12 de mar de 2009

Sistemas eletrônicos de Registros Médicos

Darren Hauck/The New York Times

O Dr. Theodore Praxel, diretor da clínica Marshfield, mostra um registro médico digital


O futuro da medicina passa pelo futuro da medicina digital. E ela é cada vez mais acessível e presente no nosso cotidiano.
Quem imaginaria há cerca de 15 anos, quando me formei, que poderíamos ter lista de discussão sobre casos médicos na internet, com acesso a tomografias online, ecodopller, exames laboratoriais a um clique de distância? Que poderíamos acessar caixa de e-mails, msn, assistir a programas de televisão pelo celular?
Isso tudo é uma realidade indiscutível atualmente. E assim vem sendo com registros médicos.

Na área das políticas de assistência médica nacionais existe amplo consenso de que transferir os registros de pacientes do papel para o computador é essencial para melhorar a qualidade do atendimento e conter custos.

O registro no papel é um documento passivo e histórico. Já o registro médico eletrônico pode ser uma ferramenta vibrante que lembra e assessora médicos. Ele pode manter informações sobre consultas, tratamentos e condições, retornando anos, e até mesmo décadas. Pode ser acionado com um clique, ao invés de permanecer escondido num arquivo em algum lugar remoto, portanto inútil durante emergências médicas.
Os modernos sistemas computadorizados possuem links para informação online a respeito das melhores práticas, tratamentos, recomendações e de combinações nocivas de drogas. Os benefícios potenciais incluem menos testes desnecessários, redução de erros médicos, e melhores cuidados para que os pacientes necessitem menos de custosos tratamentos hospitalares.

A ampla adoção de registros médicos eletrônicos também pode fornecer mais evidências para a pesquisa médica. Cada registro de paciente é adicionado em tempo real a um banco de dados em constante crescimento de evidências sobre o que funciona ou não. O objetivo é aproveitar a informação da saúde de indivíduos e populações, compartilhá-la em redes, peneirá-la e analisá-la para tornar a prática da medicina mais uma ciência e menos uma perícia.

O futuro já chegou. A clínica Marshfield sabe disso. Hoje, todos os seus 790 médicos e equipes de apoio espalhados em 43 localidades de Wisconsin utilizam a prancheta digital. No final do ano passado, o grupo eliminou os prontuários de papel para os mais de 365 mil pacientes atendidos todos os anos, liberando um espaço de armazenamento do tamanho de um campo de futebol americano na clínica principal em Marshfield. Em cada passo rumo ao sistema completamente digital, os médicos foram consultados e envolvidos no processo.

"Foi uma jornada fabulosa, com médicos antes relutantes e que agora não conseguem viver sem essa tecnologia," observou o doutor Karl J. Ulrich, chefe-executivo da clínica.

Mashfield é um entre dezenas de grupos médicos do Estados Unidos que está abraçando agressivamente a tecnologia da informação. As organizações tendem a ser grandes - de instituições com milhares de médicos, como Kaiser Permanente e Department of Veterans Affairs, a outras com apenas centenas, como Mashfield e Geisinger Health Systems, no centro da Pensilvânia. Elas normalmente são responsáveis por todos os aspectos dos cuidados com o paciente. E geralmente também são companhias de seguro.



A partir de agora, vou iniciar uma série de posts sobre os Sistemas Eletrônicos de Registros Médicos, como o Google Health, Microsoft HealthVault, o Cartão Nacional de Saúde aqui no Brasil, e mesmo a clínica Marshfiled.

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