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7 de out. de 2010

As dificuldades em se criar um PEP no Brasil


Recebi um comentário nesse post, do Dr. Paulo Freire, que achei muito interessante e agora o posto como artigo.

"Senhores

É muito dificil realizar algo de útil neste país, contra todos os entraves burocráticos, falta de capacitação humana, falta de recursos e apoio institucional. Parabenizo todos os idealistas que construiram sistemas de prontuários eletrônicos com sacrifício e esforço próprios, como o OnLine Doctor citado acima, e o meu próprio, Saude Direta.

Só quem construiu algo parecido sabe o que digo. E muitos críticos JAMAIS realizam algo como estes sistemas. Conheço muitos teóricos de PEP, mas nada de prático foi construido por eles.

Estes críticos de plantão estão em toda parte, dizendo que o sistema não é perfeito, não tem isto e aquilo, que não é adequado ou não segue as normas burocráticas, etc... etc... 

Como médico praticante vejo que a saúde anda de mal a pior, a qualificação dos colegas idem. 

Não adianta exigir PEPs maravilhosos para serem utilizados por médicos despreparados e sem recursos mínimos ao bom exercício da medicina. Prontuário certificado, maravilhoso, não melhora a qualidade da saúde. As pessoas continuarão morrendo nas mãos da má medicina, agora de forma digital.

Defendo que o prontuário eletronico dos pacientes deve ser uma ferramenta facilitadora do trabalho médico. Deve ter conteúdo para se evitar erros médicos (66% deles são evitáveis), deve melhorar a prescrição médica (67% delas contém erros), deve auxiliar na escolha dos medicamentos (no Brasil morrem 78 mil pessoas/ano pelo uso incorreto dos medicamentos). Este deve ser o foco.

Se um PEP não atende todas as normas burocráticas, mas atende às necessidades dos médicos, ele já se justifica. Já contribui para melhorar a saúde da população. Com a evolução este PEP, ainda não certificado, vai chegar lá.

A SBIS/CFM deveria ao menos cobrar um valor razoável pela certificação, para dar oportunidade aos idealistas como nós conseguirmos a certificação.

Construí o Portal Saúde Direta com recursos próprios e de minha família. Tenho trabalhado intensamente no projeto, e afirmo que nenhum destes teóricos me prestou qualquer colaboração para erguer o sistema.

Uma única coisa me move para realizar meu projeto: vou salvar vidas, tenho certeza. E isto me basta para caminhar para a frente.

Paulo Celso Budri Freire,
Médico Coordenador do Portal Saúde Direta
www.saudedireta.com.br "

14 de ago. de 2010

Meu novo site com informações centralizadas de Tecnologia e Medicina


Não deixem de conhecer o meu novo site com informações centralizadas sobre medicina e tecnologia!
Agora com uma sessão para a Tecnologia da Informação e a Medicina, onde pode-se encontrar uma página dos produtos interessantes publicados no blog.
 
Uma pequena descrição dos mesmos ao se passar o mouse por cima da imagem, e clicando-se no produto desejado, uma nova página abre-se com o post correspondente do blog, onde há informações detalhadas do produto e os sites de referência.

Há também uma sessão sobre Telemedicina com exemplos do seu uso na atualidade.




E por fim, uma sessão dedicada aos Sistemas de Registro Eletrônico de Saúde e aos Prontuários Eletrônicos do paciente muitos sites de referência e links de sistemas de gerenciamento médico de consultório online e agenda online de pacientes.




28 de jul. de 2010

O Uso Significativo do Prontuário Eletrônico de Saúde e o Acesso à Informação

Já publiquei alguns textos do blog  CIBERSEGURANÇA E O DOMÍNIO PÚBLICO de  Ruy José Guerra Barretto de Queiroz, Professor Associado do Centro de Informática da UFPE, e o da semana passada é muito bom, onde ele comenta as regras divulgadas recentemente para implementação da reforma da saúde do governo OBAMA, com o uso do prontuário eletrônico do paciente (PEP). Leia o artigo na íntegra aqui.
"Esta semana o “U.S. Department of Health and Human Services” (HHS), através da Secretária Kathleen Sebelius, anunciou o que foi definido como sendo o conjunto de regras para, segundo suas próprias palavras, melhorar a saúde dos americanos, aumentar a segurança e reduzir os custos de assistência à saúde através do uso expandido do ‘prontuário médico de saúde’ – em inglês, ‘eletronic health record’, abrev. EHR.  Conforme o comunicado do HHS, o anúncio marca a conclusão de diversos estágios na preparação do terreno para a implementação do programa de pagamento de incentivos. Sob o regime da nova lei de assistência à saúde, o “Health Information Technology for Economic and Clinical Health (HITECH) Act” de 2009, profissionais de assistência à saude e hospitais elegíveis podem se candidatar a receber pagamentos de incentivos provenientes dos programas governamentais Medicare e Medicaid quando adotarem a tecnologia de EHR certificado, e usá-la para atingir determinados objetivos. Uma das regras anunciadas na ocasião define os objetivos do chamado “uso significativo” que os provedores de assistência médica devem atingir para se qualificarem para receber os pagamentos de bônus, enquanto que a outra regra identifica as capacidades técnicas exigidas para a tecnologia de EHR certificado. Entre outras coisas, as novas regras de “uso significativo” tratam de regulamentar o quanto as instituições de assistência médica poderão cobrar, e o período de tempo no qual as informações devem ser disponibilizadas ao paciente.
Em artigo publicado em 23/07/10 no New England Journal of Medicine sob o título ‘The “Meaningful Use” Regulation for Electronic Health Records’, David Blumenthal e Marilyn Tavenner afirmam que o amplo uso de prontuários médicos de saúde (EHR’s) nos Estados Unidos é inevitável, pois o EHR propiciará melhoras nas decisões dos provedores de assistência médica e nos resultados nos pacientes. Lembrando que, embora inevitável, a incorporação da tecnologia de prontuários médicos de saúde na prática cotidiana não será fácil, Blumenthal – que foi nomeado por Obama em 2009 “coordenador nacional de tecnologia da informação em saúde” – enfatiza que o programa prevê um total de 27 bilhões de dólares em prêmios a serem pagos nos próximos 10 anos.
Um dos princípios básicos por trás das novas regras é que, para ser útil, os dados têm que fluir. No caso dos dados relativos ao paciente, estes devem estar: 
  •  disponíveis para os próprios pacientes; 
  •  disponíveis para outros provedores de serviços de saúde, de modo que eles possam coordenar a assistência médica; 
  •  disponíveis para farmácias para que possam lidar com as receitas médicas eletrônicas; e 
  • disponíveis para agências governamentais para garantir a saúde pública, regular as instituições, e dar suporte à pesquisa pública para melhores curas.
Concretamente, as regras atuais de “uso significativo” buscam um equilíbrio entre o reconhecer a urgência de se adotar EHR’s para melhorar o sistema de saúde e o se dar conta dos desafios que a adoção deverá oferecer aos provedores de assistência à saúde. A idéia é que a regulação tem que ser ao mesmo tempo ambiciosa e atingível. “Como uma escada rolante, o HITECH tenta fazer subir o sistema de saúde em direção a uma qualidade e a uma eficácia melhoradas, mas a velocidade de subida deve ser calibrada para refletir as capacidades dos provedores que enfrentam uma variedade de desafios do mundo-real, e a maturidade da própria tecnologia.
Paralelamente, o HHS vem desenvolvendo um sistema para permitir que organizações independentes possam certificar os sistemas de EHR’s. Em conjunto com o anúncio das regras de “uso significativo”, foi divulgado o conjunto inicial de padrões, especificações de implementação, e critérios de certificação para a tecnologia de EHR. Digno de menção o incentivo explícito à submissão feito especificamente aos desenvolvedores de sistemas de código aberto.
Entre os principais objetivos das novas regras está o de incentivar o uso de diversos aplicativos de software que permitam explorar o verdadeiro potencial dos EHR’s na melhora da qualidade, da segurança, e da eficiência da assistência médica. Em particular, ajudar o médico na tomada de decisão, minimizando inclusive as chances de ocorrência de erros que podem evitados, tais como a prescrição de medicamentos incompatíveis com a condição do paciente. E para se candidatar ao pagamento dos incentivos, os médicos devem começar empregando tais ferramentas de suporte à decisão, bem como usar os sistemas de EHR para registrar todas as suas prescrições, sobretudo as de medicamentos. No entanto, somente quando também os provedores de serviços (hospitais, clínicas) passarem a entrar com seus registros no EHR do paciente, o sistema poderá efetivamente melhorar a qualidade da assistência. E, naturalmente, para começar a estender os benefícios dos EHR’s aos pacientes, as exigências de uso significativo deverão incluir o fornecimento de versões eletrônicas de seus prontuários médicos aos pacientes e seus familiares ou responsáveis."