10 de fev de 2009

Informação na saúde não é um Big Brother

Fazer parte de uma rede social na internet não significa que todas as informações ali presentes podem ser visualizadas pelo público em geral. Até no caso do LinkedIn, que é uma rede de relacionamentos aberta ao público, temos informações que são restringidas conforme o nível de permissão de quem as controla. Ou seja, existem perfis que deixam todos os dados escancarados para qualquer um. Outros, permitem que só os contatos visualizem o conteúdo ali disponibilizado. Como as redes sociais da internet espelham de alguma forma o nosso comportamento, é previsível que nelas sigamos também a cartilha da privacidade, de controlarmos o que vai ou não ser mostrado ao público.
Em uma comunidade de saúde em rede o princípio de respeitar o sigilo de seus participantes também é adotado. No caso do paciente, seu prontuário eletrônico é o único documento que pode ser acessado pelo médico na hora da consulta, quando o próprio paciente entrega seu cartão - como já é feito no Hospital de Samambaia (DF). Ou seja, a visualização completa das informações é feita unicamente por aquele profissional, uma vez que o paciente autorizou o acesso aos dados. Assim, percebemos que, apesar das informações trafegarem em um sistema de saúde informatizado e integrado com muitos participantes, elas estão protegidas por políticas de “privacidade da informação”, sendo acessíveis apenas quando necessário, por quem tiver autorização para tanto.
Isso impede, por exemplo, que um paciente com alguma doença grave tenha a sua condição exposta publicamente, assegurando que todos os registros contidos no prontuário eletrônico apareçam apenas na tela do computador do médico responsável. Claro que isso só é possível porque a tecnologia evoluiu e alguns softwares de gestão especializados neste segmento permitem essa aplicação, com nível máximo de segurança e disponibilidade, o que garante credibilidade ao sistema, mantendo intacta a confiabilidade da relação médico-paciente.
O tema é bastante polêmico. Tenho acompanhado especialistas e formadores de opinião que discutem esse assunto sob vários pontos de vista, cada um com razões e explicações a favor ou contra este novo modelo, que cada vez mais vem crescendo com sucesso no Brasil. Acima de tudo, fica claro que a tecnologia é fundamental na aplicação e uso do prontuário eletrônico dentro da comunidade de saúde em rede.
Defendemos um sistema integrado e abrangente através de uma rede informatizada, com os dados disponíveis apenas para profissionais de saúde, mediante a permissão do paciente. Para quem pode ajudar, não para os curiosos de plantão. A saúde da gente é coisa séria, não um Big Brother, certo?
Fonte: Carlos Eduardo Nogueira em Comunidade de Saúde em Rede

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