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27 de mar. de 2020
12 de nov. de 2019
Colega Médico: considerações sobre Audiência Pública sobre a Telemedicina - Parte III
Sou médica, com residência em Cirurgia Geral e especialização em Coloproctologia e também em Informática em Saúde, e entusiasta da tecnologia na Medicina. Gostaria de discutir alguns aspectos, que vou listar abaixo:
POR QUE NÃO FOI FEITA AUDIÊNCIA PÚBLICA ANTES DA REGULAMENTAÇÃO?
Como parte da classe médica e como estive envolvida durante mais de um ano na diretoria da SBIS (Sociedade Brasileira de Informática em Saúde), não vi debates com a classe médica, não vi audiência pública. Tenho que concordar com o Dep. Dr Luiz Ovando que afirma suspeita de viés no processo; que houve pressa em regulamentar, sem na realidade dar, á comunidade médica, os subsídios como manuais de normas e certificação dos softwares (veja aqui) que realizariam as consultas de telemedicina. E imediatamente as empresas de saúde divulgaram o serviço, mesmo sem os manuais de normas ou os requisitos para certificação.
QUAIS AS ESPECIALIDADES ONDE A TELEMEDICINA PODE SER EFETIVA? EXISTE ALGUMA ESPECIALIDADE ONDE NÃO É?
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AMA - Which medical specialties use telemedicine the most? |
Na resolução 2227/2018 do CFM não há menções às especialidades menos afeitas à telemedicina. Como exemplo, a Pediatria e a Coloproctologia, duas especialidades muito dependentes da habilidade médica. Se a presença do médico só é necessária em uma ponta, a mãe da criança filmará a garganta e o ouvido do paciente, ou fará a ausculta com um estetoscópio eletrônico? O paciente exporia a área anal à câmera? Uma enfermeira faria a retossigmoidoscospia como já vi em artigos científicos? Como fica a responsabilização em caso de erro médico por exames que deixaram passar uma lesão? Seria permitido a um outro profissional de saúde usar um transdutor de ultrassom e o ultrassonografista ver a imagem via telemedicina, já que enfermeiros podem fazer a retossigmoidoscopia em outros países?
É evidente que a telemedicina é extremante benéfica na Psiquiatria, na dermatologia na radiologia... Mas e onde não há evidências da sua efetividade? O CFM foi omisso neste aspecto.
SERIA PERMITIDO ÀS OPERADORAS DE SAÚDE, MUNICÍPIOS E ESTADOS TEREM SOMENTE ESPECIALISTAS VIA TELEMEDICINA?
Penso que uma ideia que já deve ter sido aventada pelos gestores da saúde suplementar e da saúde pública é que a quantidade de especialistas presenciais poderia ser extremamente reduzida. Um especialista ficaria encarregado de realizar uma primeira consulta, presencial, que funcionaria como uma triagem, pediria exames e o restante dos atendimentos seriam via telemedicina. Eu, como muitos médicos, imagino o cenário onde nossos colegas recém formados se sujeitariam a esse tipo de atendimento, por imposição do mercado. O CFM foi omisso neste aspecto também.
COMO DEFINIDO PELO CFM, A PRIMEIRA CONSULTA TINHA QUE SER PRESENCIAL.
O CFM também deixou a desejar nesse quesito. O retorno, por telemedicina, teria que ser com o mesmo médico que atendeu da primeira vez na especialidade? Ou outros médicos poderiam fazer o retorno por telemedicina se o paciente já tivesse se consultado na especialidade? Pois essas brechas na regulamentação permitem que saúde suplementar e pública definam como passíveis de telemedicina, todos os pacientes que alguma vez já se consultaram na especialidade. Como empresas de saúde estão divulgando serviços de médicos 24 horas por telefone, se o médico que fará o atendimento nunca atendeu o paciente?FALTA DE PRONTUÁRIO ELETRÔNICO, CONECTIVIDADE, FALTA DE LETRAMENTO DIGITAL...
Trabalho em Belo Horizonte (6º maior município do Brasil) e Contagem ( 2ª cidade de Minas com maior Índice de Desenvolvimento Econômico) como médica. Em nenhum dos dois há prontuário eletrônico onde trabalho, até hoje é EM PAPEL, PASMEM !! Imagina no interior do país. E o CFM vem falar em telemedicina? Infelizmente a telemedicina ainda é a cereja do bolo, sendo que nem o bolo temos!!!
Por favor, deixem nos comentários as limitações do seu trabalho, suas críticas quanto a telemedicina, ou suas boas experiências onde trabalham com a assistência remota. Gostaria de saber a opinião de vocês.
Parte I e Parte II
Se quiser saber mais sobre a resolução que foi suspensa, leia:
Telemedicina e as discussões médicas após a Resolução CFM no 2.227/2018 - parte 1
Colega Médico: como foi a Audiência Pública sobre a Telemedicina - Parte II
APRESENTAÇÕES
O Prof. Dr. Chao Lung Wen, chefe da Disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e membro da Câmara Técnica de Informática em Saúde do Conselho Federal de Medicina, falou sobre quebra de paradigmas. Ele "não descarta que 10% (dos atendimentos) necessitem de atendimento presencial, mas há uma grande maioria (de pacientes) que são desassistidos". Alemanha, Reino Unido, Portugal e recentemente a Colômbia estão publicando projetos de regulamentação da telessaúde. Estes países enxergam a telemedicina não como um substituto à medicina, mas como um braço para estender o atendimento e acelerar a forma de atendimento. Afirma que o Whatsapp não é telemedicina pois não é HIPAA complience.![]() |
| Apresentação do Prof. Dr. Chao Lung Wen |
A Medicina associada a Telemedicina se torna a Medicina Conectada, com o propósito de melhorar o fluxo da saúde e não apenas a substituição. Esclarece que a telemedicina não é uma ferramenta, mas um método. Existe uma diferença entre uma telechamada e a telemedicina. Nesta há uma propedêutica, com raciocínio investigativo, com registro das condutas. E como método de abordagem não presencial, é necessário o ensino e aprendizagem nos cursos de graduação.
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| Apresentação do Prof. Dr. Chao Lung Wen |
Esclarece que telemedicina não é somente um computador e uma câmera, mas um conjunto de recursos como dermatoscópios, ECG e transdutores para Ultrassonografia para smartphones e muito mais.
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| Apresentação do Prof. Dr. Chao Lung Wen |
Reforça a necessidade de um curso de no mínimo 80 horas na graduação, que foque principalmente nos aspectos éticos da telemedicina e almeja uma Ecossistema de Saúde Conectada como no slide abaixo.
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| Apresentação do Prof. Dr. Chao Lung Wen |
A Dra Adriana da Silva e Sousa, representante do Ministério da Saúde, diretora do Departamento de Saúde Digital (DESD) da Secretaria Executiva do MS, falou sobre a recente criação do DESD, há 5 meses e suas diretrizes, como coordenar a implantação e a expansão de iniciativas nessa área que já existem dentro do sistema de saúde, como a telessaúde. Falou das prioridades- Apoio a a Regulação, Consultoria, Diagnóstico, Apoio a Inovação em Saúde e Monitoramento. Na teleregulação há iniciativas como o Regula + Brasil, que tem omo objetivo de reduzir as filas de atendimento no SUS; teleconsultoria síncrona ou assíncrona; telediagnóstico; emissão de laudos à distância; monitoramento as distância.
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| Apresentação da Dra Adriana Sousa |
INTERVENÇÕES
Dep. Flávia Morais, gestora, fala da necessidade dos médicos de se reinventar na telemedicina, com o objetivo de melhorar o acesso dos pacientes aos cuidados. Questiona sobre o que fazer para vencer as resistências e viabilizar a medicina conectada.
Já o Dep. Dr Luiz Ovando, médico, ficou frustrado com as apresentações, que não abordaram o âmago do problema, a questão médica em si. Entende que a medicina intensiva, sua especialidade, baseia-se muito em observação dos parâmetros nos monitores e nas diretrizes de tratamento; a dermatologia é muito auxiliada na teledermatologia onde o equipamento aumenta a resolução da imagem muito mais que a lupa na beira do leito; na radiologia os laudos são feitos em casa; o mesmo com laudos de ECG. Mas quando não há o médico na ponta, só o médico na central, como fazer com um paciente pediátrico, onde a mãe terá que fazer a semiologia? Refere que não há médicos da família devido a superespecialização da medicina e assim a maioria dos casos são encaminhados da atenção básica para atenção secundária- uma falha na formação médica. Levanta brilhantemente a questão da resolução 2227 do CFM, que não foi discutida amplamente, e quando foi publicada, as empresas médicas disponibilizaram rapidamente o serviço, mostrando que havia tendência (viés), e que a intenção era enriquecer financeiramente as empresas que já tinham essa situação na mão. Alerta ainda que é necessário experiência, e que quem estará atrás da tela do computador provavelmente é o médico jovem.
A Dep. Dra. Soraya Manato, ultrassonografista, que não assistiu as apresentações, preocupa-se com médicos, que atualmente, não querem tocar nos pacientes, não examinam e pedem exames complementares. Questiona a formação médica atual, baseada na propedêutica. Acha que a telemedicina vai acabar com a carreira médica, sendo substituídos por enfermeiros e posteriormente pela máquina.
O Dep. Dr. Jaziel, ginecologista e obstetra, relata que a tecnologia agrega, mas temos que temos observar a motivação por trás da regulamentação da telemedicina. Afirma que a telemedicina irá auxiliar muito no contexto do diagnóstico.
Colega Médico: como foi a Audiência Pública sobre a Telemedicina - Parte I
Vou fazer um resumo em dois posts sobre a audiência pública de
telemedicina (assista a íntegra aqui) e ao final, tecerei comentários práticos de
quem está na ponta, atuando, mas é entusiasta da tecnologia.
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| Assista à integra da audiência aqui |
Aconteceu no dia 05/11/2019 a audiência pública que debateu o uso da telemedicina, no Plenário 7 da
Câmara dos Deputados, em Brasília.
APRESENTAÇÕES:
O Dr José Diniz Júnior,
Otorrinolaringologista e Coordenador da Rede Universitária de
Telemedicina, RUTE HUOL UFRN começou a apresentação (feita
pelo Prof Luiz Roberto de Oliveira, coordenador do Núcleo de Tecnologias e
Educação a Distância em Saúde (NUTEDS), da UFC)
explicando conceitos de telessaúde
e telemedicina, vantagens, a necessidade na Telemedicina
de um médico em pelo menos uma das pontas, a possibilidade de ser síncrona, os
limitantes como conectividade, os aspectos éticos e a privacidade e segurança
dos dados, que com a lei de Proteção de Dados recai sobre o médico.
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| Apresentação do Dr José Diniz Junior |
Dr Carlos Henrique
Sartorato Pedrotti, Médico Referência do Centro de Telemedicina do Hospital
Israelita Albert Einstein, Representante da ANAHP, apresentou a
experiência do serviço desde 2012 e as vantagens local e
mundialmente.
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| Apresentação do Dr Carlos Henrique Sartorato |
Afirma que não há necessita de grande tecnologia, somente um computador
e uma câmera. Oferece exemplos em
Medicina Intensiva onde é possível aumentar a rotatividade
de leitos, exemplos de avaliações
neurológicas de trauma com estudos radiográficos no caso de
TCE (vide mais abaixo as críticas de quem vive no mundo real). Mostra
também resolutividade no caso da
Dengue, 93% em tendas de hidratação e somente 7% encaminhados
para assistência médica, assim como o sucesso
na teledermatologia. Tambem demosntra a satisfação dos médicos
na teledermatologia com os resultados do trabalho.
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| Apresentação do Dr Carlos Henrique Sartorato |
Fala também da necessidade
de segurança, o que vai contra ao conceito de que é necessário
somente um computador e uma câmera.
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| Apresentação do Dr Carlos Henrique Sartorato |
O Sr. Mário César Homsi
Bernardes, Diretor Geral da Confederação das Santas Casas e Hospitais
Filantrópicos, situou o setor filantrópico na telemedicina
atual. Afirma que cerca de 40% dos hospitais filantrópicos associados é a única
referência de atendimento em saúde em vários municípios, assim a telemedicina pode melhorar o acesso ao diagnóstico às
comunidades longes dos grandes centros. Os hospitais filantrópicos vem há quatro
anos desenvolvendo a tele-educação,
pela EducaSUS,
trabalhando educação continuada nos hospitais.
INTERVENÇÃO
Uma intervenção muito pertinente do Deputado Dr Zacharias Calil Hamu, Cirurgião Pediátrico,
entende a necessidade de dois
médicos nos atendimentos de telemedicina, um em cada ponta.
Mostra inquietação com o uso do
aplicativo Whastapp, a preocupação com os aspectos éticos e
cita como exemplos a empresa AMIL- já divulgando serviços de telemedicina- e
a UNIMED anunciando a R$9,99 a mais no plano por mês para o serviço de
médico 24 horas disponível à distância. Vê como necessária a regulamentação do
serviço baseada em normas do CFM.
Hoje as 14:00, no próximo post, falo sobre as apresentações do Dr. Prof. Dr.
Chao Lung Wen (CFM) e a da Dra Adriana da Silva e Souza (MS), além dos questionamentos dos deputados Flávia Morais, Dr Luiz Ovando, Dra. Soraya Manato e Dr. Jaziel.
29 de ago. de 2017
O futuro do Prontuário Eletrônico!
Em uma aula sobre "Inteligência Artificial na Prática Clínica" que dei outro dia no NUTEDS -UFC, falo sobre a minha visão de prontuário eletrônico em um futuro próximo. Hoje vou escrever sobre isso aqui.
SISTEMAS DE APOIO A DECISÃO CLÍNICA
Os SADCs são sistemas que utilizam uma base de conhecimento aliada a algoritmos e que utilizando dados clínicos vão gerar recomendações específicas para o cada caso médico específico. Hoje já está disponível em muitos prontuários eletrônicos sistemas que por meio de protocolos e guidelines, ajudam na tomada de decisão do médico.
O que eu imagino que está por vir são sistemas que, baseados em em uma base de dados própria, associada a uma base de conhecimento, pudesse prever um desfecho para um paciente, em tempo real, e alertar o médico.
Por exemplo, o profissional de saúde está atendendo um paciente e registrando o atendimento, e recebe um alerta de que os sintomas apresentados como hiporexia e náuseas, associado a sinais como bradicardia e mucosas desidratadas, pode ser devido a intoxicação pela Digoxina que o paciente usa, tendo como causa a desidratação e a função renal já registrada em outro atendimento.
Esse tipo preditivo de Análise de Dados, pelo que eu questiono a quem entende e estuda os algoritmos, é muito difícil de ser posto em prática, pois seria baseado em uma análise não supervisionada. Análise de dados supervisionada é aquela onde são informadas as variáveis a serem buscadas assim como o desfecho esperado. Na análise de dados não supervisionada, são fornecidas somente as variáveis e baseado nos dados e as relações entre eles, os desfechos relevantes são descobertos.
WEARABLES
O uso de dispositivos vestíveis para a saúde já é muito comum. Algum deles já oferecem a API (Application Programming Interface - conjunto de rotinas que processa respostas seguindo padrões estabelecidos por um software ou web service) que os programadores usam para integrar esses dados a prontuários médicos, por exemplo (veja exemplos aqui).
Eu penso que logo a integração dos dispositivos médicos ao registros eletrônicos será bem mais simples, bastando o paciente fornecer um código do seu Apple Watch ou Nike Fuelband, ou mesmo glicosímetros, que seria inserido pelo médico no prontuários. Esses dados de saúde dos wearables seriam integrados em tempo real. Assim, curvas de PA ou glicemia estariam disponíveis nos prontuários eletrônicos a cada atendimento.
MÍDIAS SOCIAIS
Outra funcionalidade que vejo inserida em Prontuários eletrônicos são aos mídias sociais. O Twitter já é usado para análise de sentimento, detecção de epidemias. Algoritmos já detectam no Instagran sinais de depressão dos usuários com base em suas fotos postadas. Usando suas fotos postadas no Facebook, algoritmos descobrem quem o usuário ama, ou detecta sinais de inteligência usando sua foto de perfil.
Penso que pacientes autorizariam a vinculação de suas contas de mídias sociais ao prontuário eletrônico, fornecendo dados de Big Data para detecção de informação clinicamente relevante para o médico.
Desenvolvedores de Sistemas de Registro de Saúde que pensarem essas funcionalidades para seus produtos sairão na frente. O problema é que é muito mais rentável para as empresas desenvolvedores as funcionalidades voltadas para os gestores. São muito poucas as que pensam funcionalidades de análise de dados voltadas para quem atua na ponta, ou seja, o profissional de saúde.
20 de dez. de 2015
Estudo Mundial sobre Médicos e Saúde Digital: Mídias Sociais
A Cello Health Insight é uma agência de pesquisa em marketing na Saúde com mais de 30 anos de experiência entregando inteligência de negócios para setores de saúde e farmacêutica. Fazem pesquisa de mercado em Saúde para projetar e conduzir guias de negócios para tomada de decisões.
O relatório The Digital Health Debate 2015 revela como os médicos estão usando canais e dispositivos digitais para trocar informações, comunicar com seus pares, representantes farmacêuticos e pacientes.
O maior uso é no Brasil, seguido da China, Europa e EUA. O menor índice de uso de smartphones no meio médico na Europa parece estar relacionado a dificuldade de acesso ao sistemas locais e nacionais de Health Eletronic Resporting (HER).
Comunicação por redes digitais
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| 88% dos médicos usam o email para se comunicar com colegas de profissão, 68% SMS, 31% usam Whatsapp, 17% Skype. |
A grande maioria dos médicos mundiais relataram que o telefone ainda é o canal principal de comunicação com seus pacientes, seguido pelo email, mensagens de texto, Whatsapp, mídias socias, Skype e outros.
Um dado muito interessante é o uso do Whatsapp pelos médicos mundiais: 87% dos médicos no Brasil usam para comunicar com seus pacientes, em copmaração com 61% na China, 4% nos EUA e 2% no Reino Unido. Aqui, faço uma observação, que nos EUA quem tem dispositivos iOS prefere o iMessage, que é nativo e restrito a essa plataforma, e a Apple ainda domina o mercado lá, ao contrário daqui, onde o Android prevalece. Outro fator é que nos EUA o custo de ligações é muito barata, em comparação com os preços abusivos que pagamos aqui, de onde a preferência por um serviço de mensagens de texto e voz ilimitados, e principalmente assíncrono (não é preciso estarem os 2 interlocutores online ao mesmo tempo).
Uso de Redes Sociais
Na capacitação profissional, as mídias sociais mais usadas no mundo por médicos foram YouTube por 28%, Linkedin por 24% e Google + por 21%. No Brasil e na China a preferência pelo Youtube é significante. E um dado arrepiante alarmante é o uso da Wikipedia, com mais da metade dos médicos brasileiros afirmando usá-la como fonte para capacitação profissional!!!
Conclusões
As conclusões neste post são minhas, e não refletem uma visão da pesquisa realizada.Apesar dos dados no estudo serem muito interessantes, a metodologia usada (veja abaixo) foi falha, incluindo somente pesquisas online, e com uma proporção de entrevistas com médicos brasileiros muito baixa. Não acho que reflita nossa realidade atual.
Penso que muitos médicos fornecem o número do seu Whatsapp para os pacientes mais por pressão destes do que por acharem que é um bom canal de comunicação, pois muitos pacientes veem o app como uma forma de economizar ligações, e principalmetne consultas. Outro ponto é que o CFM proíbe o uso de mídias sociais, apps de mensagem, email ou qualquer forma virtual de comunicação, como forma de diagnóstico e prescrição médicas (à excessão da telemedicina regulada pelo CFM).
Outra consideração que faço é o uso da Wikipedia como fonte de referência a aprimoramento profissional! Absurdo essa taxa de 63%! Com as principais sociedades de especialidade médicas usando tanto Youtube como webconferências para aprimoramento profissional (exemplo o PEC Coloproctologia, o programa de educação continuada da SBCP), com recursos como BMJ Brasil, o Portal Saúde Baseada em Evidências, e muito mais, é um disparate que a classe médica brasileira use a Wikipedia. Ainda acho que foi uma falha grave na metodologia usada.
Metodologia: 1040 entrevistas online de 15 minutos foram realizadas em 8 mercados entre 10 e 31 de Julho pelo M3 Global Research. EUA: 330 médicos, Europa (Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha): 650 médicos, China e Brasil: 60 médicos.
8 de set. de 2015
Tecnologia online para investigação da fragilidade do idoso - IVCF-20
Conheci o programa MAIS VIDA do cuidado do idoso do Ambulatório de Geriatria da UFMG, sob coordenação do Dr. Edgar Nunes de Moraes e Dra Flávia Lanna de Moraes, e fiquei muito impressionada (para quem deseja saber mais sobre o projeto, leia Atenção à Saúde do Idoso - Aspectos Conceituais da OPAS, e o eBook Avaliação Multidimensional do Idoso).
O programa Mais Vida da PBH funciona no ambulatório Jenny de Andrade Faria do HC-UFMG e recebe os idosos frágeis com o objetivo de:
- Submetê-los à Avaliação Multidimensional do Idoso (Avaliação Geriátrica Ampla) e elaboração do Plano de Cuidados;
- Indicação de intervenções interdisciplinares capazes de melhorar a autonomia e independência do idoso e prevenir o declínio funcional, institucionalização e óbito, mesmo na ausência da Avaliação Multidimensional do Idoso tradicional;
- Planejamento de demanda programada no SUS e na Saúde Suplementar: definição de grupo de idosos que necessitarão de atendimento diferenciado na Unidade Básica de Saúde.
- Estruturação e direcionamento da consulta geriátrica: planejamento da consulta especializada do idoso, destacando as dimensões da saúde do idoso que merecem uma investigação mais detalhada.
Para facilitar a identificação a identificação do idoso de risco (indivíduo com 60 anos ou mais que apresenta maior risco de dependência funcional, institucionalização e óbito), a equipe está lançando uma ferramenta online (IVCF-20) que pode ser usada por profissionais não especialistas em Geriatria e Gerontologia, inclusive o médico, enfermeiro ou ACS da ESF (equipe de Saúde da Família) , ou até mesmo pelo próprio idoso e seus familiares, de qualquer computador, tablet ou celular com acesso a internet.
O IVCF-20 é um instrumento simples e de rápida aplicação (5 a 10 minutos) e tem a vantagem de ter caráter multidimensional, pois avalia oito dimensões consideradas preditoras de declínio funcional e/óbito em idosos: a idade, a auto-percepção da saúde, as atividades de vida diária (três AVD instrumentais e uma AVD básica), a cognição, o humor/comportamento, a mobilidade (alcance, preensão e pinça; capacidade aeróbica/muscular; marcha e continência esfincteriana), a comunicação (visão e audição) e a presença de comorbidades múltiplas, representada por polipatologia, polifarmácia e/ou internação recente.
Cada seção é avaliada através de perguntas simples, que podem ser respondidas pelo idoso ou por alguém que conviva com ele (familiar ou cuidador). Foram também incluídas algumas medidas consideradas fundamentais na avaliação do risco de declínio funcional do idoso, como peso, estatura, IMC, circunferência da panturrilha e velocidade da marcha em 4 metros.
Pode ser aplicado por toda a equipe de enfermagem (enfermeiro, técnico e auxiliar de enfermagem) e demais profissionais da área de saúde (médico, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, assistente social, dentista, psicólogo e farmacêutico).
Abaixo veja algumas telas e o relatório final do teste que fiz.
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| Tela inicial do IVCF-20 |
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| Segunda aba - Auto Percepção da Saúde |
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| Resultado do teste: Alto Risco de Vulnerabilidade Clínico-Funcional |
No site ainda é possível baixar uma aula em power-point sobre IVCF e ver a escala de fragilidades do Idoso, com estratos de 1 a 10.
O aplicativo web possui muito boa usabilidade, navegando entre abas com barra de progresso em porcentagem embaixo à direita. A interface é limpa e intuitiva, sendo muito fácil de usar inclusive por leigos.
PS: para os médicos da PBH: para encaminhar idosos frágeis ao serviço basta referenciar para:
Mais Vida - Geriatria ambulatório Jenny Faria
A marcação sai com cerca de 1 semana, pois há 1000 vagas por mês para idosos frágeis.
4 de jun. de 2015
Lista dos sensores vestíveis no mercado ou em desenvolvimento
Os tipos de pontos de dados fisiológicos e os sensores vestíveis já disponíveis no mercado ou em desenvolvimento.
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FromDefining digital medicine
- Nature Biotechnology
- 33,
- 456–461
- doi:10.1038/nbt.3222
14 de mar. de 2015
VÍDEO: A Torre de Marfim da Medicina não vai sobreviver à onda de mudanças
"A torre de marfim da Medicina não vai sobreviver à onda de mudanças
Por milhares de anos, as informações médicas foram coletados em livros para se entender as doenças, as opções de tratamento ou mais ainda os diagnósticos. Por milhares de anos, informações e dispositivos médicos ficaram acessíveis apenas na chamada "Torre de Marfim" da Medicina. Mas devido à internet das coisas, às comunidades de mídia social, e-pacientes, computação cognitiva e dispositivos portáteis isso vai mudar. E a torre de marfim não vai sobreviver à ondas de mudança.
A medicina nunca foi tão eficiente na erradicação de doenças globais ou nas opções de tratamento, contudo a confiança na medicina nunca esteve tão baixa. A razão pode ser que nenhuma das partes interessadas da medicina poderia acompanhar a evolução. Então agora um novo ecossistema será construído com base nesses elementos. Neste novo ecossistema, a torre de marfim deve ser dividida em pedaços. Isso significa que os profissionais médicos devem sair da torre de marfim adquirindo novas habilidades, incluindo a literacia digital e aderir à uma nova forma de comunicação digital.
Ao mesmo tempo, os pacientes devem subir de nível para chegar ao meio caminho da torre de marfim, para estar no mesmo nível de ser um parceiro equivalente aos seus cuidadores, mas, para isso, os pacientes têm de assumir a responsabilidade de ser, de viver uma vida saudável. Para isso, eles têm que encontrar uma maneira de motivar-se para chegar a este estado. Então a torre de marfim não irá sobreviver às últimas ondas de mudança e temos que entender que este novo ecossistema será melhor para todos nós.
Atualemnte, com a experiência de profissionais médicos e o conhecimento dos pacientes sobre sua própria saúde, juntos podem tomar as melhores decisões médicas possíveis."
O Dr. Bertalan Mesko é editor do site http://themedicalfuturist.com/ e do canal do Youtube The Medical Futurist, e vem provar que podemos usar inovações disruptivas e manter o toque humano na Medicina.
Página do facebook: https://www.facebook.com/medicalfuturist
Twitter: https://twitter.com/berci
1 de dez. de 2014
Manual de Ética em Redes Sociais para Médicos e Estudantes de Medicina
A OMC (Organización Médica Colegial de España), que equivale ao nosso CFM, indo de encontro ao que já vem sendo feito em outros países devido a difusão do uso de redes sociais pelos médicos e estudantes e levando-se em conta a linha tênue entre o pessoal e o profissional neste uso, lançou agora em Novembro no IV Convención de la Profesión Médica, um Manual de Ética em redes sociais para Médicos e Estudantes de Medicina. Afinal, o Código de Ética exige, como a medicina moderna, se adaptar a este novo ambiente e evoluir.
A equipe de médicos que trabalhou no projeto foi escolhida devido a sua boa atividade em redes sociais e blogs pessoais: Rafael Olalde , Beatriz Satué, Rosa Taberner, Marian Jiménez Aldasoro, Jose Antonio Trujillo, Rodrigo Gutierrez Fernandez, e Mónica Lalanda. Também contribuíram na elaboração do guia Iris Mar Hernández, Jesús José Camacho, Enrique Sánchez Aciaga, Emilio Delgado y Guillermo Jiménez (estudantes de medicina e membros do Conselho Estadual de estudantes de Medicina ECMS).
Manual de Estilo para os médicos e futuros sobre o bom uso de redes sociais
1- Respeitar a confidencialidade e o Segredo Médico-Paciente
Se a informação clínica for divulgada em redes sociais, é sempre desejável:
- Certifique-se de que o paciente não é reconhecível ou identificável, não só por meio de imagens ou dados, mas por associação em relação ao local hospitalar, centro de saúde, especialidade ... etc.
- Faça uso profissional da informação clínica com objectivo claro e sempre em benefício do paciente em particular ou da medicina acadêmica em geral (para fins de ensino ou de intercâmbio de conhecimento com outros profissionais), evitando o sensacionalismo e morbidade.
- Cuidado no uso de sistemas de troca de informações em que a segurança dos dados enviados é questionável (leia a privacidade e uso de aplicativos de mensagens).
- Lembre-se de que não é sensato o armazenamento em telefones celulares e laptops, informações sem criptografia ou imagens.
- Peça permissão antes de tirar uma foto do paciente e explique em termos que ele possa entender a finalidade dessa fotografia.
2- Evitar conselho médico a pacientes virtuais
Quando o profissional aparecer nas redes sociais como médico e for questionado por um usuário (conhecido ou desconhecido) é importante observar que:
- Não há nenhuma obrigação de responder (não é uma situação de bom samaritano), mas se for o caso é adequado e desejável encaminhá-lo a uma fonte confiável (website ou blog) onde possa esclarecer suas dúvidas ou orientá-lo a consultar o seu médico.
- Pode ser recomendável aproveitar o poder amplificador das redes sociais para responder a perguntas que possam ser de interesse geral e, assim, fazer um trabalho divulgador que pode ser muito gratificante (saúde pública, promover estilos de vida saudáveis, fotoproteção, etc.).
- Temos de ser mais cauteloso no caso de consultas de outros profissionais (segunda opinião), especialmente quando eles incluem fotografias e dados reconhecíveis de paciente por terceiros.
3- Mantenha uma imagem profissional virtual adequada
Quando um profissional escolher livremente estar presente nas redes sociais, usando uniforme médico em sua foto do perfil, é importante lembrar que está vinculando uma imagem corporativa para a profissão. Por conseguinte, é desejável:
- Evitar o uso inadequado e inconveniente das redes sociais de modo a não abalar a confiança em nossa sociedade. É aconselhável ajustar-se às expectativas existentes na sociedade no que diz respeito à prática médica.
- Evite sempre atitudes insensíveis, frívola ou pouco de acordo com as regras básicas de etiqueta, ou seja, educação, cortesia e respeito.
- Não opinar sem pesar as consequências sobre questões médicas,comportando-se de forma sensata e avaliando o contexto, os interlocutores e o tema abordado, assim como as referências e fontes utilizadas.
4- Evitar que o uso de novas tecnologias desviem nossa atenção da consulta direta com o paciente
- Evite interrupções particularmente se eles podem afetar a privacidade e confidencialidade dos dados.
- Evite fazer e receber chamadas telefônicas ou trocas virtuais que não são absolutamente necessárias, e se assim for, pedir autorização e ser o mais cuidadoso possível.
5- Ter responsabilidade sobre a informação médica difundida em redes sociais
-A Informação médica publicada em redes sociais deve ser compreensível, precisa, ponderada e prudente. A competência que nos dá nossa formação profissional faz com que nossas opiniões sejam tomadas como referência.
-A Responsabilidade pela informação médica em redes sociais se não se diliu porque o receptor é múltiplo, simultâneo ou desconhecido. Há que se ter responsabilidade sobre o que se divulga. Mas a possibilidade de interação é também uma enorme vantagem,
- A criação e divulgação de conteúdos de qualidade, não é uma obrigação profissional, mas é altamente recomendável (promoção de blogs, páginas da web e fóruns virtuais).
- É altamente desejável que estar alerta e interceptar informações médicas falsas que possam alarmar a população ou comprometer a saúde.
6- Manter o respeito na interação com colegas ou nos comentários sobre eles
- Em caso de discordância sobre questões médicas ou profissionais, as redes sociais podem ser uma ferramenta para o diálogo. Em qualquer caso, evitar os insultos e expressões depreciativas sobre os colegas e outros profissionais de saúde.
- Deve-se evitar alusões a âmbitos pessoais e privados dos colegas.
7- Faz um bom uso de publicidade e propaganda médica
- A reputação "off-line" e "on-line" é um dos maiores ativos de qualquer instituição médica ou profissional de saúde. A promessa de valor para qualquer instituição ou profissional de saúde deve respeitar a liberdade e dignidade dos doentes, e ser justo com a sua realidade.
- O prestígio profissional, que promove relações de confiança com os pacientes, pode tornar-se mais visível através de publicidade e propaganda.
- A publicidade e propaganda médica deve ser sempre objetivo, prudente e verdadeira.
16 de jan. de 2014
Uso de tablets e smartphones por Anestesiologistas brasileiros no bloco cirúrgico
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A Anestech TI em Anestesiologia colheu dados do uso de tecnologia móvel por profissionais de Anestesiologia, que resultaram nesse excelente infográfico. Dr. Diogenes de Oliveira Silva relata, juntamente com o Dr. José Admirço Lima Filho, que foram entrevistados mais de 9000 profissionais em todo o Brasil
"O médico anestesiologista vive hoje uma época de introdução de novas tecnologias em seu cotidiano não vista desde a popularização do oxímetro de pulso. Smartphones e tablets estão presentes nas salas cirúrgicas com função de "segunda tela", auxiliando monitorização, diagnóstico, conduta, documentação, cálculos e também conectividade e interação profissional nunca visto antes."
Segundo Dr. Diógenes e Dr. José Admirço, há uma preocupação com o potencial de distração e interferência dos dispositivos no procedimento anestésico, além de medos e dúvidas quanto à maneira correta de usá-los. Contudo os benefícios se comprovam com a pesquisa e mostram que os smartphones e tablets se tornaram assistentes na prática clínica.
O link para o infográfico em tamanho real encontra-se na legenda da imagem. Tomei a liberdade de dividí-lo em partes para facilitar os comentários.
A população estudada foi formada pela maioria de profissionais com mais de 15 anos de especialização, 47% e mostra que mesmo os anestesistas mais antigos na profissão se adaptaram ao uso do smartphone e tablet no ponto de atendimento: 96% usam smartphones e 89% usam tablets. Não entendo como um médico pode usar o sistema operacional Windows Phone para sua prática clínica já que quase não possui aplicativos médicos.
O sistema operacional preferido pelos anestesiologistas foi o iOS, com seus exemplares de iPhone sendo 70% dos smartphones usados. Os aplicativos médicos mais frequentes foram os de cálculos de medicação, seguidos por consulta de condutas, manejo de taxa de infusão e condutas em situações raras, respectivamente. A Anestech possui apps de cálculo de doses de medicamentos mais usados em procedimento anestésicos, antibióticos, bloqueadores neuromusculares, além de calculadoras de anestesia venosa e muito mais: http://www.anestex.com.br/app/
70% dos anestesistas usam tablet nas salas cirúrgicas e 80% usam as variantes do iPad. Um dado interessante é que este dispositivo é usado muito direcionado à produtividade médica, como ler emails, ebooks, jornais e revistas, além do uso de mídias sociais, que hoje é tão importante para se manter atualizado.
Uso de tablets e smartphones por Anestesiologistas brasileiros no bloco cirúrgico é um post original do TI Medicina. Quando for copiá-lo, adicionar os devidos créditos.
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