21 de nov de 2010

Considerações éticas sobre a medicina, a tecnologia e a relação médico-paciente

Tenho alguns alertas no Google que às vezes me fazem cair às mãos uns artigos interessantes. Este, em especial, que transcrevo apenas uma pequena parte abaixo, foi realmente um achado. Parabenizo o Dr. Carlos Frederico, pela abordagem ampla e abrangente da situação delicada que nós, médicos, vivemos hoje na profissão.

"Vivemos uma época de extremos, de bipolaridades, que, apesar do fim da Guerra Fria e do pretenso início de um pensamento hegemônico , demonstra na sociedade, e por suposto na medicina, uma oscilação entre  campos aparentemente inconciliáveis: individual versus social; cura versus prevenção; pacientes passivos – com o devido perdão pela redundância – versus sujeitos ativos; e trabalho individual versus trabalho em equipe.
Nesse mundo de contrastes, embora a tecnologia tenha aumentado o poder dos médicos estes encontram-se cada vez mais sujeitos às normas e regulamentações jurídicas, bem como às da instituição onde trabalham. Essas transformações aceleradas na relação médico-paciente levam a uma restrição da liberdade do profissional e também, mesmo que paradoxalmente, à liberdade do paciente, que vê seu poder de escolha reduzido à cobertura ou não do seu plano de saúde.
(...) alguns pilares fundamentais, mesmo na contemporaneidade.
O primeiro deles, talvez o mais antigo, constitui-se no alívio da dor e do sofrimento, no cuidar, que engloba muito mais do que a cura da patologia, implicando em ir além, rumo ao conforto psíquico do paciente. Essa seria a grande responsabilidade do médico, cuidar além de curar e sanar; o exercício de uma responsabilidade que continua quando se diz eis-me aqui , mesmo após a impossibilidade terapêutica. Vale ressaltar que ainda que esteja consubstanciada no clássico juramento hipocrático essa responsabilidade não se restringe aos códigos, regras ou leis: é a resposta ética ao grito de sofrimento do outro e exprime o reconhecimento da própria ideia de humanidade."

Artigo: Considerações éticas sobre a medicina contemporânea: uma reflexão pontual de Carlos Frederico de Almeida Rodrigues (Médico, graduado pela Faculdade Souza Marques (FTESM), pós-graduado lato sensu em Neurocirurgia Pediátrica no Instituto Fernandes Figueira (IFF/ Fiocruz), mestre em Ética e Filosofia Política pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Brasil.)

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