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12 de nov. de 2019

Colega Médico: considerações sobre Audiência Pública sobre a Telemedicina - Parte III

Sou médica, com residência em Cirurgia Geral e especialização em Coloproctologia e também em Informática em Saúde, e entusiasta da tecnologia na Medicina.  Gostaria de discutir alguns aspectos, que vou listar abaixo:

POR QUE NÃO FOI FEITA AUDIÊNCIA PÚBLICA ANTES DA REGULAMENTAÇÃO?

Como parte da classe médica e como estive envolvida durante mais de um ano na diretoria da SBIS (Sociedade Brasileira de Informática em Saúde), não vi debates com a classe médica, não vi audiência pública. Tenho que concordar com o Dep. Dr Luiz Ovando que afirma suspeita de viés no processo; que houve pressa em regulamentar, sem na realidade dar, á comunidade médica, os subsídios como manuais de normas e certificação dos softwares (veja aqui) que realizariam as consultas de telemedicina. E imediatamente as empresas de saúde divulgaram o serviço, mesmo sem os manuais de normas ou os requisitos para certificação. 

QUAIS AS ESPECIALIDADES ONDE A TELEMEDICINA PODE SER EFETIVA? EXISTE ALGUMA ESPECIALIDADE ONDE NÃO É?


AMA - Which medical specialties use telemedicine the most? 

Na resolução 2227/2018 do CFM não há menções às especialidades menos afeitas à telemedicina. Como exemplo, a Pediatria e a Coloproctologia, duas especialidades muito dependentes da habilidade médica. Se a presença do médico só é necessária em uma ponta, a mãe da criança filmará a garganta e o ouvido do paciente, ou fará a ausculta com um estetoscópio eletrônico? O paciente exporia a área anal à câmera? Uma enfermeira faria a retossigmoidoscospia como já vi em artigos científicos? Como fica a responsabilização em caso de erro médico por exames que deixaram passar uma lesão? Seria permitido a um outro profissional de saúde usar um transdutor de ultrassom e o ultrassonografista ver a imagem via telemedicina, já que enfermeiros podem fazer a retossigmoidoscopia em outros países?
É evidente que a telemedicina é extremante benéfica na Psiquiatria, na dermatologia na radiologia... Mas e onde não há evidências da sua efetividade? O CFM foi omisso neste aspecto.

SERIA PERMITIDO ÀS OPERADORAS DE SAÚDE, MUNICÍPIOS E ESTADOS TEREM SOMENTE ESPECIALISTAS VIA TELEMEDICINA?

Penso que uma ideia que já deve ter sido aventada pelos gestores da saúde suplementar e da saúde pública é que a quantidade de especialistas presenciais poderia ser extremamente reduzida. Um especialista ficaria encarregado de realizar uma primeira consulta, presencial, que funcionaria como uma triagem, pediria exames e o restante dos atendimentos seriam via telemedicina. Eu, como muitos médicos, imagino o cenário onde nossos colegas recém formados se sujeitariam a esse tipo de atendimento, por imposição do mercado. O CFM foi omisso neste aspecto também.

COMO DEFINIDO PELO CFM, A PRIMEIRA CONSULTA TINHA QUE SER PRESENCIAL. 

O CFM também deixou a desejar nesse quesito. O retorno, por telemedicina, teria que ser com o mesmo médico que atendeu da primeira vez na especialidade? Ou outros médicos  poderiam fazer o retorno por telemedicina se o paciente já tivesse se consultado na especialidade? Pois essas brechas na regulamentação permitem que saúde suplementar e pública definam como passíveis de telemedicina, todos os pacientes que alguma vez já se consultaram na especialidade. Como empresas de saúde estão divulgando serviços de médicos 24 horas por telefone, se o médico que fará o atendimento nunca atendeu o paciente?


FALTA DE PRONTUÁRIO ELETRÔNICO, CONECTIVIDADE, FALTA DE LETRAMENTO DIGITAL...

Trabalho em Belo Horizonte (6º maior município do Brasil) e Contagem ( 2ª cidade de Minas com maior Índice de Desenvolvimento Econômico) como médica. Em nenhum dos dois há prontuário eletrônico onde trabalho, até hoje é EM PAPEL, PASMEM !! Imagina no interior do país. E o CFM vem falar em telemedicina? Infelizmente a telemedicina ainda é a cereja do bolo, sendo que nem o bolo temos!!! 



Por favor, deixem nos comentários as limitações do seu trabalho, suas críticas quanto a telemedicina, ou suas boas experiências onde trabalham com a assistência remota. Gostaria de saber a opinião de vocês.

 Parte I e Parte II


Se quiser saber mais sobre a resolução que foi suspensa, leia: 

Telemedicina e as discussões médicas após a Resolução CFM no 2.227/2018 - parte 1

Colega Médico: como foi a Audiência Pública sobre a Telemedicina - Parte II


APRESENTAÇÕES

O Prof. Dr. Chao Lung Wen, chefe da Disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e membro da Câmara Técnica de Informática em Saúde do Conselho Federal de Medicina, falou sobre quebra de paradigmas. Ele "não descarta que 10% (dos atendimentos) necessitem de atendimento presencial, mas há uma grande maioria (de pacientes) que são desassistidos". Alemanha, Reino Unido, Portugal e recentemente  a Colômbia estão publicando projetos de regulamentação da telessaúde. Estes países enxergam a telemedicina não como um substituto à medicina, mas como um braço para estender o atendimento e acelerar a forma de atendimento. Afirma que o Whatsapp não é telemedicina pois não é HIPAA complience. 
Apresentação do Prof. Dr. Chao Lung Wen
A Medicina associada a Telemedicina se torna a Medicina Conectada, com o propósito de melhorar o  fluxo da saúde e não apenas a substituição. Esclarece que a telemedicina não é uma ferramenta, mas um método. Existe uma diferença entre uma telechamada e a telemedicina. Nesta há uma propedêutica, com raciocínio investigativo, com registro das condutas. E como método de abordagem não presencial,  é necessário o ensino e aprendizagem nos cursos de graduação. 
Apresentação do Prof. Dr. Chao Lung Wen
Esclarece que telemedicina não é somente um computador e uma câmera, mas um conjunto de recursos como dermatoscópios, ECG e  transdutores para Ultrassonografia para smartphones e muito mais. 
Apresentação do Prof. Dr. Chao Lung Wen
Reforça a necessidade de um curso de no mínimo 80 horas na graduação, que foque principalmente nos aspectos éticos da telemedicina e almeja uma Ecossistema de Saúde Conectada como no slide abaixo.
Apresentação do Prof. Dr. Chao Lung Wen

A Dra Adriana da Silva e Sousa, representante do Ministério da Saúde, diretora do Departamento de Saúde Digital (DESD) da Secretaria Executiva do MS, falou sobre a recente criação do DESD, há 5 meses e suas diretrizes, como coordenar a implantação e a expansão de iniciativas nessa área que já existem dentro do sistema de saúde, como a telessaúde. Falou das prioridades- Apoio a a Regulação, Consultoria, Diagnóstico, Apoio a Inovação em Saúde e  Monitoramento. Na teleregulação há iniciativas como o Regula + Brasil, que tem omo objetivo de reduzir as filas de atendimento no SUS; teleconsultoria  síncrona ou assíncrona; telediagnóstico; emissão de laudos à distância; monitoramento as distância.  
Apresentação da Dra Adriana Sousa

INTERVENÇÕES

Dep. Flávia Morais, gestora, fala da necessidade dos médicos de se reinventar na telemedicina, com o objetivo de melhorar o acesso dos pacientes aos cuidados. Questiona sobre o que fazer para vencer as resistências e viabilizar a medicina conectada. 

Já o Dep. Dr Luiz Ovando, médico, ficou frustrado com as apresentações, que não abordaram o âmago do problema, a questão médica em si. Entende que a medicina intensiva, sua especialidade, baseia-se muito em observação dos parâmetros nos monitores e nas diretrizes de tratamento; a dermatologia é muito auxiliada na teledermatologia onde o equipamento aumenta a resolução da imagem muito mais que a lupa na beira do leito; na radiologia os laudos são feitos em casa; o mesmo com laudos de ECG. Mas quando não há o médico na ponta, só o médico na central, como fazer com um paciente pediátrico, onde a mãe terá que fazer a semiologia? Refere que não há médicos da família devido a superespecialização da medicina e assim a maioria dos casos são encaminhados da atenção básica para atenção secundária- uma falha na formação médica. Levanta brilhantemente a questão da resolução 2227 do CFM, que não foi discutida amplamente, e quando foi publicada,  as empresas médicas disponibilizaram rapidamente o serviço, mostrando que havia tendência (viés), e que a intenção era enriquecer financeiramente as empresas que já tinham essa situação na mão. Alerta ainda que é necessário experiência, e que quem estará atrás da tela do computador provavelmente é o médico jovem. 

A Dep. Dra. Soraya Manato, ultrassonografista, que não assistiu as apresentações, preocupa-se com médicos, que atualmente, não querem tocar nos pacientes, não examinam e pedem exames complementares. Questiona a formação médica atual, baseada na propedêutica. Acha que a telemedicina vai acabar com a carreira médica, sendo substituídos por enfermeiros e posteriormente pela máquina. 

O Dep. Dr. Jaziel, ginecologista e obstetra, relata que a tecnologia agrega, mas temos que temos observar a motivação por trás da regulamentação da telemedicina. Afirma que a telemedicina irá auxiliar muito no contexto do diagnóstico. 

No próximo post, às 21:00, coloco minhas observações pessoais.

Parte I e Parte III 

Colega Médico: como foi a Audiência Pública sobre a Telemedicina - Parte I

Vou fazer um resumo em dois posts sobre a audiência pública de telemedicina (assista a íntegra aqui) e ao final, tecerei comentários práticos de quem está na ponta, atuando, mas é entusiasta da tecnologia. 
Assista à integra da audiência aqui
Aconteceu no dia 05/11/2019 a audiência pública que debateu o uso da telemedicina, no Plenário 7 da Câmara dos Deputados, em Brasília.


APRESENTAÇÕES: 


O Dr José Diniz Júnior, Otorrinolaringologista e Coordenador da Rede Universitária de Telemedicina, RUTE HUOL UFRN começou a apresentação (feita pelo Prof Luiz Roberto de Oliveira, coordenador do Núcleo de Tecnologias e Educação a Distância em Saúde (NUTEDS), da UFC) explicando conceitos de telessaúde e telemedicina, vantagens,  a necessidade na Telemedicina de um médico em pelo menos uma das pontas, a possibilidade de ser síncrona, os limitantes como conectividade, os aspectos éticos e a privacidade e segurança dos dados, que com a lei de Proteção de Dados recai sobre o médico. 

Apresentação do Dr José Diniz Junior
Dr Carlos Henrique Sartorato Pedrotti, Médico Referência do Centro de Telemedicina do Hospital Israelita Albert Einstein, Representante da ANAHP, apresentou a experiência do serviço desde 2012  e as vantagens local e mundialmente. 

Apresentação do Dr Carlos Henrique Sartorato

Afirma que não há necessita de grande tecnologia, somente um computador e uma câmera. Oferece exemplos em Medicina Intensiva onde é possível aumentar a rotatividade de leitos, exemplos de avaliações neurológicas de trauma com estudos radiográficos no caso de TCE (vide mais abaixo as críticas de quem vive no mundo real). Mostra também resolutividade no caso da Dengue, 93% em tendas de hidratação e somente 7% encaminhados para assistência médica, assim como o sucesso na teledermatologia. Tambem demosntra a satisfação dos médicos na teledermatologia com os resultados do trabalho. 

Apresentação do Dr Carlos Henrique Sartorato

Fala também da necessidade de segurança, o que vai contra ao conceito de que é necessário somente um computador e uma câmera.
Apresentação do Dr Carlos Henrique Sartorato

O Sr. Mário César Homsi Bernardes, Diretor Geral da Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, situou o setor filantrópico na telemedicina atual. Afirma que cerca de 40% dos hospitais filantrópicos associados é a única referência de atendimento em saúde em vários municípios, assim a telemedicina pode melhorar o acesso ao diagnóstico às comunidades longes dos grandes centros. Os hospitais filantrópicos vem há quatro anos desenvolvendo a tele-educação, pela EducaSUS, trabalhando educação continuada nos hospitais.

 INTERVENÇÃO


Uma intervenção muito pertinente do Deputado Dr Zacharias Calil Hamu, Cirurgião Pediátrico,  entende a necessidade de dois médicos nos atendimentos de telemedicina, um em cada ponta.  Mostra inquietação com o uso do aplicativo Whastapp, a preocupação com os aspectos éticos e cita como exemplos a empresa AMIL- já divulgando serviços de telemedicina- e a  UNIMED anunciando a R$9,99 a mais no plano por mês para o serviço de médico 24 horas disponível à distância. Vê como necessária a regulamentação do serviço baseada em normas do CFM. 

Hoje as 14:00, no próximo post, falo sobre as apresentações do Dr. Prof. Dr. Chao Lung Wen (CFM) e a da Dra Adriana da Silva e Souza (MS), além dos questionamentos dos deputados Flávia Morais,  Dr Luiz Ovando,  Dra. Soraya Manato e Dr. Jaziel. 

10 de fev. de 2010

telemedicina no Haiti


No desespero logo após o terremoto que atingiu o Haiti no mês passado, médicos voluntários estrangeiros usaram dispositivos improvisados e de pouca tecnologia para consultas e coordenação dos esforços de salvamento.
No entanto, médicos americanos estão passando para tecnologias mais sofisticadas a fim de ajudar a melhorar a saúde pública no Haiti, um dos países mais pobres do mundo.

"Estamos nessa até o fim", disse Scott C. Simmons, cujo título na Faculdade Miller de Medicina da Universidade de Miami é de diretor de tele-saúde.

A tele-saúde, mais conhecida como telemedicina, é um desdobramento do programa espacial; foi desenvolvida pela Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço na década de 1960 para servir aos astronautas.
Na versão ao vivo e em tempo real, ela envolve uma conexão por vídeo entre o paciente e um médico ou outro profissional de saúde num hospital ou consultório. Às vezes, um médico ou enfermeiro em determinado local consulta um especialista em outro local via telemedicina.
Na tenda hospitalar com 240 leitos da Universidade de Miami, armada perto do aeroporto de Porto Príncipe, Haiti, onde cirurgiões voluntários dos Estados Unidos realizaram mil operações desde o terremoto de 12 de janeiro, médicos logo poderão consultar, via satélite, especialistas em Miami e outros centros médicos, disse Simmons, engenheiro que ajudou a desenvolver a telemedicina portátil para naves espaciais da NASA.
A conexão por satélite deve oferecer largura de banda para consultas de telemedicina; enquanto isso, o hospital de campanha no Haiti está improvisando com conexões à internet em alta velocidade doadas por um filantropo de Miami e conexões pelo Access Haiti, uma rede sem fio regional ligada pela vizinha República Dominicana. O hospital também está recebendo ajuda de uma rede de operadores de rádio amador voluntários, como Jack Satterfield, pescador de St. Petersburg, Flórida, que ajudou a colocar um recém-nascido (o menino tinha apenas um dia) que corria risco de vida no navio hospitalar da marinha. "O médico deles falou com nosso médico" através do sistema de rádio militar para amadores, disse Satterfield.
O navio, chamado de Comfort, parte do Comando Sul das forças armadas americanas, tem 82 médicos e 136 enfermeiros. O capitão Miguel Cubano, cirurgião geral do comando, disse estar em "discussão para estabelecer uma presença de longo prazo no Haiti".Entre outras coisas, disse Cubano, o navio poderia fornecer consultas de telemedicina com o Center for the Intrepid, um hospital militar de reabilitação em San Antonio.
O navio não é um estranho para o Haiti. O Comfort já ofereceu assistência após o furacão do ano passado. "O Haiti era uma prioridade para nós antes do terremoto", disse Cubano, que também é cirurgião. O Southcom, como é chamado o Comando do Sul, tem parceria em tecnologia avançada com a Universidade de Miami.
Dra.Anne E.Burdick, reitora associada de tele-saúde e alcance clínico da Faculdade Miller, afirmou que o programa da universidade poderia ser "um centro para conectar pacientes haitianos a fornecedores de assistência à saúde em vários programas de telemedicina americanos por todo o país".
Num teste com o Comando do Sul, disse Burdick, a faculdade usou teleconferência ao vivo para conectar pacientes de transplante de rim na Guiana a uma equipe cirúrgica do Walter Reed Army Medical Center, em Washington.
John Linkous, diretor executivo da Associação Americana de Telemedicina, afirmou que muitas vezes era difícil convencer médicos ocupados a ficar muito tempo em países em desenvolvimento. No entanto, depois de uma visita, eles muitas vezes estão prontos para ajudar através de consultas de telemedicina. As sessões de vídeo são muitas vezes preparadas com antecedência com um sistema de mensagens segura pela internet, incluindo fotos, raios-x e relatórios de patologias. Frequentemente, toda a troca de informações é feita pela internet e as respostas são enviadas em poucas horas.
Dr.S.Ward Casscells, cardiologista de Hudson que já foi assistente da secretaria de defesa para questões de saúde no governo do presidente George W. Bush, observou que a telemedicina se tornou mais simples e menos cara na era da internet e celulares modernos.
Casscells pediu que os militares deixassem no local os equipamentos de telemedicina quando a catástrofe se acalmar no Haiti e treinassem pessoas locais para usá-los.

© 2010 New York Times News Service Tradução: Gabriela d'Avila

6 de mar. de 2016

Whatsapp, criptografia e segurança de dados para telemedicina


Whatsapp é um app para celulares e web, de troca de mensagens (voz, texto, imagem, vídeos e documentos) que a cada dia mais tem sido usado à revelia do CFM, entre médicos e seus colegas e entre médicos e pacientes.

O CFM define a telemedicina como "o exercício da medicina mediante a utilização de metodologias interativas de comunicação audiovisual e de dados, com o objetivo de assistência, educação e pesquisa em saúde". 

Face a interpretação de que se trata de ato médico, os serviços prestados através da telemedicina deverão oferecer infra-estrutura tecnológica apropriada e obedecer as normas técnicas do CFM, no que se refere à guarda, manuseio, transmissão de dados, confidencialidade, privacidade e garantia do sigilo profissional. De acordo com a legislação, em caso de emergência ou quando for solicitado pelo médico responsável, o profissional que emitir o laudo a distância poderá oferecer o devido suporte diagnóstico e terapêutico. O artigo 4.º ressalta, contudo, que a responsabilidade profissional é do médico assistente do paciente; os demais envolvidos responderão solidariamente na proporção em que contribuírem por eventual dano ao paciente.

Uma informação interessante, que a maioria dos leigos desconhece, é que telemedicina é de médico para médico, do médico que assiste o paciente ao médico consultor. Telessaúde envolve profissionais de saúde em geral e pacientes. 

O que falta no app para ser usado na telemedicina?
  • Segurança de dados: o app Whatsapp usa a criptografia end-to-end, o que significa que as mensagens estão criptografadas nos servidores da empresa, e só podem ser lidas/vistas/baixadas no celular que enviou e no que recebeu. Portanto, é segura o bastante, como se pode ver no recente episódio envolvendo a Justiça Brasileira e o Facebook.  Mas o CFM e a SBIS, que definiram os padrões de segurança para a telemedicina, ainda não tem um projeto ou estudo envolvendo segurança de dados em saúde e aplicativos móveis, infelizmente.
  • Guarda, manuseio, confidencialidade, privacidade e garantia do sigilo profissional:  todas essas questões, no que se refere ao aplicativo, ficam muito restritas ao comportamento do médico em relação às boas práticas de segurança na internet. O único entrave seria a guarda propriamente dita. O ideal seria a exportação da conversa para um Prontuário Eletrônico como parte de um atendimento. Para saber mais, veja CERT.br e o artigo  TI Móvel na Saúde: Privacidade, Confidencialidade e Segurança.
  • Inscrição no CRM:a pessoa jurídica que presta serviço de Telemedicina deve estar inscrito no Cadastro de Pessoa Jurídica do Conselho Regional de Medicina do estado onde estão situadas, com a respectiva responsabilidade técnica de um médico regularmente inscrito no Conselho e a apresentação da relação dos médicos que componentes de seus quadros funcionais. Para uso do aplicativo por médicos, e esse pré-requisito já está cumprido.
A evolução da tecnologia é muito rápida e a morosidade das nossas instituições fazem com que o uso de tecnologias pelos médicos deixem de lado a regulamentação da categoria em prol de uma maior agilidade de processos e melhor atendimento à Saúde. 
Continuaremos usando essa ferramenta tão útil para discussão de casos clínicos, passagem de plantão, encaminhamento de casos médicos e segunda opinião, mesmo que o CFM continue ignorando as novas tendências da profissão.
Whatsapp, criptografia e segurança de dados para telemedicina é um artigo original do TI Medicina.

22 de fev. de 2019

Telemedicina e as discussões médicas após a Resolução CFM no 2.227/2018 - parte 1

Como Médica e profissional de Informática em Saúde, acho importante informar e elucidar a discussão entre a classe médica e a resolução do CFM. Estive mais presente na SBIS (Sociedade Brasileira de Informática em Saúde) no ano de 2017 e sei da disponibilidade da sociedade na parceria com o conselho, sempre que requisitada. 
Há que se considerar que o que se refere a requisitos  técnicos para a telemedicina, a contribuição da SBIS foi imprescindível para a resolução e sem  sua participação, não seria possível garantir a segurança e privacidade do atendimento. 

Quais os requisitos técnicos? 
Na nota de posicionamento a SBIS vem a publico informar que participou das discussões e eque está elaborando um  manual de normas a serem adotadas para o uso adequado da tecnologia para a prática da telemedicina. A meu ver, isso já deveria estar definido  e divulgado quando da entrada em vigor da resolução, o que deve ocorrer em um prazo fixado pelo CFM em 90 dias a contar da publicação. Mas já há empresas anunciando o serviço. Quem fará a fiscalização quanto aos requisitos necessários?

O certificado digital do médico é obrigatório?
Na nota de esclarecimentos, a SBIS responde a questionamentos sobre a exigência de certificação digital do médico em softwares para realizarem o atendimento de telemedicina e o preço que a entidade cobra nos processo de certificação. A certificação de Softwares de Saúde não é obrigatória, ou seja, o Prontuário Eletrônico que não desejar receber a certificação SBIS/CFM, pode continuar atuando no mercado sem restrições por parte do CFM. Resta saber se o CFM exigirá do Software de TELEMEDICINA a certificação da  SBIS para que o atendimento em telemedicina seja realizado.  Isso restringirá em muito a colocação em prática da telemedicina devido ao investimento em programação e custos da certificação, o que com certeza, influenciará no preço final do produto para o médico. 

Médico responsável pela guarda do atendimento
Uma exigência que consta na resolução é a de que a guarda das informações relacionadas ao atendimento em telemedicina é de responsabilidade do médico responsável pelo atendimento. Participo de um grupo de discussões no telegram de Radiologia e Informática, onde vejo os radiologistas relatarem que os laudos são armazenados na nuvem e devem ser guardados por 20 anos. E armazenamento custa dinheiro. Essas teleconsultas serão de responsabilidade de guardar na nuvem pelos médicos, já pensou no volume de dados a serem armazenados e no espaço necessário? 

No próximo post vou discutir sobre as implicações éticas e judiciais e a insegurança dos médicos quanto a essa resolução.

21 de out. de 2010

Empresas competem por mercado de telemedicina

A empresa Honeywell HomMed liderou o mercado de telemedicina nos Estados Unidos, com 15,4% do market share em 2009. Agora, novos players, como Philips Healthcare, Bosch Healthcare e Cardiocom disputam uma fatia maior nesse negócio promissor. A Bosch já está próxima: registrou 14,9% do market share no mesmo período. As informações foram divulgadas em relatório do grupo InMedica.
Idosos podem medir sua própria pressão arterial e os níveis de glicose e transmitir os dados aos médicos ou hospital, onde é avaliado com a ajuda de um software da Siemens

A expectativa, segundo o estudo, é que o mercado de telemedicina tenha uma taxa de crescimento anual superior a 55% nos próximos cinco anos, o que fará com que companhias que ainda não atuam no mercado de saúde tenham interesse em se envolver.
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O TeleStation da Philips possibilita o fluxo seguro e bidirecional de informações entre os profissionais de saúde e o paciente.
Fabricantes de equipamentos em saúde como Siemens, GE e Philips também são exemplos de empresas que devem prover soluções completas nesse Mercado. Em agosto de 2010, a GE Healthcare e a Intel anunciaram uma joint venture focada nesse segmento.
GE Healthcare e Intel vão criar uma nova empresa no mercado e desenvolver tecnologias de apoio à autonomia e gestão de doenças crônicas. 

Novas Oportunidades

O relatório aponta para um amplo leque de empresas que podem atuar em telemedicina, como provedores de Telecom, desenvolvedores de softwares e companhias que fazem a interface entre registros dos pacientes e dispositivos de monitoramento.

O estudo afirma que os profissionais de Telecom irão desempenhar um papel importante no mercado de telemedicina, atuando como intermediários entre médicos e fabricantes de dispositivos. As empresas de Telecom poderão administrar a segurança e o transporte de informações de uma enorme quantidade de registros médicos, caso a telemedicina alcance seu potencial.

Segundo o estudo, a telemedicina pode ser bastante lucrativa para empresas de Telecom que desejam agregar valor a seus produtos já existentes. Como exemplo, redes de telefonia móveis poderiam oferecer serviços online de gerenciamento de dados no celular, para pessoas que querem armazenar e analisar informações registradas por dispositivos médicos de uso domiciliar.

Fonte: ITWeb

7 de dez. de 2009

Clinica virtual oferece consultas on-line por videoconferência

A Blue Cross, seguradora médica americana, está testando com seus empregados um sistema de teleconsulta chamado Care Anywhere, uma clinica virtual no Estado de Minnesota. O sistema funciona por videoconferência via Web (semelhante ao Skype), e dispõe de cerca de 30 médicos para atendimento em plantão em turnos de 6 horas. A Blue Cross reembolsa ao usuário do sistema US $ 25 do custo total de US$ 45 por consulta on-line. Se o projeto piloto der certo, a Blue Cross pretende oferecer para todos seus segurados no estado. O sistema on-line irá competir diretamente com as clínicas de varejo, que têm surgido em farmácias, centros comerciais, etc durante a última década nos EUA e que fornecem uma alternativa de menor custo para serviços médicos básicos e onde uma consulta básica custa US$ 49. A ampla utilização deste tipo de tecnologia pode resultar em economias substanciais para o sistema de saúde. 
Resumo por Renato M.E. Sabbatini


No Brasil, o novo Código de Ética Médica dispõe:
É vedado ao médico:
Art. 37. Prescrever tratamento ou outros procedimentos sem exame direto do paciente, salvo em casos de urgência ou emergência e impossibilidade comprovada de realizá-lo, devendo, nesse caso, fazê-lo imediatamente após cessar o impedimento.
Parágrafo único. O atendimento médico a distância, nos moldes da telemedicina ou de outro método, dar-se-á sob regulamentação do Conselho Federal de Medicina.


No parecer 36/2002 do CFMafirma: " O CFM deve ter o mesmo entendimento da Associação Médica Mundial e Associação Médica Brasileira acerca das “Responsabilidades e Normas Éticas na Utilização da Telemedicina”, adaptando-as à realidade médica brasileira. Este parecer servirá de base para a necessária exposição de motivos e sua fundamentação para a referida resolução. Toda empresa voltada para atividades na área da Telemedicina deverá cumprir o estatuído na resolução, sendo obrigatória sua inscrição no Cadastro de Pessoa Jurídica do CRM, com indicação do respectivo responsável técnico.
Não consegui localizar nada referente a pagamento por consulta virtual. No que tange ao comportamento do CFM quanto a telemedicina, acho muito pouco provável que isso seja considerado lícito.

30 de jun. de 2009

Telemedicina

Telemedicina:

  • A telemedicina consiste na aplicação dos computadores e das telecomunicações à prática médica (remota e local), ao processo de ensino-aprendizagem e à investigação científica na área das ciências médicas.

Âmbitos:

  • Telemonitoramento: O telemonitoramento permite aos familiares que através de videoconferência, acompanhem um paciente durante o seu internamento, ou que por exemplo, as mães vejam os seus bebês prematuros enquanto estão internados na UTI neonatal. (HealthPal)
  • Teleconsulta:Através da teleconsulta o profissional de saúde consulta o paciente através de teleconferência, videoconferência, webconferência (com o recurso a uma câmara e monitor de vídeo e se necessário ligação à internet) e utilizando eventualmente alguns periféricos para a transferência de documentos tais como resultados de exames, fotos, etc.
  • Telediagnóstico: O envio remoto de sinais e imagens médicas, dados laboratoriais e outras informações de um paciente, auxilia o diagnóstico do paciente a distancia. (Picture Archiving and Communications System )
  • Teleatendimento: Utiliza a comunicação a distância entre o paciente e o serviço médico para orientação médica, agendar consultas, conseguir informações sobre o serviço, internamento, transferências ou ainda dados relativos a uma determinada patologia, etc..
  • Telecirurgia: Cirurgia robótica (Da Vinci e Catherine Mohr)

12 de abr. de 2015

Artigo sobre âmbito da computação em nuvem na área da saúde

A scoping review of cloud computing in healthcare . Lena Griebel , Hans-Ulrich Prokosch , Felix Köpcke , Dennis Toddenroth , Jan Christoph ,Ines Leb , Igor Engel e Martin Sedlmayr. BMC Medical Informatics and Decision Making. 15 (Mar. 19, 2015): p17.


Revisão de 102 publicações do MEDLINE de Julho de 2013 a Dezembro de 2014. 
Seis domínios para computação em nuvem nos cuidados de saúde foram classificados em ordem decrescente pelo número de artigos incluídos:
1. Telemedicina / Teleconsulta
2. Imagens Médicas
3. Saúde pública e auto-gestão dos pacientes
4. Gestão Hospitalar / sistemas de informação clínica
5. Terapêutica
6. O uso secundário de dados


1- Telemedicina / teleconsulta: Apoiar a comunicação e partilha de dados entre as partes interessadas na área da saúde é o domínio mais proeminente dos quais 34 artigos, com as seguintes aplicações:

  • sistema de partilha de Prontuário eletrônico e PACS
  • rede ponto-a-ponto para transferir informações médicas como registros de pacientes e histórias médicas entre diversos atores, como hospitais e ambulâncias em um cenário de emergência médica
  • serviços médicos em nuvem de emergência: figura com componentes do sistema como infrastructure as a service (IaaS) , platform as a service (PaaS) and software as a service (SaaS).
  • Cloud Cardiology®: um servidor em nuvem permite compartilhar ECG simultaneamente dentro e fora do hospital
  • ECG de 12 derivações: serviço de telemedicina baseado em computação em nuvem, descreveram claramente como o processamento, visualização, gestão e serviços de e-learning são implantados dentro da plataforma comercial em nuvem da Microsoft Azur
  • e-Science Central: conjunto de serviços de nuvem prestados, que abrangem serviços de armazenamento de dados, mas também a execução do serviço, de fluxo de trabalho e segurança
  • projeto MOVEeCloud: médicos especialistas avaliar a atividade física dos pacientes com base nos dados enviados para a nuvem e-Science Central por acelerômetros wearable.
  • caREMOTE: protótipo de um relatório de supervisão der cânvcer, controlo da qualidade de vida e sinais vitais com telemedicina, que é acessível por dispositivos móveis, protótipo usa a infraestrutura de nuvem que foi construída sobre o Google App Engine (GAE) e os dados foram armazenados emGoogle's Big table technology.
  • dados de sensores de smartphone para detectar padrões de atividade e, finalmente, os padrões de estilo de vida
  • sistema de monitoramento em tempo real remoto de saúde baseada em nuvem (CHMS), que tem como objetivo integrar as redes de sensores multi-hop e computação em nuvem
  • telemonitorização no campo da neurociência: sistema on-line prototypic EEG-BCI (Brain Computer Interface) com base em EEG fones de ouvido sem fio e telefones celulares para prever estados cognitivos em pacientes saudáveis em doentes em situações dinâmicas de vida real
2- Imagiologia médica: armazenamento, compartilhamento e cálculo de imagens
  • PACS baseado em nuvem pode permitir o armazenamento de imagens médicas como "PACS-as-a-Service" ou até mesmo fornecer “radiology round-the-clock” altamente flexível
  • protótipo de prova de conceito para demonstrar que é possível a troca de imagens segura entre um cliente e um servidor DICOM hospedado no Microsoft Azure
  • cliente Android para receber informações do paciente e imagens de um servidor central que é executado em uma máquina virtual Amazon e medidos os tempos de download de imagens via 3G e WLAN. Além de o servidor estar na Internet, nem detalhes sobre a nuvem-particularidades nem sobre proteção de dados / segurança são questões mencionadas.
  • algoritmo de reconstrução cone-beam CT usando MapReduce, avaliado em 10 a 200 cloud nodes da Amazon que experimentam a 1/n diminuição do tempo de computação
  • projeto financiado pela Microsoft para implementar um ambiente de pesquisa virtual para reduzir as barreiras à examers imaginológicos no câncer
3- Saúde pública e auto-gestão dos pacientes: prevenção, promoção da saúde ou melhoria para os cidadãos e os pacientes, mas também para grandes grupos populacionais (epidemiologia)
  • HealthATM: infra-estrutura de saúde pessoal baseada em nuvem para fornecer à indivíduos de grupos populacionais carentes (ou seja, pessoas sem seguro de saúde) acesso instantâneo às suas informações de saúde
  • sistemas para informar os grupos de pacientes carentes que sofrem de diabetes e hipertensão com chamadas telefônicas automatizadas para permitir uma melhor auto-gestão das doenças
  • Sistema baseado em nuvem  para armazenar dados pessoais de saúde e estilo de vida através de dispositivos móveis
  • Telecare Medical Information System (TMIS): serviços médicos para os pacientes e profissionais da área médica, como uma monitorização remota de sinais fisiológicos, através de smartphones
  • protótipo de MyPHRMachines onde uma nuvem é usado para fazer upload dos dados relacionados com a saúde e o software aplicativo lê e analisa em um sistema de registro pessoal de saúde
  • TPM (Tele-PTSD Monitor) :monitor de transtorno de estresse baseado em nuvem para pacientes que sofrem de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) monitorarem seu progresso durante o tratamento
  • IAServ (Intelligent Aging-in-place Home care Web Services): plataforma eletrônica de prestação de serviços de saúde para os idosos em domicílio
  • iFit, que é uma plataforma para a promoção da aptidão física para os idosos através de atividades de gamificação
  • solução para trabalhar com dados de grandes populações por conceituar o uso de nuvens privadas virtuais para informação sobre saúde pública
  • redução do tempo de execução para epidemia de análises usando estruturas em nuvem
  • arquitetura baseada em nuvem para simulação de surtos de gripe pandémica
  • plataforma móvel de saúde baseada em nuvem com foco em eficiência energética
4- Gestão hospitalar e sistemas de informação clínica: implantação de sistemas de informação clínica em nuvens
  • nuvem privada dentro de Seoul National Bundang Hospital Universitário (Coréia), com base na tecnologia de virtualização, uma infra-estrutura de desktop virtual e 400 máquinas virtuais, com acesso fácil a cada um dos sistemas de informação do hospital de todos os dispositivos em todo o hospital.
  • ambiente de dois departamentos do hospital romenos com dois subsistemas clínicas diferentes que são capazes de trocar dados entre si com base em HL7 CDA
  • CMSDF : infraestrutura de dekstop virtual baseado em nuvem é detida e gerida por um grande hospital, que é capaz de compartilhar seu software médico como SaaS com as instituições de saúde Grassroot (menor nível administrativo das instituições médicas na China)
  • transferência de recursos da saúde para sistemas de nuvem deve ler em conta vários requisitos em relação à privacidade e confidencialidade dos dados do paciente e que uma empresa externa é necessária para auditar os mecanismos de segurança do provedor de plataforma de nuvem.
5- Terapêutica: planejamento, gerenciamento ou análise de intervenções terapêuticas
  • site para acesso a informações sobre compostos da droga usada na medicina tradicional chinesa
  • protótipo de um sistema de apoio à decisão clínica (CDS) que os pacotes de dados de um paciente são enviados para um SaaS remoto para análise, ou seja, aplicação de regra e comparação das avaliações locais versus os resultados obtidos  analisados ​​em remotamente
  • sistema de apoio à decisão baseado em nuvem para o reconhecimento precoce da sepse
  • avaliar o ganho de desempenho quando se deslocam simulações de Monte Carlo para o planejamento de radioterapia para a nuvem.
  • modelo baseado em nuvem da Amazon para simulação Monte Carlo da dose de radiação.
6- Uso secundário de dados:
  • Possibilidade de armazenasr e compartilhar dados de pesquisa em saúde e dados de prontuários eletrônicos em uma estrutura de computação em nuvem de modo a cumprir o HIPAA
  • abordagem para permitir serviços baseados em nuvem, que deve oferecer alta escalabilidade e segurança de dados HIPAA-compliant, propóe um protótipo SaaS baseado em NLP, em nuvem para permitir a extração, processamento, gestão, e comparação de dados médicos de vários hospitais
  • serviço NPL baseado em nuvem onde  texto livre é deidentificado antes de colocar na nuvem, com benefícios do uso de computação em nuvem como redução do custo de processamento de dados (sem investimento inicial, pay per use) e os serviços gerenciados que permitem o uso de serviços de computação intensivos e complexos por provedores de dados com departamentos de TI pequenos.
  • modelos de mineração de dados e os resultados podem ser partilhados entre os diferentes hospitais usando servidor baseado em nuvem.
  • sistema protótipo que permite uma arquitetura baseada em nuvem para o mineção e nomarlização de dados para o intercâmbio entre hospitais
Conclusão:

Uma aplicação que realmente melhora a prestação de serviço na Saúde,  por meio da computação em nuvem,  deve descrever explicitamente as características específicas da nuvem da sua aplicação de acordo com as definições do NIST, como elasticidade rápida ou serviço medido, onde um modelo de pay-per-use substitui investimentos iniciais . Pool de recursos ajuda as organizações a consolidar e simplificar os serviços de infra-estrutura e tendências existentes em virtualização. 

Além disso, se a computação em nuvem é uma das principais características de um aplicativo de assistência médica, recomendamos que em futuras publicações, autores que descrevem o modelo de implantação particular escolhido e  tipo de serviço de nuvem usado.

15 de out. de 2016

Abertas inscrições para Cursos EAD de Introdução à Informática em Saúde, Telessaúde e Telemedicina

O Núcleo de Tecnologias e Educação a Distância em Saúde da Universidade Federal do Ceará (NUTEDS/UFC) abriu inscrições para quatro cursos ofertados em parceria com o Programa Telessaúde Brasil Redes. O público-alvo são os profissionais de saúde, embora, em alguns casos, demais interessados nos temas possam participar.


São 8 mil vagas abertas para todo o Brasil, 2 mil para cada um dos cursos. As inscrições vão até março de 2017. Interessados devem preencher o formulário de inscrição especificado para cada curso. As informações de acesso serão enviadas em até 48 horas após o preenchimento do formulário. Todos os cursos são gratuitos e autoinstrucionais. 



1ª oferta - Capacitação sobre Diabetes Mellitus para Profissionais de Saúde

O curso tem como objetivo ampliar a capacidade de enfrentamento das principais situações de risco relacionadas ao Diabetes Mellitus que se apresentam no cotidiano do profissional de saúde. Podem participar Enfermeiros e Médicos, preferencialmente atuantes no Sistema Único de Saúde (SUS), em especial nas Equipes da Saúde da Família (ESF). O curso tem carga horária de 10h.
CLIQUE AQUI para acessar o formulário de inscrição.


2ª oferta - Curso Contexto Atual da Telessaúde e da Telemedicina no Brasil

O curso de Capacitação "Contexto Atual da Telessaúde e da Telemedicina no Brasil" é voltado para profissionais da área da saúde de nível médio e superior, mas está aberto para demais interessados no tema. 2 mil vagas estão abertas. O curso pretende mostrar a o que é e como funciona o Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes.
CLIQUE AQUI para acessar o formulário de inscrição.

2ª oferta - Curso Introdução à Informática em Saúde

O curso "Introdução à Informática em Saúde" aborda a importância da utilização das Tecnologias Digitais da Informação e das Comunicações (TDICs) na área da saúde, tanto nos aspectos ligados ao que se denomina Informática em Saúde ou Informática Médica, quanto na convergência desta área com a Educação a Distância online. A ideia é enfatizar o valor da educação colaborativa à distância na capacitação profissional em diferentes áreas da saúde. O curso possui três unidades que abordam temas relacionados à história da Informática em Saúde, as perspectivas desta área no Brasil, e aspectos referentes à Saúde Digital. 2 mil vagas estão abertas. Profissionais da saúde e interessados no tema podem participar.
CLIQUE AQUI para acessar o formulário de inscrição.



3ª oferta - Capacitação para Profissionais de Saúde em Telessaúde

O projeto pretende ampliar a capacidade de enfrentamento de situações de risco que se apresentam nas áreas de atuação do profissional de saúde e áreas afins. O curso é constituído de cinco módulos. O primeiro módulo aborda as diretrizes do Programa Telessaúde Brasil Redes, e como este tem funcionado no Estado do Ceará. O segundo aborda as Doenças tropicais com foco na Dengue, Chikungunya e Zica; seguido pelos módulos sobre Geriatria, Drogas e Doenças Crônicas não Transmissíveis. 2 mil vagas estão abertas. Profissionais da saúde e interessados no tema podem participar.

CLIQUE AQUI para acessar o formulário de inscrição.

4 de set. de 2009

Tecnologia amplia uso da telemedicina no Brasil

Da redação ::
Convergência Digital :: 03/09/2009


O projeto de diagnóstico à distância TIPIRX, financiado pela FINEP, leva soluções de baixo custo a municípios do Estado do Rio de Janeiro para tratamento de doenças pulmonares. No Rio de Janeiro ocorre a maior incidência de casos e de mortes por tuberculose no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde.

Outras doenças, como pneumonia e gripe, de risco especialmente alto para pacientes idosos ou debilitados, também são alvo do programa. Desde 2002 a FINEP apoia iniciativas na área de telemedicina, ou seja, medicina à distância. Até agora, já foram investidos cerca de R$ 30 milhões, além de mais de R$ 100 milhões concedidos para o trabalho de estruturação de redes de comunicação.

A importância do investimento em telemedicina é possibilitar o acesso a exames e médicos a pessoas que moram em lugares onde esses recursos não estão disponíveis. Muitas vezes o paciente é obrigado a se deslocar para outras cidades para suas consultas, e isso frequentemente dificulta ou até inviabiliza o tratamento.

"Há pacientes que nem sequer chegam a ser diagnosticados por isso, ou quando são, já é tarde demais", diz a doutora Alexandra Monteiro, professora-adjunta da Faculdade de Ciências Médicas e coordenadora do Laboratório de Telessaúde da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

A ideia inicial do projeto partiu da necessidade de se identificar uma solução de custo mais baixo que viabilizasse a digitalização de imagens do tórax, tendo como prioridade acelerar o diagnóstico da tuberculose feito remotamente, via internet.

O projeto tem como foco o Programa Telessaúde Brasil, do qual a Uerj é o núcleo no estado do Rio. Dez estados fazem parte desse programa do Ministério da Saúde. “Dentro do escopo maior do Telessaúde Brasil, cada núcleo desenvolve uma expertise diferencial. No Rio, é a teleconsultoria na telerradiologia pulmonar”, explica Alexandra.

Um dos principais problemas a serem enfrentados era o alto custo das soluções disponíveis no mercado para a telerradiologia. A solução sustentável veio da equipe coordenada pelo professor Amit Bhaya, engenheiro e professor titular da Coppe/UFRJ.

Ele desenvolveu um processo inovador, utilizando um scanner convencional em conjunto com um software original – o ScanX - de uso totalmente amigável, com linguagem simples, e que pode ser operado por leigos.

Basicamente, um exame de raios X em filme convencional é escaneado em quatro partes (por causa do tamanho do filme), e a imagem é automaticamente ‘costurada’, formando uma única imagem digital completa.

O arquivo gerado é compactado o suficiente para não perder detalhes de definição, sem se tornar muito pesado para ser transmitido de locais com conexões lentas à internet. “Tudo foi pensado para ser utilizado por usuários que saibam usar o básico num computador”, explica o professor Amit.

A imagem digitalizada do exame é anexada a um formulário eletrônico desenvolvido no Núcleo RJ no Telessaúde Brasil e enviada a uma equipe de teleconsultores dos serviços de radiologia do HUPE (Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Uerj), HUAP (Hospital Universitário Antônio Pedro, da UFF) e HUCFF (Hospital Universitário Clemente Fraga Filho, da UFRJ).

A resposta é enviada de volta no mesmo formulário. Todo o procedimento segue as resoluções éticas do Conselho Federal de Medicina e da resolução específica em Telerradiologia, aprovada este ano.

Fonte: convergência digital

23 de abr. de 2017

Por que incluir a Informática Biomédica nos cursos de graduação de medicina?

Uma iniciativa do Prof. Dr. Luiz Roberto de Oliveira do NUTEDS da UFC para a inclusão da Informática Biomédica nos currículos de graduação da medicina e demais áreas de saúde para que os alunos saiam com competências computacionais exigidas pelos dias de hoje!


NUTEDS e Rede RUTE iniciam 1ª SIG de Educação em Informática Biomédica do Brasil

O Núcleo de Tecnologias e Educação a Distância em Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará realizará, no dia 27 de abril, às 8h30, a primeira reunião do SIG de Educação em Informática Biomédica no Brasil. Criado em parceria com a Rede Universitária de Telemedicina (RUTE), o projeto é pioneiro no país, promovendo o debate sobre o estímulo ao desenvolvimento de competência digital entre profissionais e estudantes na área da saúde, para uso produtivo das Tecnologias Digitais da Informação e da Comunicação (TDIC), de modo a melhorar o letramento digital e informacional já a partir dos cursos de graduação.

O SIG de Educação em Informática Biomédica foi proposto pelo coordenador geral do NUTEDS, Prof. Dr. Luiz Roberto de Oliveira, em março, por sugestão do Dr. Paulo Roberto de Lima Lopes, Coordenador de Inovação da Rede RUTE, ao mesmo tempo em que foi encaminhada proposta de criação do Núcleo RUTE na Faculdade de Medicina da UFC.  A ideia do SIG a ser inaugurado vem sendo discutida desde o começo do ano e ganhou apoio de diversos outros núcleos da rede, entrando na programação oficial da RUTE em abril.

Como participar?
A primeira reunião será feita por meio de uma webconferência, transmitida nacionalmente. O acesso é gratuito. Basta entrar como convidado, colocar o nome e acessar a sala virtual. Lá, é possível acompanhar as discussões, visualizar o conteúdo e participar do debate.

CLIQUE AQUI para acessar a sala virtual

Será disponibilizada ainda a sala de vídeo do NUTEDS para quem quiser acompanhar e participar da transmissão diretemanete no Núcleo. O NUTEDS fica no Bloco Didático da Faculdade de Medicina da UFC, Rua Professor Costa Mendes, 1608 - Rodolfo Teófilo – Fortaleza-CE. Térreo CEP: 60430-140.

Quem pode participar?

A web é aberta ao público. Além dos núcleos da Rede RUTE que apoiam e demonstraram interesse em participar do projeto (UFPE, UFRN, UFMG, Escola Bahiana de Medicina, UFMA, UNESP, USP, UERJ e a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto), devem participar alunos de graduação, residentes, alunos de especialização, mestrandos ou doutorandos, professores, pesquisadores e profissionais da saúde de nível médio ou superior, tanto da Medicina, como da Farmácia, da Odontologia, do Serviço Social, da Enfermagem, da Psicologia, da Fisioterapia, da Saúde Pública e da Informática.

O que é um SIG?

Os SIGs ( do inglês Special Interest Groups) são uma iniciativa fomentada pela Rede RUTE para promoção de debates, discussões de caso e até aulas à distância, por video ou webconferência, estimulando a integração e a capacitação entre profissionais de saúde em diferentes níveis de formação profissional.

O  SIG de Educação em Informática Biomédica deve acontecer mensalmente, na última quinta-feira de cada mês.

Sobre a Rede RUTE
A Rede Universitária de Telemedicina - RUTE, é uma iniciativa do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, coordenada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), hoje presente em universidades e hospitais universitários (HUs) e de ensino em todo o país, visando apoiar o aprimoramento de projetos de telemedicina já existentes e aprimorar futuros trabalhos institucionais na área.

O NUTEDS na Rede RUTE

O NUTEDS passou a integrar a Rede RUTE em março deste ano. Trata-se de uma conquista importante, porque é o reconhecimento do esforço que tem sido feito pelo Núcleo para promover ações no âmbito das tecnologias na saúde, especialmente em termos de ensino e de capacitação de profissionais dessa área. Além disso, este será o primeiro núcleo RUTE da Faculdade de Medicina da UFC. Na prática, o núcleo já existe, mas a inauguração oficial será no dia 11 de maio.