23 de dez de 2013

Infoveillance & Infodemiology

Por Luciana Alves PhD


O surgimento da primeira ferramenta de busca na internet, em 1990, foi criada por Alan Emtage, em 1990, e batizada com o nome Archie. Se tratava de uma coleção de servidores FTP (File Transfer Protocol) interconectados que disponibilizava espaço para o download e upload de arquivos (Zander, s/d). 

Desde Archie, sugiram inúmeras ferramentas de busca, a citar, Bing, Yahoo, e o gigante Google, entre outras. Em relação ao número de buscas, usamos as principais ferramentas cerca de 500.000 vezes a cada segundo. Todos os dias, são realizadas mais de 3 bilhões de buscas por usuários do Google em todo o mundo. Desse total, 15%, ou 450 milhões, são combinações de palavras inéditas, ou seja, combinações nunca antes digitadas no sistema.

Até o ano de 2010, segundo o Science Express Journal (2010) estima-se que a quantidade de informação produzida no mundo foi 295 exabytes. Esse valor equivale à quantidade de informação contida em uma pilha de CDs de 400 metros de diâmetro, capaz de ultrapassar a altura da Lua.

Fato é que a informação rompeu fronteiras de velocidade, armazenamento e flexibilidade no tratamento da informação vinda de múltiplas fontes. O termo infodemiology foi cunhado inicialmente para sugerir o desenvolvimento de parâmetros métricos para o que está sendo publicado na Internet (“supply-based infodemiology”). É definida como a ciência da distribuição da informação em formato eletrônico, especificamente a Internet, com o objetivo de fornecer informações relevantes para saúde pública. Originalmente foi aplicado no contexto da identificação e monitorização de informações equivocadas sobre os vários aspectos da saúde, discussão que esteve em destaque no final da década de 90. Posteriormente, popularizado pela sua aplicação pelo Google na predição da epidemia da gripe (H1N1) – Flutrends, e aplicado para este fim (Eysenbach, 2009; 2011).

Em Infodemiology os dados coletados apresentam algumas características como: ser derivado de dados não-estruturados, serem textuais, acessíveis de forma livre (concessão realizada pelo usuário ao assinar que concorda com os Termos - Leia sempre os termos), a informação é produzida e consumida pelo público na internet (como blogs, sites de consulta e de navegação, etc.), e todos dados podem ser coletados e analisados em tempo real.
A utilização de dados em “infodemiology” para fins de vigilância tem sido chamado de "infoveillance”. Neste caso, quando identificados por exemplo, picos de procura por um tipo de informação sobre uma doença específica, em pesquisas, conversas em grupos, notícias, postagens em Blogs, twitter, etc., estes picos podem ser, de uma forma bem grosseiramente falando, um preditor precoce de uma epidemia por exemplo. Entretanto, a utilização destes dados para este fim passa por profundos estudos, até que possam ser considerados válidos de acordo com parâmetros científicos estabelecidos e testada a hipótese. 

A utilização das redes sociais e outros meios de difusão da informação baseados na internet, para interagir, opinar e compartilhar conteúdos sobre os mais diversos tópicos, como diversão, o clima, questões de trabalho, comportamento familiar, sobre o trânsito e mesmo e sobretudo sobre a própria saúde evolui de forma dinâmica. 

Para quem ainda não conhece, uma ferramenta para pesquisar de forma genérica tendências de busca de determinados termos, que vale apena explorar, é a ferramenta do Google, Trends. A ferramenta permite a inclusão de termos específicos e ainda a procura por termos pré-definidos, como por exemplo, Saúde. No momento apenas exibidos dados dos EUA. Explorando sobre o tema “medicamentos” observa-se que, nos EUA, o interesse por antibacterianos está no topo da lista de interesse de buscas nesta categoria há pelo menos 119 semanas, seguido pelo interesse por sais de anfetamina há 103 meses entre os 10 mais procurados, e em terceiro lugar, o paracetamol. No top 10, os demais medicamentos de interesse, a iniciar do quarto ao décimo, estão: alprazolan, ibuprofen, tramadol, diphenhydramine, naproxen, aspirin, e na décima posição, sertraline (Figura 1)

Figura 1- Detalhe Top 10 medicamentos mais procurados, nos EUA, na internet de acordo com a ferramenta Google Trends – os mais pesquisados categoria Natureza e ciência – medicamentos em 15 de dez de 2013.


É por isso e muito mais que a coleta de dados (mineração de dados na internet, seja de informações publicadas no twitter, notícias, dados de buscadores, etc.) é tão importante e pode impactar fortemente para um melhor controle de aspectos relativos à saúde. Para quem já ouviu, quando a gente tem uma informação especial e alguém pergunta quem contou, as vezes a gente diz “um passarinho me contou”. Então, da próxima vez que ouvir isso, pode realmente ter sido um passarinho, do Twitter, é claro.

Luciana Alves é Neuropsicóloga, Mestre e Doutora em Ciências da Saúde, e faz Residência Pós-doutoral no Instituto de Ciências Biológicas - UFMG, com temática relacionada à Infoveillance & Infodemiology, junto ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Dengue. Ministra curso com temática relacionada com Informática em Saúde, coordena, como colaboradora, uma linha de pesquisa em Mobilidade em Saúde e Segurança da informação no np-Infosaude – UFMG. Fundou e Lidera uma atividade de cunho social denominada PACEMAKERusers.com, e é CEO - Chief Executive Officer na  Bionics Health and Technology.
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