Mostrando postagens com marcador Sistemas de Registro de Saúde. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sistemas de Registro de Saúde. Mostrar todas as postagens

29 de ago. de 2017

O futuro do Prontuário Eletrônico!

Em uma aula sobre "Inteligência Artificial na Prática Clínica" que dei outro dia no NUTEDS -UFC, falo sobre a minha visão de prontuário eletrônico em um futuro próximo. Hoje vou escrever sobre isso aqui.

SISTEMAS DE APOIO A DECISÃO CLÍNICA

Os SADCs são sistemas que utilizam uma base de conhecimento aliada a algoritmos  e que utilizando dados clínicos  vão gerar recomendações específicas para o cada caso médico específico. Hoje já está disponível em muitos prontuários eletrônicos sistemas que por meio de protocolos e guidelines, ajudam na tomada de decisão do médico.
O que eu imagino que está por vir são sistemas que, baseados em em uma base de dados própria, associada a uma base de conhecimento, pudesse prever um desfecho para um paciente, em tempo real, e alertar o médico. 
Por exemplo, o profissional de saúde está atendendo um paciente e registrando o atendimento, e recebe um alerta de que os sintomas apresentados como hiporexia e náuseas, associado a sinais como bradicardia e mucosas desidratadas, pode ser devido a intoxicação pela Digoxina que o paciente usa, tendo como causa a desidratação e a função renal já registrada em outro atendimento.
Esse tipo preditivo de Análise de Dados, pelo que eu questiono a quem entende e estuda os algoritmos, é muito difícil de ser posto em prática, pois seria baseado em uma análise não supervisionada. Análise de dados supervisionada é aquela onde são informadas as variáveis a serem buscadas assim como o desfecho esperado. Na análise de dados não supervisionada, são fornecidas somente as variáveis e baseado nos dados e as relações entre eles, os desfechos relevantes são descobertos.

WEARABLES


O uso de dispositivos vestíveis para a saúde já é muito comum. Algum deles já oferecem a API  (Application Programming Interface - conjunto de rotinas que processa respostas seguindo padrões estabelecidos por um software ou web service) que os programadores usam para integrar esses dados a prontuários médicos, por exemplo (veja exemplos aqui). 
Eu penso que logo a integração dos dispositivos médicos ao registros eletrônicos será bem mais simples, bastando o paciente fornecer um código do seu Apple Watch ou Nike Fuelband, ou mesmo glicosímetros,  que seria inserido pelo médico no prontuários. Esses dados de saúde dos wearables seriam integrados em tempo real. Assim, curvas de PA ou glicemia estariam disponíveis nos prontuários eletrônicos a cada atendimento.


MÍDIAS SOCIAIS

Outra funcionalidade que vejo inserida em Prontuários eletrônicos são aos mídias sociais. O Twitter já é usado para análise de sentimento, detecção de epidemias. Algoritmos já detectam no Instagran sinais de depressão dos usuários com base em suas fotos postadas. Usando suas fotos postadas no Facebook, algoritmos descobrem quem o usuário ama, ou detecta sinais de inteligência usando sua foto de perfil.
Penso que pacientes autorizariam a vinculação de suas contas de mídias sociais  ao prontuário eletrônico, fornecendo dados de Big Data para detecção de informação clinicamente relevante para o médico.

Desenvolvedores de Sistemas de Registro de Saúde que pensarem essas funcionalidades para seus produtos sairão na frente. O problema é que é muito mais rentável para as empresas desenvolvedores as funcionalidades voltadas para os gestores. São muito poucas as que pensam funcionalidades  de análise de dados voltadas para quem atua na ponta, ou seja, o profissional de saúde.

23 de jan. de 2014

O que é Prontuário Eletrônico do Paciente

O prontuário médico, antes em suporte em papel e evoluindo para o suporte eletrônico, também denominado como Registro Eletrônico do Paciente (REP), Computer-Based Patient Record, (CBPR), Electronic Medical Record Systems (EMRS) e  Registro Eletrônico de saúde (RES), o Prontuário Eletrônico do Paciente é  o documento que contém a história dos registros de informações concernentes à saúde do indivíduo, podendo ser individual e às vezes coletivo.

O que é necessário para ser considerado prontuário eletrônico?
A simples digitalização (scanner) de histórico do paciente, documentos e exames não pode ser considerada prontuário eletrônico uma vez que não traz mudanças de comportamento e não possibilita a estruturação da informação, ou seja, não permite (ainda) o manejo e pesquisa de dados pois o arquivo é uma imagem e não contem dados estruturados. O ideal, no futuro, é que os softwares possam ler o que foi escrito no papel e digitalizado e transformar essa informação em texto digitado e dados estruturados.

























Mas qual o mínimo de funcionalidades e requisitos necessários? A discussão em torno desse assunto é gigantesca, assim como não há, na legislação do CFM, o mínimo exigido. A Cartilha sobre Prontuário Eletrônico do CFM/SBIS é muito útil e simples e pode elucidar a maioria das dúvidas dos médicos.
























Mas um aspecto muito importante é que a percepção do que é Qualidade difere de profissional para profissional, e o que é excelente para mim pode ser muito ruim para você. Dizer que um prontuário eletrônico é bom pode ser que mesmo sendo cheio de campos para preencher e muito detalhado, é possível depois fazer a análise de quantos pacientes estão com consultas de controle atrasadas e necessitam ser lembrados disso por email automático. Mas para outro profissional, um bom prontuário eletrônico é aquele onde ele possa arquivas fotos do paciente a cada consulta para efeito comparativo de lesões e que tenha um algorítimo matemático que avalie a chance de malignidade incorporado no software.

A maioria dos profissionais acha dispensável uma consultoria de informatização de seu consultório para definir qual melhor software para sua necessidade. Se você pensa diferente, clique aqui.



Você pode também interessar-se por:

  1. Panorama atual do uso de tecnologias (Prontuários Eletrônicos) por médicos - Parte II
  2. A SBIS certifica qualidade no Prontuário Eletrônico?
  3. Lista de Prontuários eletrônicos e Gestão de clínicas
  4. TI em saúde: 9 lições com prontuário eletrônico
  5. Desafios na implantação de prontuários eletrônicos em instituições de Saúde
  6. Usos do Prontuário do Paciente na contemporaneidade por Dra Cristiane Galvão


22 de nov. de 2012

Computadores em consultórios e a relação médico-paciente


Questiona-se se o uso de EHRs diminuir a interação médico-paciente na sala de exame.

No hospital escola da Harvard Medical School, o BIDMC, há um portal com login para pacientes e Wi-Fi em todo o hospital, os médicos muitas vezes chegam à beira do leito para encontrar um paciente consultando seus exames de laboratório em um iPad, pronto com perguntas sobre seus testes.
site para pacientes do Beth Israel Deaconess Medical Center

A literatura mostra, baseada nos estudos realizados em consultórios com computadores na sala de exame,  que computadores atrapalham se os médicos tem facilidade no seu uso e mantém contato visual com os pacientes.

Aqui estão três artigos:

"Os computadores nos consultórios pareceu ter efeitos positivos sobre interação médico-paciente  relacionadas com a comunicação médica sem efeitos negativos significativos sobre outras áreas, como o tempo disponível para os questionamentos do paciente. Mais estudos são necessários para entender melhor uso HIT (Health Information Technology) durante as visitas." J Am Med Informe Assoc. 2005; 12:474-480. DOI 10.1197/jamia.M1741 http://jamia.bmj.com/content/12/4/474.abstract


"Os estudos que examinam o uso EHR (Eletronic Health Records) encontraram efeitos na sua maioria neutros ou positivos sobre a satisfação do paciente, mas os pesquisadores da Atenção Básica necessitam  realizar mais pesquisas para uma resposta mais definitiva." J Am Med Board Fam 2009; 22:553-562.http://www.jabfm.org/content/22/5/553.full.pdf+html


"Com a implementação do registro médico eletrônico chamado HealthConnect em todas as salas de exame em todo o sistema de prestação de saúde da Kaiser Permanente, como os computadores nos consultórios afeta a comunicação médico-paciente é uma nova preocupação. Índices de satisfação dos pacientes foram obtidas para a atenção básica e especialidades em um grande centro médico no sul da Califórnia para determinar se a pontuação seria alterada conforme os médicos começassem a usar HealthConnect na sala de exame. Os Resultados não mostram mudanças significativas na satisfação do paciente para estes médicos. Embora as preocupações de que a satisfação do paciente fosse diminuir após o HealthConnect fosse introduzido, também não houve evidência de que a introdução de um prontuário eletrônico em ambulatórios melhorasse a satisfação do paciente. " 

10 de fev. de 2011

Hospitais privados lideram adoção de sistemas de gestão


Apenas uma pequena parcela dos hospitais brasileiros, públicos e privados, já tem uma administração de saúde profissionalizada, na qual a adoção de sistemas de gestão possibilitou o controle eficiente de custos e resultados. Para os especialistas, a utilização dessas soluções deve aumentar fortemente nos próximos anos, por conta do potencial de crescimento da área de saúde pública e privada.
Na busca por softwares de gestão, os fornecedores nacionais têm levado vantagem sobre as multinacionais, por conta das características do mercado brasileiro. O Brasil tem um modelo de saúde diferente em relação ao adotado em outros países, e o fabricante local já estaria adaptado à “cultura local”.
 

Hospital Infantil Sabará

Adotou um sistema integrado, capaz de cobrir todas as suas áreas – recursos humanos, financeiro, contabilidade, lavanderia, hotelaria, enfermaria, centro cirúrgico, pronto- -atendimento, áreas de internação, farmácia, entre outras. Investiu 5 milhões de reais em tecnologia da informação e telecomunicações. Usa o sistema MV 2000, da MV Sistemas, que atende o hospital como um todo, abrangendo do atendimento à área clínica e assistencial, dos laboratórios de diagnóstico e terapia até a parte de faturamento e controladoria.
Raquel Sabatini, gerente de TI do Sabará, “Houve ganhos em vários aspectos”, diz ela. E enumera: “Com os sistemas integrados você tem um fluxo contínuo do negócio, com mais agilidade em cada etapa, como na liberação da conta que deve ser cobrada. Facilitou a auditoria dessa conta, e deu maior credibilidade com os convênios. Além disso, a solicitação de exames, internações e cirurgias às operadoras ficou mais ágil. Houve também melhora do controle de estoques.”


Hospital Samaritano

Possuia dois sistemas menores, um próprio e outro, da Microsiga, que atendia especificamente à gestão administrativa financeira e em 2008, o Samaritano escolheu o sistema de gestão Tasy, da Wheb Sistemas, implementado em um prazo de sete meses. “Foi uma meta ousada. Além disso, planejamos um modelo de implementação big-bang, trocando um sistema pelo outro de uma só vez, o que exigiu ainda mais da equipe.” Para implementar o sistema, o Samaritano investiu 3 milhões de reais, direcionados para infraestrutura, consultoria, licenciamento de software, licenciamento da Oracle etc.

Com todo o hospital integrado em uma mesma plataforma online, ganhos nas áreas administrativa e assistencial foram alcançados. A administração ganhou eficiência em gestão, com processos padronizados, confiabilidade na geração dos dados e maior qualidade nos controles.

O hospital integrou até a área de digitalização de imagens. O sistema Tasy, troca dados com sistema de imagens médicas digitais, e o IMPAX, fornecido pela AGFA Healthcare. A integração tem permitido agilidade do atendimento, melhora na gestão e eficiência operacional com a eliminação ou redução do uso de papel, filmes e de produtos químicos nos processos de revelação. Alem disso, ela é pré-requisito para o prontuário eletrônico.


Sírio-Libanês

Implementou o Tasy em 2007, dentro de um projeto de modernização do setor de TI. “Até 2006, o Sírio trabalhava com vários pequenos sistemas. A maior parte do pacote adquirido no mercado. Não tínhamos um sistema integrado”, diz a superintendente de tecnologia da informação, Margareth Ortiz de Camargo. “Acredito que outros hospitais se animaram com o Tasy por conta da nossa experiência. A parceria com a Wheb deu certo.” 

“A prescrição do Tasy não era muito amigável, com várias janelas, o que não agradava aos profissionais. Com a Wheb, passamos a trabalhar em mudanças no módulo de prescrição, que tornou o processo mais simples de operar e disponibilizamos a solução para utilização por outros hospitais”, lembra Margareth. Entre outras melhorias incorporadas pela equipe do Sírio, está o sistema de dispensação de medicamentos. “Fizemos uma revolução na dispensação. Criamos códigos, lotes por paciente, uma organização hierárquica”, explica. 

Outro ponto importante foi a integração com modelos externos. “Nosso sistema está integrado ao do laboratório Fleury (o hospital terceiriza serviços laboratoriais) e com o mercado de compra eletrônica”, acrescenta Margareth. 

O Sírio-Libanês investiu 10 milhões de reais na implantação. “No primeiro ano, a parte mais cara é com hardware. Representa quase metade do investimento. A partir do segundo ano, os gastos maiores são com manutenção, que podem representar cerca de 10% do aporte inicial.


Saúde Pública:

Normalmente, projetos para a área de saúde pública têm o objetivo de ampliar a capacidade de atendimento das instituições e contam com informatização para melhorar a gestão. Um bom exemplo é o programa de integração de toda a rede assistencial do Governo do Distrito Federal, com a criação do Prontuário Eletrônico do Paciente e do Portal de Exames, atendidos pela InterSytems.

A intenção é o desenvolvimento de um registro único dos pacientes, com dados sendo atualizados e acessados de qualquer uma das seis unidades hospitalares e também do Laboratório Central, para facilitar os atendimentos, principalmente de emergência. Atualmente, são realizados 8,2 milhões de exames no DF. Metade deles gerados pelas seis unidades hospitalares atendidas pelo sistema. Estatísticas da Secretaria de Saúde do DF revelam que 20% deles são perdidos pelos usuários antes da consulta, acarretando novas demandas para os mesmos exames. A expectativa é de que o sistema reduza o desperdício, levando a uma economia de R$ 18 milhões por ano.

leia o artigo completo no Computerworld

29 de jan. de 2011

Infraestrutura de TI para implementação de um PEP ou S-RES

Do blog do Dr. Leonardo Diamante vem esse artigo muito interessante:

As comunidades que se relacionam com as questões de TI em saúde estão preocupadas com a certificação dos sistemas e já existe uma sinalização da necessidade da certificação dos profissionais de informática em saúde. Mas esta discussão deve abranger também recomendações de infra-estrutura que são necessárias para que os sistemas funcionem de acordo com o esperado.

Essas questões são importantes para criar uma padronização da estrutura mínima, baseada na estrutura do software. O raciocínio inverso também poderia ser aplicado, de forma tal a que poderemos passar a cobrar das empresas de softwares que desenvolvam soluções baseados na infra-estrutura conhecida, evitando eventuais necessidades de supercomputadores ou de infra-estrutura altamente complexas. É preciso ter em mente evitar que sistemas exijam estruturas super dimensionadas, exigência que via de regra só é posta após a compra do sistema e implica em despesas altíssimas por parte do contratante, que muitas vezes não está preparado para arcar com esse tipo de investimento.

Seria interessante, por exemplo, estabelecer a infra-estrutura necessária para manter um S-RES em Instituições de Saúde. 
  • Qual a infraestrutura mínima correta, inclusive configuração de equipamentos? 
  • Qual a abrangência desta infra estrutura?
  • Quais os setores devem estar equipados obrigatoriamente? 
  • Qual o padrão de cabeamento para os centros cirúrgicos, por exemplo? 
  • Quais as metodologias de atendimento do pessoal de suporte? 
  • Seguir a ITIL é uma boa solução?
Entretanto sabemos que as questões de tecnologia são muito dinâmicas e a resposta não é simples e pode estar na dependência de variáveis como o tamanho da Instituição, a quantidade e dos tipos de atendimentos realizados, a política de gestão, as aplicações utilizadas e a disponibilidade de recursos financeiros para investimento.

No nível governamental existe um projeto que pretende reestruturar toda infraestrutura dos Hospitais Universitários Federais,, com novos Servidores, Estações de trabalho, Rede Estruturada e etc., inclusive prevê a adoção de práticas de Governança de TI, como ITIL, Cobit, PmBok e outros, que podem servir de referência para outras Instituições de Saúde.

Portanto, já existe uma iniciativa no intuito de estabelecer padrões ou recomendações para a infraestrutura de TI nas Instituições de Saúde em nível de governo, mas ainda falta muito para se alcançar um nível de maturidade satisfatório.

Em termos de certificação de software pelo CFM/SBIS, penso que uma instituição que vá implementar um software certificado, deveria passar por uma homologação do ambiente em que está sendo rodado, pois todas as qualidades do sistema podem ser comprometidas se o ambiente for inadequado, o que infelizmente não é raro. Uma aplicação submetida a uma infraestrutura inadequada não irá proporcionar os resultados esperados e podem resultar em uma decepção em todos os sentidos. Todas as questões de segurança da informação discutidas durante a evolução de um S-RES ou PEP podem estar comprometidas se a infra-estrutura não for adequada, tendo que se levar em consideração também a redundância de energia, de armazenamento, de link de internet, backup eficientes para vários discos, criptografia da base etc. e é preciso que se diga que estas práticas, políticas e ações dependem muito mais da instituição, do que do sistema ou do desenvolvedor do RES.

Uma passada rápida nos quesitos de infra-estrutura de qualquer empresa de bom nível passa por avaliação de servidores, storage, comunicação de dados, voz e vídeo (equipamentos e meios de comunicação - cabo/wireless), impressoras, leitores de código de barras, de cartões e biometria, dispositivos clínicos, totens, displays, energia, hidráulica, iluminação, climatização, mobília, controle de acesso físico, segurança patrimonial, ambientalização, decoração, o que mostra bem a complexidade do assunto.

É preciso levar em consideração que a necessidade de interoperabilidade, portabilidade e mobilidade dos sistemas de saúde estarão no mercado rodando em plataformas móveis, vejam que até é possível o software rodar todo em um telefone celular ou table PC e outros similares o que envolve multiplataformase alguns deles já rompem barreiras de processamento de alguns computadores tradicionais.
Portanto não adianta uma Instituição de Saúde, simplesmente adquirir um S-RES certificado, se não há garantia que o sistema funcionará bem na infra-estrutura existente, portanto a homologação do ambiente com identificação das funcionalidades que a aplicação demanda, seguida de recomendação adequada para o sistema que será implantado.

7 de out. de 2010

As dificuldades em se criar um PEP no Brasil


Recebi um comentário nesse post, do Dr. Paulo Freire, que achei muito interessante e agora o posto como artigo.

"Senhores

É muito dificil realizar algo de útil neste país, contra todos os entraves burocráticos, falta de capacitação humana, falta de recursos e apoio institucional. Parabenizo todos os idealistas que construiram sistemas de prontuários eletrônicos com sacrifício e esforço próprios, como o OnLine Doctor citado acima, e o meu próprio, Saude Direta.

Só quem construiu algo parecido sabe o que digo. E muitos críticos JAMAIS realizam algo como estes sistemas. Conheço muitos teóricos de PEP, mas nada de prático foi construido por eles.

Estes críticos de plantão estão em toda parte, dizendo que o sistema não é perfeito, não tem isto e aquilo, que não é adequado ou não segue as normas burocráticas, etc... etc... 

Como médico praticante vejo que a saúde anda de mal a pior, a qualificação dos colegas idem. 

Não adianta exigir PEPs maravilhosos para serem utilizados por médicos despreparados e sem recursos mínimos ao bom exercício da medicina. Prontuário certificado, maravilhoso, não melhora a qualidade da saúde. As pessoas continuarão morrendo nas mãos da má medicina, agora de forma digital.

Defendo que o prontuário eletronico dos pacientes deve ser uma ferramenta facilitadora do trabalho médico. Deve ter conteúdo para se evitar erros médicos (66% deles são evitáveis), deve melhorar a prescrição médica (67% delas contém erros), deve auxiliar na escolha dos medicamentos (no Brasil morrem 78 mil pessoas/ano pelo uso incorreto dos medicamentos). Este deve ser o foco.

Se um PEP não atende todas as normas burocráticas, mas atende às necessidades dos médicos, ele já se justifica. Já contribui para melhorar a saúde da população. Com a evolução este PEP, ainda não certificado, vai chegar lá.

A SBIS/CFM deveria ao menos cobrar um valor razoável pela certificação, para dar oportunidade aos idealistas como nós conseguirmos a certificação.

Construí o Portal Saúde Direta com recursos próprios e de minha família. Tenho trabalhado intensamente no projeto, e afirmo que nenhum destes teóricos me prestou qualquer colaboração para erguer o sistema.

Uma única coisa me move para realizar meu projeto: vou salvar vidas, tenho certeza. E isto me basta para caminhar para a frente.

Paulo Celso Budri Freire,
Médico Coordenador do Portal Saúde Direta
www.saudedireta.com.br "

21 de set. de 2010

Itens de interesse na certificação de software médico


O I Curso Telepresencial de certificação de Software da SBIS/CFM que está sendo realizado em Ribeirão Preto tem como objetivo explicitar além dos tramites legais para a certificação de software médico, as funcionalidades e os componentes exigidos para o mesmo.
Alguns pontos que achei interessantes:

  1. Se o software oferece suporte a delegação de poder, ou seja, nova atribuição para um papel previmanente definido, esta deverá ser temporária. Essa delegação de poder pode ocorrer no caso de uma enfermeira, por exemplo, que irá inserir resultados de exames em prontuário na ausência do médico.
  2. É mandatório que o paciente tenha acesso a TODAS as informações contidas no prontuário eletrônico,caso ele assim deseje. Seja eletronicamente (acesso por meio de login e senha ou acesso por meio de um papel de usuário que permita realizar essa atividade pelo paciente), seja impresso. Nesta caso o sistema deverá disponibilizar uma interface para a impressão de todo o prontuário e uma declaração do usuário de que está recebendo essas informações.
  3. Não é permitido excluir ou alterar dados já existentes no Registro eletrônico de Saúde. Ações de correção devem preservar dados antigos e devem constar da impressão do prontuário.

28 de jul. de 2010

O Uso Significativo do Prontuário Eletrônico de Saúde e o Acesso à Informação

Já publiquei alguns textos do blog  CIBERSEGURANÇA E O DOMÍNIO PÚBLICO de  Ruy José Guerra Barretto de Queiroz, Professor Associado do Centro de Informática da UFPE, e o da semana passada é muito bom, onde ele comenta as regras divulgadas recentemente para implementação da reforma da saúde do governo OBAMA, com o uso do prontuário eletrônico do paciente (PEP). Leia o artigo na íntegra aqui.
"Esta semana o “U.S. Department of Health and Human Services” (HHS), através da Secretária Kathleen Sebelius, anunciou o que foi definido como sendo o conjunto de regras para, segundo suas próprias palavras, melhorar a saúde dos americanos, aumentar a segurança e reduzir os custos de assistência à saúde através do uso expandido do ‘prontuário médico de saúde’ – em inglês, ‘eletronic health record’, abrev. EHR.  Conforme o comunicado do HHS, o anúncio marca a conclusão de diversos estágios na preparação do terreno para a implementação do programa de pagamento de incentivos. Sob o regime da nova lei de assistência à saúde, o “Health Information Technology for Economic and Clinical Health (HITECH) Act” de 2009, profissionais de assistência à saude e hospitais elegíveis podem se candidatar a receber pagamentos de incentivos provenientes dos programas governamentais Medicare e Medicaid quando adotarem a tecnologia de EHR certificado, e usá-la para atingir determinados objetivos. Uma das regras anunciadas na ocasião define os objetivos do chamado “uso significativo” que os provedores de assistência médica devem atingir para se qualificarem para receber os pagamentos de bônus, enquanto que a outra regra identifica as capacidades técnicas exigidas para a tecnologia de EHR certificado. Entre outras coisas, as novas regras de “uso significativo” tratam de regulamentar o quanto as instituições de assistência médica poderão cobrar, e o período de tempo no qual as informações devem ser disponibilizadas ao paciente.
Em artigo publicado em 23/07/10 no New England Journal of Medicine sob o título ‘The “Meaningful Use” Regulation for Electronic Health Records’, David Blumenthal e Marilyn Tavenner afirmam que o amplo uso de prontuários médicos de saúde (EHR’s) nos Estados Unidos é inevitável, pois o EHR propiciará melhoras nas decisões dos provedores de assistência médica e nos resultados nos pacientes. Lembrando que, embora inevitável, a incorporação da tecnologia de prontuários médicos de saúde na prática cotidiana não será fácil, Blumenthal – que foi nomeado por Obama em 2009 “coordenador nacional de tecnologia da informação em saúde” – enfatiza que o programa prevê um total de 27 bilhões de dólares em prêmios a serem pagos nos próximos 10 anos.
Um dos princípios básicos por trás das novas regras é que, para ser útil, os dados têm que fluir. No caso dos dados relativos ao paciente, estes devem estar: 
  •  disponíveis para os próprios pacientes; 
  •  disponíveis para outros provedores de serviços de saúde, de modo que eles possam coordenar a assistência médica; 
  •  disponíveis para farmácias para que possam lidar com as receitas médicas eletrônicas; e 
  • disponíveis para agências governamentais para garantir a saúde pública, regular as instituições, e dar suporte à pesquisa pública para melhores curas.
Concretamente, as regras atuais de “uso significativo” buscam um equilíbrio entre o reconhecer a urgência de se adotar EHR’s para melhorar o sistema de saúde e o se dar conta dos desafios que a adoção deverá oferecer aos provedores de assistência à saúde. A idéia é que a regulação tem que ser ao mesmo tempo ambiciosa e atingível. “Como uma escada rolante, o HITECH tenta fazer subir o sistema de saúde em direção a uma qualidade e a uma eficácia melhoradas, mas a velocidade de subida deve ser calibrada para refletir as capacidades dos provedores que enfrentam uma variedade de desafios do mundo-real, e a maturidade da própria tecnologia.
Paralelamente, o HHS vem desenvolvendo um sistema para permitir que organizações independentes possam certificar os sistemas de EHR’s. Em conjunto com o anúncio das regras de “uso significativo”, foi divulgado o conjunto inicial de padrões, especificações de implementação, e critérios de certificação para a tecnologia de EHR. Digno de menção o incentivo explícito à submissão feito especificamente aos desenvolvedores de sistemas de código aberto.
Entre os principais objetivos das novas regras está o de incentivar o uso de diversos aplicativos de software que permitam explorar o verdadeiro potencial dos EHR’s na melhora da qualidade, da segurança, e da eficiência da assistência médica. Em particular, ajudar o médico na tomada de decisão, minimizando inclusive as chances de ocorrência de erros que podem evitados, tais como a prescrição de medicamentos incompatíveis com a condição do paciente. E para se candidatar ao pagamento dos incentivos, os médicos devem começar empregando tais ferramentas de suporte à decisão, bem como usar os sistemas de EHR para registrar todas as suas prescrições, sobretudo as de medicamentos. No entanto, somente quando também os provedores de serviços (hospitais, clínicas) passarem a entrar com seus registros no EHR do paciente, o sistema poderá efetivamente melhorar a qualidade da assistência. E, naturalmente, para começar a estender os benefícios dos EHR’s aos pacientes, as exigências de uso significativo deverão incluir o fornecimento de versões eletrônicas de seus prontuários médicos aos pacientes e seus familiares ou responsáveis."

8 de jan. de 2010

Gratuito para teste o P2D - Prontuário eletrônico Universal!


Já está disponível para teste o Prontuário Eletrônico Universal P2D, que conta com unificação de  todos os dados clínicos dos pacientes em uma única base de dados, acessível a qualquer momento, de qualquer lugar.  Auxilia na organização das informações, na prevenção, no diagnóstico e no tratamento clínico.

O sistema é multi-plataforma, rodando em Windows, MacOS e Linux. O prontuário universal P2D implementa a arquitetura openEHR, e foi criado para operar no conceito de cloud computing.

Com o módulo eDocumentos do Prontuário Universal P2D é possível digitalizar os dados que estão no papel, processo baseado em etiquetas de código de barra que são reconhecidas pelo sistema e vinculam automaticamente o documento ao paciente.


A P2D possui rotinas automatizadas para importação de vários sistemas de mercado (HiDoctor, PersonalMed, Doctor's Office, EasyDental).
O Prontuário Universal P2D atende às exigências de segurança, guarda de informação e normas para digitalização de documentos da SBIS/CFM.

19 de nov. de 2009

Tecnologia da informação e a indústria de saúde

Achei esse artigo no blog CIBERSEGURANÇA E O DOMÍNIO PÚBLICO, do Professor do Centro de Informática da UFPE, Ruy de Queiroz, e reproduzo parte dele pois vem de encontro com o que eu penso sobre a TI na saúde:

É forte a tendência de crescimento do uso de tecnologia na indústria da saúde. Os custos da assistência médica continuam a crescer, não somente pelo crescimento da população em número e em longevidade, mas também devido ao fato de que a tecnologia empregada se torna cada vez mais sofisticada. 

Embora historicamente a indústria da saúde não tenha estado sempre à frente no que diz respeito ao uso da tecnologia da informação, todos os indicadores apontam para uma mudança dramática nessa tendência, não apenas nos EUA onde os esforços se redobram na busca por um equacionamento dos problemas no sistema de assistência à saúde, mas em todo o mundo. O fato é que a tecnologia da informação é vista como uma ferramenta de redução de custos assim como de melhoria da qualidade da assistência e da segurança do paciente em todo o ecossistema de assistência médica. Tal qual em diversos outros setores, o maior foco tem sido no investimento em tecnologia da informação interativa.

As fronteiras entre os agentes integrantes do ecossistema de assistência à saúde, a saber os setores das ciências da vida, os provedores e os pagantes, continuam a se tornar cada vez menos cristalinas à medida em que cada um é forçado a melhorar a qualidade e a segurança do paciente ao mesmo tempo em que reduz custos. A tendência é uma busca por maior automação da coleta de dados e da integração de informações em todo o ecossistema: surge a figura dos “registros eletrônicos de saúde” (em inglês, “electronic health records”). 

Conforme a Healthcare Information and Management Systems Society (HIMSS), organização sem fins lucrativos dedicada à promoção do melhor uso da tecnologia da informação e dos sistemas de gerenciamento nos cuidados com a saúde, “o EHR é um registro eletrônico longitudinal de informações de saúde do paciente gerado por um ou mais encontros em qualquer cenário de provimento de cuidados médicos. Incluídas nessas informações estão demografia do paciente, notas de progresso, problemas, medicações, sinais vitais, história médica passada, imunizações, dados laboratoriais, e relatórios radiológicos. O EHR automatiza e padroniza o fluxo de trabalho do clínico geral, e tem a capacidade de gerar um registro completo de um encontro clínico do paciente, assim como dar suporte a outras atividades relacionadas aos cuidados médicos direta ou indiretamente via interface—incluindo suporte à decisão baseada em evidência, gerenciamento da qualidade, e produção de relatório de resultados.” (leia mais aqui)

17 de nov. de 2009

P2D - Prontuário Eletrônico Universal - será lançado oficialmente no dia 01/12/2009


Uma ótima notícia: O P2D será lançado em 01 de Dezembro próximo!
Para quem não conhece, o P2D é um prontuário eletrônico webased (seguindo a tendência da Cloud Computing, "nas nuvens"), ou seja, não é preciso instalar o programa no computador e pode-se ter acesso do consultório, do hospital ou de casa., agregando qualidade ao atendimento, eficiência e redução de custos.

A confidencialidade e segurança são garantidas, o acesso aos prontuários é restrito aos profissionais de saúde, possuindo um nível de segurança similar ao do sistema bancário.
Dentre as funcionalidades que me atraem nele estão a possibilidade de importar dados de outros programas de registro de pacientes e a digitalização facilitada de prontuários em papel, documentos, resultados de exames, etc...


Veja mais no vídeo do Olhar Digital abaixo:



31 de out. de 2009

Todos seus dados médicos expostos sem segurança em um microship implantável sob a pele






Essa é uma propaganda que está sendo vinculada nos Estados Unidos sobre um chip implantável da HEALTHLINK sob a pele com as informações como foto, endereço, nº do seguro social, telefones de contato de familiares e médicos, além de informação de registros médicos, como alergias, tipo sanguíneo e histórico médico pregresso.


VeriMed Health Link: Micro-chip Implantável Ligará seus Registros de Saúde, Histórico de Crédito e Segurança Social.






Um minúsculo microchip  (o primeiro e único microchip nos EUA liberado para identificação do paciente pela FDA) e um banco de dados privado seguro, que vincula e conecta voce e seu registro pessoal de saúde. Seu Health Link está sempre com você e não pode ser perdido ou roubado.


Esse banco de dados pode ser acessado por médicos e enfermeiros:
Aproximadamente do tamanho de um grão de arroz, o micro-chip é inserido sob a pele e contém apenas um único identificador de 16 dígitos. O circuito em si não contém quaisquer outros dados que não seja essa identificação eletronica, nem contem qualquer Sistema de Posicionamento Global (GPS). E, ao contrário das formas convencionais de identificação, o Health Link não pode ser perdido, roubado, extraviado ou falsificado. É seguro, protegido, reversível, e sempre com você.


clique na imagem para vê-la ampliada
Os benefícios são óbvios em emergências, mas e os riscos?
Acho extremamente perigoso que alguém possa acessar seus dados sem premissão prévias, necessitando somente de um dispositivo leitor.


Fonte: MICRO-CHIP IMPLANTÁVEL LIGARÁ SEUS REGISTROS DE SAÚDE, HISTÓRICO DE CRÉDITO E SEGURANÇA SOCIAL

26 de out. de 2009

Sistema de Apaio a Decisão Clínica baseado em SRE




General Electric está desenvolvendo um novo Software de Apoio a Decisão Clínica em conjunto com o sistema hospitalar Intermountain Healthcare de Salt Lake City. Usando anos de dados clínicos do Intermountain Healthcare,  o software é projetado para monitorar dezenas de pacientes, mostrando dados em tempo real sobre eles, e gerando alertas quando certos critérios são preenchidos.
O software piloto será lançado em Novembro no encontro do  Healthcare Information Management and Systems Society (HIMSS).
Esse projeto poderia vir a ser desenvolvido pela Microsft HealthVault e pelo Google Health, agregando valor mais um dado de extremo valor aos interesses da classe médica.

13 de out. de 2009

Registro eletrônico de saúde melhora a qualidade primária de saúde

Usar registros eletrônicos de saúde na atenção primária é uma das poucas estratégias que fuuncionam para melhorar a atenção primária a adultos, revelou estudo recente, com pacientes diabéticos.
Para funcionar o RES precisa ter funcionalidades como lembretes automáticos para os médicos e ser usado rotineiramente no consultório. Os pesquisadores sugerem que a adoção generalizada desse tipo de RES mais avançado terá um impacto modesto, mas significativo, na qualidade da atenção primária em saúde.
Resumo por Renato M.E. Sabbatini

Fonte: ScienceDaily

3 de set. de 2009

Microsoft HealthVault deixa de ser versão beta

Nest quarta-feira, 02/09/2009, o software / serviço deixa de ser beta e passa a estar pronto para produção. Segundo nota no site:
HealthVault release 0908 já está disponível em pré-produção e ambientes de produção, com esse lançamento estamos removendo a etiqueta beta do HealthVault. Os associados do SDK. NET para esta versão estarão disponíveis em breve.

24 de ago. de 2009

Prontuário Único do Paciente: parte III: Acesso por entidades, associações, planos de saúde...

  • Acesso limitado a leitura para saúde pública, organizações judiciárias e entidades profissionais. Algumas organizações judiciárias, de saúde pública ou entidades profissionais podem ter acesso de leitura limitado, de forma anônima ao RES sem a aprovação do paciente.
    Caso uma OS ou PS esteja sendo investigada pela polícia, ou está sendo avaliada por uma entidade de classe, esses grupos podem ter acesso de leitura, de forma anônima, a segmentos dos registros do paciente referentes às decisões e ações dos PSs (ou OSs), independentemente da aprovação dos pacientes.

  • Do Manual de Princípios Éticos para Sites de Medicina e Saúde naInternet, o item 5 aborda a privacidade de prontuários:
    “Os usuários da Internet têm o direito à privacidade sobre seus dados pessoais e de saúde. Os sites devem deixar claro seus mecanismos de armazenamento e segurança para evitar o uso indevido de dados, através de códigos, contra-senhas, software e certificados digitais de segurança apropriados para todas as transações que envolvam informações médicas ou financeiras pessoais do usuário. Devem ter acesso ao arquivo de seus dados pessoais, para fins de cancelamento ou atualização dos registros.”


    O acesso de pessoas não autorizadas aos dados de prontuários médicos, mesmo anomimamente, ainda é uma questão que causa preocupação. Alguns pontos ainda em debate:

    • a confidencialidade do PEP e o interesse da vigilância em saúde pública: o acesso ao PEP anonimaente seria de interesse para o Ministério da Saúde, mas na existência de múltiplos PEPs para cada paciente em várias instituições de saúde, os registros anônimos tornam-se um problema devido a duplicação dos dados. Um prontuário único (RES) seria mais útil e confiável.
    • Operadoras de saúde e o acesso ao PEP: As operadoras de saúde, tendo acesso mesmo que anônimo aos dados epidemiológios, idade e localização geográfica não poderiam discriminar usuários na renovação ou contratação de planos de saúde? Como exemplo real: um software desenvolvido aqui em BH, destinado às operadoras de saúde, promete: PEP - Prontuário Eletrônico do Paciente embutido na ferramenta; Permite avaliar o custo dos programas de atenção e das equipes envolvidas de forma geral, por programa, por perfil epidemiológico e por beneficiário assistido. Contudo, os planos são obrigados a aceitar o usuário portador de uma doença crônica, podendo ampliar o tempo de carência, e acrescentar o "Agravo" (adicional a ser pago pelo consumidor por ser portador de doença crônica, porém esse valor não vem sendo cobrado, pois o mercado não chegou a um consenso sobre a metodologia de cálculo, que é particularmente complexa). Mas no caso de usuários que preenchem incorretamente a Declaração de Saúde, negando que sejam portadores de doenças pré-existentes, a Operadora pode alegar má-fé por parte do consumidor e negar a contratação por fraude.


      Muitos outros aspectos ligados ao acesso ao prontuário ainda estarão por serem questionados.

    18 de ago. de 2009

    Prontuário Único do Paciente - Controle e Cofidencialidade (Parte 2)


    Dois dos principais requisitos para um Prontuário Único ou um RES (Registro Eletrônico de Saúde) são o Controle e a Confidencialidade*.

    Por Controle entende-se que é o paciente que controla o acesso aos dados do seu RES; ele dá permissão de acesso ao profissional de saúde, e define o nível de acesso e a duração (uma consulta, enquanto durar o tratamento...).

    Por Cofidencialidade entende-se que nenhuma pessoa ou entidade não autorizada pode ter acesso aos seus dados de saúde.

    Uma solução que abrange de forma muito interessante esses dois aspectos é a da Metassistema de Identidade Federada, um protótipo desenvolvido por Mario Szpuszta com a Austrian Medical Association, SVC GmBH, subsidiária de TI da seguradora nacional austríaca responsável pela infra-estrutura eletrônica do cartão de identidade de assistência médica da Áustria e com o Microsoft Innovation Center de Copenhague.

    A Áustria tem uma das leis de proteção de dados mais rígidas do mundo e é um exemplo em toda a União Européia. Rápido e simples: a lei de proteção de dados estipula que o acesso a QUALQUER informação sobre um indivíduo deve ser aprovada por esse indivíduo TODAS as vezes. De acordo com a Associação Médica Austríaca, deve-se adotar a combinação de processos organizacional e técnico para permitir o seguinte (e o provedor de serviços de saúde pode ser qualquer parte com ofertas de assistência médica como médicos, farmácias, hospitais, etc.):
    • Os pacientes devem ter a oportunidade, a cada consulta com um provedor de serviços de saúde (ou seja, médico) de anuir explicitamente sobre o acesso aos seus dados pessoais (ficha médica). Se os pacientes não consentirem, os seus dados não poderão ser acessados.
    • As informações sobre um paciente em sistemas de e-saúde só podem estar disponíveis a outros provedores de assistência médica para outros tratamentos com o consentimento explícito e adicional (além do consentimento geral descrito no item 1 acima) concedido em conversa confidencial com o provedor de serviços de saúde (médico).
    Nessa solução, eles usam o sistema e-card como um serviço de token de segurança, mas devido ao serviço de e-card e seus proprietários não desejarem deter todas as informações por motivos políticos, e isso os levou à idéia de estender o modelo a um sistema de segurança federado com base nos padrões propostos pelo metasistema de identidade.


    A interoperabilidade baseada nos padrões do modelo de metasistema de identidade já foi confirmada, afirmando que essa tecnologia é possível. Fornecedores de tecnologia (comerciais e de código aberto) foram convidados a testar a interoperabilidade das respectivas parte confiante, provedor de identidade e seletor de identidade/implementações de sujeito e os resultados foram bastante promissores.

    Quem tiver mais interesse nos aspectos da arquitetura do metasistema de identidade e a sua abordagem federada não pode deixar de ler: Identidade federada e os sistemas de saúde Por Mario Szpuszta, publicado em 20 de novembro de 2008 (The Architecture Journal - Journal 16).

    Além disso abordarei outros aspectos do RES nos próximos posts.

    *Wainer, Jacques, 2008, Princípios que devem reger um prontuário único do paciente, Revista TEXTOS de la CiberSociedad, 16. Monográfico: Internet, sistemas interativos e saúde.

    17 de ago. de 2009

    Diferença entre PEP e RES

    • PEP (Prontuário Eletrônico do Paciente):
    Contém dados sobre a saúde de um paciente, armazenados e sob a guarda de uma organização de saúde.
    P. ex.: o mesmo paciente pode possuir um PEP em um hospital em que foi subemtido a uma cirurgia eletiva, outro PEP no consultório do seu médico ou no PSF, outro PEP no pronto-atendimento, etc.
    • RES (Registro Eletrônico em Saúde, Sistema de Registro Eletrônico em Saúde):
    Diferentes profissionais de saúde (médicos, dentistas, fisioterapeutas, psicólogos...) tem acesso ao mesmo prontuário único, simultaneamente e em diferentes organizações de saúde.
    P. ex.: Google Health, Microsoft Healthvault, P2D, etc.

    15 de ago. de 2009

    Pontuário Único do Paciente - parte 1


    O Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) e os Sistemas de Registros Eletrônicos de Saúde (RES) são hoje uma realidade, independente da magnitude de abrangência, seja como os brevemente mundiais Microsoft HealthVault e o Google Health, ou locais como o português ALERT e o brasileiro P2D, e mesmo o Cartão Nacional de Saúde (cartão do SUS). Os exemplos são muitos: WebMD e Revolution Health também oferecem ferramentas para o registro pessoal de saúde. Esforços como os de Dossia e Aetna estão trabalhando diretamente com os empregadores para oferecer opções de sistemas de registro de saúde para seus funcionários. Entretanto, alguns fornecedores, como a Kaiser Permanente, oferecem seus próprios registros de saúde. Além disso, aqui no Brasil, muitos hospitais e operadoras de planos de saúde estão contratando empresas para desenvolver sistemas de gestão de saúde englobando inclusive o PEP no projeto.

    Mas pensando no usuário final, eu por exemplo, seria muito mais adequado se ele pudesse reunir todos os seus dados de saúde, inclusive seu prontuário médico, em um só local. Com o RES da Microsoft e da Google isso já está sendo implementado nos EUA e na Europa, mas a privacidade dos dados ainda é um problema. E no que tange a privacidade, inclui-se quem ficaria responsável pelo armazenamento e segurança dos dados (Estado? Google? Micorosoft?) e como o acesso a esses dados se daria (médicos, enfermeiros, farmacêuticos, operadoras de saúde?).

    O avanço tecnológico abre a possibilidade de protocolos de comunicação entre bases informacionais e permitirá o compartilhamento e interoperabilidade de dados e informações em saúde e a criação de RES únicos.

    Nos próximos posts dessa série discutirei mais aprofundadamente esse assunto.

    1 de ago. de 2009

    Os incentivos à Tecnologia da Informação na Saúde no governo Obama


    O plano para reformar o sistema público de saúde do presidente americano, Barack Obama, deu um primeiro passo adiante na noite de ontem, sexta-feira, após a aprovação do projeto por uma comissão da Câmara dos Representantes.

    Um pacote de estímulos do governo americano no valor de US$ 20 bilhões tem como objetivo incentivar médicos e hospitais a usar sistemas eletrônicos de saúde focados principalmente no intercâmbio de informações no sistema de saúde.

    "O intercâmbio de informações é a base essencial para um sistema de saúde efetiva. Independentemente do que médicos e hospitais pensam, os doentes claramente querem as suas informações eletrônicas para poder viajar de uma maneira segura e privada. Portanto, é muito mais um objetivo da política pública, melhorar a troca de informações. (...) O objetivo de nossas políticas é tornar mais fácil a troca de informação sobre saúde e também criar um mercado de troca de informações, dando incentivos aos hospitais e médicos para se tornarem usuários significativos do sistema e ainda incluir a troca de informação como uma componente essencial dos seus trabalhos." (Fonte: Saúde Business)

    Foram as palavras do coordenador de TI de Saúde Nacional, David Blumenthal, em entrevista a InformationWeek. Desse total, US$ 300 milhões serão investidos somente no intercâmbio de informações a nível estatal.


    A REFORMA DA SAÚDE
    O que é - Uma das principais plataformas eleitorais de Obama, projeto prevê expandir a cobertura do sistema público de saúde para 97% dos americanos; o custo para o governo será de mais de US$ 1 trilhão em dez anos, incluindo também a criação de uma empresa seguradora de saúde do governo, que concorrerá com as empresas privadas.
    Críticas - Apesar de reconhecer que o sistema atual está falido, muitos conservadores consideram a reforma de Obama socialista e insistem que a livre concorrência de empresas privadas deve continuar a ser a base do setor.
    Lobby - Desde o fim da 2.ª Guerra, presidentes tentam sem sucesso alterar o sistema atual, extremamente lucrativo para companhias de seguro saúde; americanos gastam 16,5% do PIB com saúde.
    Fonte: O Estado de São Paulo, 23/7/2009