research-FAPESP de Pesquisas em TI. A pesquisa, coordenada pela docente do DC Júnia Anacleto, tem como foco o desenvolvimento de soluções de apoio ao processo de desinstitucionalização de pacientes psiquiátricos, ditado por leis brasileiras.

O projeto "Um ambiente culturalmente contextualizado para a interação natural e flexível de apoio ao processo de ressocialização em um contexto hospitalar para pacientes crônicos" atuará no desenvolvimento de novas formas de interação, denominadas "Natural User Interfaces" (NUI), que permitem a interação entre o profissional de saúde e o paciente, usando voz, movimentos, audição, telas sensíveis ao toque, ambientes inteligentes e dispositivos móveis interativos. O projeto conta com a colaboração de pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e da Universidade de British Columbia.

O foco da proposta é a adoção de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), apoiando o processo de transição de desinstitucionalização e integração dos pacientes para a sociedade. Junia explica que o projeto procura verificar como as TIC podem melhorar a interação natural de profissionais de saúde com seus pacientes. "No espaço do hospital e seu entorno é necessário investigar como os sistemas interativos baseados em TIC podem prover uma forma mais natural, ambiental e integrada de interagir, oferecendo melhores ferramentas e dispositivos compartilhados de apoio à execução de tarefas, ajudando-os no desafio de acompanhar e assistir os pacientes, potencialmente permitindo um processo mais suave de transição dos pacientes para a sociedade, o que é nosso foco principal, e também obrigatório por lei no Brasil", afirma.

Junia salienta que o desenvolvimento e adoção de novas ferramentas computacionais podem contribuir tanto para o trabalho dos profissionais da saúde, como também para os pacientes, que poderão desenvolver suas habilidades de ressocialização junto à comunidade. "Prevemos que a adoção das NUI, no design adequado das ferramentas computacionais para o profissional de saúde e os pacientes, será útil para qualquer grupo que tenha déficits de socialização, quer devido a distúrbios neurológicos, distúrbios de aprendizagem ou falta de estímulo adequado. Isso será um marco nas pesquisas em TIC, podendo ser a alavanca para estabelecer NUIs como o novo paradigma de interação com a tecnologia, diferente do mouse e teclado que impera hoje", afirma.


O Instituto Microsof Research Fapesp é uma iniciativa para apoiar projetos de pesquisa em Tecnologias de Informação e Comunicação propostos por pesquisadores associados a universidades e institutos de pesquisa no Estado de São Paulo. O objetivo é formar uma rede de pesquisadores capazes de criar novos conhecimentos que contribuam para expandir as capacidades da tecnologia de computação para atender mais e melhor os desafios sociais e econômicos de comunidades desfavorecidas, rurais e urbanas.

Mais informações sobre o projeto desenvolvido na UFSCar podem ser obtidas pelo e-mail junia@dc.ufscar.br.

Leia a matéria na íntegra no FarolCom

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