14 de dez de 2010

Internet, maior concorrente dos consultórios médicos

Por Angela Bittencourt no  Valor Econômico - 14/12/2010


A internet é um concorrente e tanto para os médicos e contribui para o uso maior e indiscriminado de medicamentos. "O Dr. Google é nosso maior competidor. Os pacientes chegam aos consultórios portando diagnósticos, submetem os médicos a uma inquisição e chegam até a mudar os sintomas para que fiquem semelhantes aos obtidos nos sistemas online", relata o toxicologista do Hospital da Clínicas Anthony Wong, para quem o uso maior de medicamentos tem correlação com fluxo também maior de informações. "Na internet existem trocas de experiências, relatos. Nos grandes jornais brasileiros, as sessões de saúde só têm crescido. Ocupavam uma página, agora têm duas ou três", informa. 

Pesquisa Ibope realizada com cerca de 18 mil pessoas em regiões metropolitanas brasileiras, entre o ano passado e meados deste ano, confirma o interesse geral da população sobre produtos farmacêuticos. O maior apelo é nas classes D e E, com 40% dos entrevistados considerando "importante" conhecer "lançamentos", ante 34% em média do universo consultado. 
No Brasil, 39% dos internautas usam a rede para procurar informações sobre o assunto. Esse percentual sobe a 60% quando se consideram os internautas com nível superior, relata o Comitê Gestor da Internet no Brasil. 
Pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da USP, via web, sobre os hábitos dos pacientes na internet mostra que 83% buscam informações sobre saúde na rede; 85% dizem que voltam a fazer pesquisas online mesmo depois da consulta médica; e 50% dos médicos reagem mal se o paciente traz informações prévias.
Nos Estados Unidos, 60% dos adultos fazem busca sobre saúde na internet e afirmam que os resultados encontrados acabam exercendo influência sobre o tratamento da doença, mostra pesquisa realizada pela Pew Research Center's Internet e California Health Care Foundation. A pesquisa revela ainda que os americanos, mesmo conectados ao mundo online, continuam a recorrer às fontes tradicionais de informação. Quando precisam de informação ou assistência em saúde e assuntos médicos, 86% dos americanos consultam profissionais de saúde; 68% trocam ideias com um amigo ou membro da família; 57% utilizam a internet; e 54% recorrem a livros ou outras publicações impressas.
"O paciente tem o direto de se informar", reconhece o psicoterapeuta. "O paciente é dono do seu corpo. Mas daí a se automedicar há uma distância. O médico tem treinamento, tem experiência clínica. Isso é muito importante e deve ser valorizado. Por mais útil que sejam os diagnósticos por computador, é necessário que alguém interprete", diz. 
Sérgio José Nicoletti, coordenador do Núcleo de Educação da Saúde da Universidade Federal de São Paulo, pondera que o consumo de medicamentos faz parte do ciclo econômico, mas é um consumo diferente. "Quando consumimos alimentos, roupas, automóveis, há busca pela satisfação. Esse consumo pode até gerar insatisfação, mas não nos deixa doentes. No consumo errôneo ou desinformado de remédios, além da perda pela não satisfação, há o risco de perda de saúde ou seu comprometimento."

Dica do meu amigo @berlitz

Postagens populares